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A qualidade dos holandeses

Clicar para começar e parar a reprodução das imagensNo sector automóvel foi Henry Ford o primeiro a implementar a linha de montagem em série. Esta forma de fazer automóveis, era impiedosa na cadência mas eficaz nos resultados, e apesar de Charlie Chaplin a criticar, esta metodologia foi evoluindo, em especial quando os japoneses alteraram o conceito de linha para grupos de trabalho. A experiência que os holandeses nos proporcionaram, quis mostrar isso mesmo! Que a qualidade é coisa de grupo e isso inclui os utilizadores.

O espírito de equipa

A qualidade de construção é hoje um tema recorrente entre os construtores no sector automóvel. Para nos explicar como funciona, desde o conceito à aplicação, os holandeses da DAF colocaram-nos na linha de montagem e os resultados foram surpreendentes. Depois de calçar os sapatos de biqueira rija, vestir as jardineiras, e enfiar as luvas de trabalho, fomos para a linha de montagem, apertar eixos aos chassis.
Depois desta experiência, ficámos a perceber o quanto se evoluiu desde que Charlie Chaplin demonstrou no filme Tempos Modernos (1936) como pode ser impiedosa e desumana a produção em série.
É um facto que existem máquinas e que o esforço físico é minimizado. Mas trabalhar com máquinas, exige mais especialização no desempenho e atenção às sequências de fabricação. Por outro lado, cada indivíduo pertence a uma equipa e esta, descobre as necessidades, contribui com sugestões e valoriza a dinâmica de grupo.

Mais do que uma linha de montagem

A produção em série no sector automóvel começou com Henry Ford, mas foram os japoneses que aperfeiçoaram a metodologia, transformando a linha de montagem na soma de grupos de trabalho. Cada grupo é responsável pela secção e para esta contribui, com sugestões de melhoria, tanto em termos de produção como no fucionamento da equipa. Foi assim que os holandeses chegaram à conclusão de que uma plataforma elevatória, tornava mais ergonómicas as funções de quem monta eixos. O peso dos chassis e dos eixos, torna pouco prática a movimentação destes, pelo que é mais fácil elevar quem trabalha. Todavia, a montagem dos eixos é mais do que apertar parafusos! Uma infinidade de soluções propostas pela DAF, leva a que se mudem frequentemente as caixas para apertar os parafusos. A cada uma destas corresponde um código de barras, que identifica os chassis, os eixos e os binários de aperto, garantidos pelo aparecimento de uma luz verde na cabeça de aperto, que fixa dois ou quatro parafusos de cada vez.
De cada vez que chega um chassis e um eixo para apertar, acende a luz laranja, apenas se os parafusos e a cabeça de aperto estiverem bem conjugados. Se tal não se verificar é preciso mudar as caixas na cabeça de aperto e tudo isto enquanto o chassis e o eixo se vão movimentando. Por isso se exige a especialização de quem opera na linha. É evidente que depois de um período de formação/adaptação ao esquema, qualquer um é capaz de o fazer… mas sem margem de erro. E isso é que já não é para todos.

Controlar a qualidade

A derradeira fase do processo tem lugar no controlo da qualidade da montagem. Uma detalhada revisão ao veículo, pode revelar imperfeições na pintura, anomalias de funcionamento em algum dos agregados mecânicos, ou qualquer outra imperfeição que é corrigida, passando sempre essa informação ao grupo de trabalho responsável. Depois de receber essa informação, passam-na à equipa que terá de suprimir o erro, ou ao forncedor que terá de tomar as medidas correctivas.
No entanto, este processo de qualidade já começou há muitos anos atrás, quando os clientes foram ouvidos. Aliás, a DAF foi a primeira marca europeia a fazer um estudo de mercado, utilizando os motoristas. Em meados de 80, os holandeses foram para algumas estações de serviço europeias, e utilizando os períodos de descanso dos motoristas, pediam-lhes para retirar tudo das cabinas. De seguida, tudo era colocado numa lista, de acordo com o item, dimensões e peso, e assim nasceram o que são hoje as cabinas XF.
Por esta altura, alguns dos XF em que apertámos os eixos já devem estar a circular. Assim sendo, se algo se desapertar, não venham ter conosco. Falem directamente com os holandeses.