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Mediante utilização da célula de combustível com utilização do Hidrogénio, a Renault prepara soluções para ligeiros de passageiros/mercadorias com o objectivo de manter as emissões a zeroe aumentar a autonomia

Renault prepara revolução H2

Com a chegada das máquinas a vapor (1765) deu-se início à primeira revolução industrial. Em 1870 a chegada do petróleo e da electricidade, deram origem à segunda revolução industrial. Nos anos 70 e com a chegada da electrónica e automação, assistimos à terceira revolução industrial. Volvidas cinco décadas, há quem fale da quarta revolução industrial que, entre outras, permitirá passar da automação industrial à robotização quotidiana. Parte desta evolução tem a ver com o progressivo abandono dos combustíveis fósseis (derivados do crude) apontados como principais poluentes, quando se pensa em transporte rodoviário. Por agora, vamos ‘esquecer’ a industria agro-pecuária ou os transportes marítimos, aéreo e ferroviário. E vamos também ‘esquecer’ que a individualização do transporte, facilita a aplicação das exigências e dos ‘euros’ (não confundir com a moeda €uro) convertidos em moeda de troca ambiental no WLTP – Worldwide harmonized Ligth vehicle Test Procedure.

Em termos práticos isto significa a progressiva substituição dos motores térmicos (gasolina, gasóleo, gás natural) por motores eléctricos. Todavia e face aos térmicos, os motores eléctricos colocam três questões: a proveniência da electricidade; a gestão da autonomia; a estrutura de custos. No tocante à proveniência da electricidade, não nos vamos alongar muito. Como é do conhecimento geral, muita da electricidade ainda é gerada por combustíveis fósseis. E a maior parte da produção do Hidrogénio, é proveniente do gás natural. No capítulo dos custos, existem os de aquisição, utilização e manutenção. E quando se argumenta que os custos de utilização e manutenção são baixos, é preciso ter em linha de conta o valor de aquisição, em especial quando se trata de ligeiros de passageiros/mercadorias. Nos ligeiros de passageiros/mercadorias, vulgarmente designados como ‘comerciais’ este capítulo é particularmente sensível, porquanto nem todas as actividades, permitem disponibilizar valores de aquisição mais altos, salvo quando a actividade principal se centra no transporte. Face a este panorama, o que a Renault propõe nos Master e Kangoo, tem por base a motorização eléctrica, com extensão de autonomia mediante produção autónoma de energia, conseguida através da ‘célula de combustível’ alimentada por Hidrogénio.

Autonomia eléctrica

Autonomia ZE+H² *

Capacidades

Custo Hidrogénio**

Master – 120 km

Master – 350 km

2 x 56 litros = 2,1 kg

15 €/ kg

Kangoo – 230 km

Kangoo – 370 km

74 litros = 1,7 kg

* homologação WLTP em curso

** – valores médios no mercado francês

Além da Europa e com homologação WLTP, a solução da célula de combustível a Hidrogénio está prevista em países asiáticos, com a China e Coreia do Sul na dianteira, enquanto na California os objectivos apontam para a instalação de 1.000 estações até 2030

Para já aplicável nos Kangoo e Master a solução da célula de combustível, permite reduzir as emissões a zero, uma vez que a combustão térmica é substituída por uma reacção química, e os resultados desta são água. O princípio de funcionamento é simples, ainda que a tecnologia represente a tal quarta revolução, a estender a outros modelos da marca (Clio, Captur e Scénic). Para abastecer existe um bocal próprio, através do qual o Hidrogénio é pressurizado a 350 ou 700 bar, sendo para isso necessária uma estação dedicada, cujo custo ronda o milhão de euros. Uma vez no interior, o H² é armazenado nos tanques e daí enviado à célula de combustível que recebe ar pressurizado e devidamente filtrado. Desta conjugação de operações/reacções químicas, aparece a electricidade para alimentar os motores e assim dar uma maior autonomia face às versões eléctricas “Zero Emissions”.

No tocante a pesos e valores de carga útil, o Master chega aos 1.200 kg para um volume de carga que pode chegar aos 20 m³, enquanto no Kangoo os valores de carga útil são de 540 kg para um máximo de 3,9 m³ de volumetria no compartimento de carga. Como em todos os processos industriais, e este tem um calendário ambicioso a nível mundial, os custos irão reflectindo as unidades produzidas e o parque circulante. Para já e a preços do mercado francês, e sem contar com incentivos governamentais, bónus ambientais ou iva, o valor deste Kangoo é de 48.300 €.

Renault prepara revolução H2