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Uma surpresa com letra D

Clicar para começar e parar a reprodução das imagensO actual Civic tem dois anos de comercialização e o historial Diesel na Honda tem 10. Se recuarmos no tempo, todos os sucessos dos motores japoneses, estavam indexados à gasolina, quer no caso da moto 250 de seis cilindros de Mike Hailwood, como nos motores F1 com que Ayrton Senna nos fascinou. No caso deste 1600 que em breve estará noutros modelos, a Honda surpreende com ‘D’. Por um lado este Diesel quase não tem travão-motor, mas também permite outras coisas de que não estávamos à espera, como por exemplo os consumos de combustível e emissões. A estética pode não se consensual, mas há muitas outras características que podem tornar-se referência.


Um historial curto

Em Swindon-Reino Unido e enquanto ler este texto, fabricou-se mais um motor 1.6 Diesel, agora disponível na 9ª geração do Civic, apesar de volvidos dois anos de comercialização. Com base na tecnologia “Earth Dreams” o motor debita 120 cv de potência, enquanto nas emissões de CO2 regista 94 g/km, indo assim ao encontro das exigências europeias, que volta a apontar para o Diesel. Na Europa, verifica-se um crescimento neste tipo de combustível, que já preenche 58% de quota do mercado no segmento C, e 45% nos motores com emissões inferiores a 120 g de CO2/km. Este 1.6 i-DTEC que em 2014 equipará o CR-V, aparece 10 anos depois de a Honda enveredar pelos Diesel. Antes disso, a gasolina era o combustível de eleição da marca, desde as motos de 250 cc e seis cilindros que deram notoriedade a Mike Hailwood, ao fabulosos motores da F1 que tantas vitórias deram a Ayrton Senna.
De volta ao Diesel o primeiro motor apareceu em 2003 com o i-CTDi 2.2 para equipar o Accord, chegando ao Civic três anos depois, permitindo que este modelo chega-se dos 0-100 km/h abaixo dos 10 segundos (09 seg). Ainda em 2006 a designação muda, e os 2.2 i-DTEC de 150 cv passam a ser menos poluentes, mediante aplicação do catalisador de NOx. Para o Type S há outra versão 180 cv) e a cumprir com as normas Euro 5.

Novidades tecnológicas

Para o chefe de projecto da gama Civic: O ponto central da filosofia da nossa tecnologia “Earth Dreams” é equilibrar a eficiência ambiental com a performance dinâmica que se espera de um produto Honda, afirmou Suehiro Hasshi em relação , ao 1.6 i-DTEC. Além disso , sublinhou: É importante que os nossos carros tenham uma condução divertida.
Construído em alumínio, o novo DTEC pesa menos 47 kg do que o 2.2 i-DTEC e teve os componentes redesenhados para minimizar o peso e melhorar a fricção mecânica, tendo como referência os motores a gasolina. A sobrealimentação está a cargo de um turbo de geometria variável e controlada pela gestão electrónica do automóvel, que pode levar o turbo à pressão de 1,5 bar. A turbulência ideal é garantida pelas formas das camaras de combustão e pela recirculação dos gases de escape, que actuam nas altas e baixas pressões para reduzir as emissões de Nox.
Na mecânica, a direcção EPS foi alterada para se tornar mais reactiva mediante uma relação de 14,5:1 por forma a reduzir o ângulo de viragem do volante, enquanto na traseira, a geometria das suspensões e a colocação do depósito do combustível colocado ao longo da linha central do carro, permitem a eficaz modularidade dos bancos traseiros, que rebatem em simultâneo o assento e costas. De acordo com os dados do construtor, esta funcionalidade permite colocar o Civic na melhor posição no tocante à volumetria da bagageira 401+76 litros no fundo falso.
Por fim mas não menos importante nesta versão Diesel, é o sistema ANC – Active Noise Cancellation. Concebido para reduzir o ruído de baixa frequência no interior, o sistema funciona sempre que o carro está a trabalhar. Microfones captam as baixas frequências oriundas do exterior, e enviam um sinal à unidade de controlo ANC. Esta responde, criando um sinal áudio de fase inversa sincronizado com precisão e envia-o para amplificação e posterior difusão pelos altifalantes das portas e pelo subwoofer da prateleira traseira.

Entrar no Diesel

De acordo com informações do construtor e face ao anterior modelo, o novo Civic está mais baixo (- 20 mm) é mais longo (+45 mm) e mais largo (+ 10 mm) embora a Honda tenha optado por uma plataforma de menor distância entre-vias. Com uma boa acessibilidade, um dos pontos que nos agradou neste novo modelo, é que deixou de existir aquele bico em que terminava o painel. As formas do painel estão mais harmoniosas e a ergonomia dos comandos foi significativamente melhorada, tendo os japoneses mantido aquele ar “futurista” tanto no exterior como no interior. Outra das evoluções visíveis tem a ver com a disposição do painel de instrumentos e com o bom nível de equipamento de série. O acelerador automático com limitador de velocidade, a câmera traseira para facilitar o estacionamento, os faróis de nevoeiro e o ar condicionado com duas zonas, são alguns dos equipamentos que merecem destaque no Civic, que concede uma boa posição de condução e vários ajustes. Em termos de visibilidade para a frente, as formas afiladas da carroçaria exigem habituação, em especial nas manobras com ângulos mortos, como acontece nas garagens. Para a traseira, o problema está resolvido mediante imagem no visor (de série no Sport).

Novos padrões de condução

No painel e para além do botão que permite desligar o start/stop um outro comando permite selecionar um modo mais económico de condução, fornecendo também informação sobre a economia de combustível, neste automóvel proposto com 5 anos de garantia e assistência em viagem. Num breve contacto ao volante, circulámos quase sempre com o programa ECO ligado e mesmo assim, ficámos agradavelmente surpreendidos com o desempenho dinâmico deste 1.600 no qual chegámos aos 4,8 litros/100 km à média de 42 km/h.
As acelerações e reprises são muito agradáveis e o mesmo acontece com as diversas sensibilidades que o volante nos vai concedendo, mesmo quando somos um pouco mais exigentes a curvar. A filtragem do Diesel e demais vibrações está bem conseguida, embora este Diesel não se comporte como tal nas desacelerações! Quase não existe travão-motor neste Civic e isso deve-se às relações de transmissão – as mesmas que concedem uma boa elasticidade na utilização dos 120 cv. Na busca da economia de combustível e de um determinado comportamento dinâmico, a 4ª relação já está abaixo da unidade ou prise directa (0,869:1) ficando as 5ª e 6ª relações muito abaixo disso (0,705 e 0,592: 1) respectivamente.

Gostámos Mais

  • Comportamento dinâmico
  • Condução refinada e reactiva
  • Consumos combustível e modo Eco
  • Modularidade interior e assentos
  • Conforto rolamento/insonorização

Gostámos Menos

  • Ângulos visibilidade
  • Efeito de travão-motor
Modelo/VersãoHonda Civic 1.6 i-DTEC
Potência88,3 kW (120 cv)/4.000 rpm
Binário300 Nm (29,4 kgm)/2000 rpm
ConsumosUrb: 4,0; Ext-Urb:3,3; Combinado: 3,6 l/100 km
CO294 g/km
Médias4,8 l/100 a 42 km/h