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Um horizonte electrónico

Clicar para começar e parar a reprodução das imagensHoje em dia os camiões ainda não têm olhos, mas têm ultra-sons, infra-vermelhos, radares e outros equipamentos. A terceira geração do Actros tem um novo opcional designado PPC. Um dispositivo que automatiza o regime do motor com a topografia do terreno. O suporte é da Tom Tom mas não substitui o GPS.

Um dispositivo com 50 anos

Com actuação pneumática ou eléctrica, o acelerador automático “cruise control” tem 50 anos de existência na Mercedes-Benz. No entanto, nos anos 50 já existiam modelos americanos com este sistema, muito útil nas estradas a perder de vista e nas quais, o isolamento da paisagem não significava tolerância das autoridades.
Quando em 1985 apareceu a Série SK e o EPS – Electro Pneumatic System, a MB conjugou os comandos electropneumáticos de transmissão com o acelerador automático, tornando-se na primeira marca a dotar um camião com estes níveis de automatismo. Com o aparecimento do primeiro Actros (1996), a MB alargou a utilização dos sistemas electrónicos a todo o camião, passando também a automatizar as capacidades de retardamento do veículo (travão de escape, travão-motor, retardador). Uma década depois, a segunda geração do camião germânico, continha tudo isto e mais alguns dispositivos auxiliares da condução, como o acelerador automático adaptativo. No que diz respeito ao veículo, à maior suavidade de funcionamento dos sistemas, juntava-se um significativo aumento na rapidez de actuação dos sistemas auxiliares de condução e agregados mecânicos.

A terceira geração

O Actros que em 2012 ostenta o título de Camião do Ano Internacional – “International Truck of the Year” conta agora com um novo opcional. Trata-se do PPC “Predictive Powertrain Control” que podemos traduzir como um controlo pré-activo da transmissão. Esta evolução regista-se com agrado, porquanto até aqui os sistemas de acelerador automático adaptativo, actuavam de acordo com a pré-selecção da velocidade e, normalmente, orientados pela rotação do motor, binário e optimização do consumo de combustível. Com o PPC e mediante o pagamento de 1.700 € o que a MB propõe é um sistema que está ligado à topografia do terreno através da Tom Tom.

O horizonte electrónico

Mediante esta integração, o sistema faz a leitura do acidentado do terreno e faz com que o camião acelere ou retarde o andamento. Por exemplo, se circulamos a 85 km/h e aparece uma subida e se esta estiver cartografada, o motor é acelerado, por forma a manter a velocidade comercial (velocidade mádia). Quando em plano, o veículo é reposto nos 85 km/h como velocidade pré-seleccionada.
Ao chegar a uma descida, a primeira acção consiste em actuar os sistemas de retardamento (consoante configuração) tentando manter a velocidade pré-seleccionada. Como é evidente, as condições de carga, vento e outras que influenciem o andamento do veículo, criam reacções (positivas ou negativas) à pré-selecção da velocidade. Por isso o sistema permite acertar as tolerâncias. No caso da diminuição de velocidade (retardamento) vai de 0 a – 10 km/h e no caso do aumento de velocidade (aceleração) o acerto vai de + 4 a + 15 km/h.

A função “eco roll”

Em tradução linear, podemos considerar esta função como o rolamento económico. Na prática, vejamos como funciona o sistema! Quando circulamos em plano, a velocidade é mantida a 85 km/h pois foi esta a nossa pré-selecção, tendo acertado as tolerâncias para – 5 e + 5. Quando iniciamos uma subida, o motor é acelerado mas de modo a que a velocidade não baixe dos 80 km/h. Como é evidente, esta reduzirá se as condições assim o exigirem. Voltamos ao plano e o acerto da velocidade, faz-se nos 85 km/h. Ao chegar à descida o veículo tende a embalar, mas como a tolerância + 5 está ajustada, quando chegamos aos 90 km/h já temos os sistemas de retardamento a funcionar. No entanto, no final da descida há um momento em que se retoma a velocidade pré-seleccionada e até que isso se verifique, entra em funcionamento o “eco rol” reduzindo a rotação do motor, que pode ir até às 500 rpm, reduzindo assim o consumo de combustível. No total e com um percurso entre Stuttgart-Hamburg-Stuttgart, os alemão preconizam para o PPC uma poupança de 3%. Em nossa opinião a mais-valia deste sistema está na redução da fadiga e consequentemente no incremento da segurança activa.