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A moto dos três diapasões

2015_YAM_MT09_EU_MS1RB_ACT_003No pós-guerra os japoneses ficaram de fora da indústria aeronáutica, e isso levou muitos dos engenheiros aeronáuticos a dedicarem-se ao automóvel e à moto. No caso da marca dos três diapasões, os modelos emblemáticos sucederam-se vertiginosamente, tanto nos dois tempos como nos quatro tempos. Todavia, apesar de todas as referências, tivémos grande dificuldade em enquadrar esta MT-09. É ágil como uma “naked”, conduz-se com o tronco direito como na XT, e no tocante a acelerações faz lembrar a R6.


Uma questão de rigor

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O rigor colocado na qualidade de construção e finalização, destacam-se nesta MT-09

Sobre a maneira de ser e de estar dos japoneses, os retemperadores tempos do pós-guerra concederam-nos algumas estórias interessantes. Uma diz respeito à atitude de rigor que os nipónicos já colocavam no processo industrial, enquanto outra resulta de uma proibição, também esta decorrente do pós-guerra. Comecemos pelo rigor! Por forma a contribuir no esforço de recuperação económica e industrial, os americanos encomendaram um conjunto de peças, indicando aos japoneses que a tolerância de erro, seria de 0,01%. Os japoneses, terão entregue a encomenda e numa caixa à parte, as peças com a tal tolerância de 0,01%. Passemos à proibição, já que esta marcou, definitivamente, a forma como as motos japonesas conquistaram os mercados mundiais. No pós-guerra, uma das restrições impostas aos japoneses, teve a ver com a proibição de eles -construírem aviões. Face a este impedimento, tivémos muito engenheiros aeronáuticos, a aplicarem os seus conhecimentos, nos automóveis e motos. Por isso, nos anos 50, já havia motos de 250 cc com seis cilindros em linha a quatro tempos, enquanto os dois tempos continuavam a ser a razão principal do sucesso de algumas motos, tanto em estrada como em competição.
No entanto, nos anos 70 e na sequência da crise energética, os dois tempos foram ficando afastados das estradas e cada vez mais remetidos às pistas. No entanto, esta escolha que começou nas exigências ambientais dos californianos, permitiu que os quatro tempos se desenvolvessem, a ponto de terem melhor potência específica face aos motores a dois tempos de cilindrada semelhante.

Dos 2 aos 4 Tempos

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A arquitectura dos três cilindros e o sistema de admissão contribuem para as ‘diabruras’ desta 09

Nos motores Yamaha a dois tempos, uma das soluções que fez furor nos anos 70 foi o YPVS que consistia num sistema de patilhas nos colectores de admissão. À vista desarmada o sistema não podia parecer mais simples, mas para quem entenda um pouco de mecânica e resistência de materiais, o sistema era tudo menos simples. Na MT-09 uma das soluções para ganhar genica nas acelerações e bons valores nas reprises, passa pela gestão de três fases nos colectores de admissão do ar. Se a isto somarmos um três cilindros e as vantagens desta arquitectura, que anula os pontos-mortos dos êmbolos, porquanto os 720º do tempo-motor estão sempre desfasados, ao contrário do que acontece com os blocos de dois ou quatro cilindros. E se a isto juntarmos uma cambota assimétrica, veios de contra-balanço para reduzir as vibrações, e uma gestão electrónica que entre outras funções, suprime o cabo do acelerador, temos um motor de 115 cv com uma elasticidade notável, aplicado a uma moto ligeira (188 ou 191 kg c/ABS). No conjunto a moto é mais leve do que uma R6 e o motor de 847 cc pesa menos 10 kg do que o tetra da FZ8.

Não é convencional

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Apesar da simplicidade das soluções, a MT-09 é bastante eficaz em termos dinâmicos

A fechadura que está ao lado do farol serve para ligar a ignição do 847. Deslizamos, na nossa direcção, o botão vermelho que dá inicio ao roncar característico deste tri. Com uma posição de condução em que o tronco fica quase direito, sentimos de imediato a agilidade desta moto e a facilidade com que se manobra. Esta característica deve-se a um quadro simples e organizado a partir de duas peças, em torno das quais houve a preocupação de colocar os agregados de uma forma compacta. O escape e a suspensão traseira são disso exemplo, já que a colocação baixa e quase horizontal, contribuem para manter a moto estreita e com o centro de gravidade o mais baixo possível. Para destas características, a MT-09 disponibiliza outra não menos importante e que tem a ver com a forma como se pode explorar a potência do motor e a bem escalonada transmissão de seis relações, com indicador de mudança engrenada no painel. Neste, também aparecem as indicações A, STD ou B que correspondem aos três modos de mapeamento do motor.

Do passeio à pilotagem

Accessorized MT-09 with Acc Touring Package

Acelerações vigorosas e uma ampla utilização dos regimes do motor caracterizam esta Yamaha

Quando se passa ao programa padronizado (STD), percebemos de imediato que o motor ganhou vivacidade e que o comportamento, corresponde à posição intermédia que aparece no visor. As acelerações são mais vigorosas e as reprises, permitem usufruir da elasticidade deste motor. Sem perder o nível de conforto que o passeio da marginal nos concedeu, também começamos a perceber que as suspensões, começam a exigir outro tipo de afinação, em especial as dianteiras, afinadas na baínha do lado direito. E como não podia deixar de ser, chegamos ao módulo A, o tal da Adrenalina. Neste, tudo muda e começamos a sentir algo de forma muito envolvente. As acelerações, são idênticas às de uma moto desportiva e torna-se fácil levantar a roda da frente. Percebemos de imediato, que para este tipo de utilização, precisamos de outra afinação nas suspensões, em especial quando exigimos mais dos travões, que nos deixaram a ideia de serem muito eficientes. Quando exploramos as acelerações, a rapidez de engrenamento da caixa, em especial depois das 5.000 rpm, causou surpresa. E o mesmo acontece com as reprises acima das 4.000 rpm. Sendo rápida não é uma moto pontuda. O motor responde em redondo e sempre com disponibilidade, comprovando que para andar rápido nesta MT-09 é preciso saber, como travar e como curvar. E quase nos atrevemos a dizer que se tiver conhecimentos de pilotagem, por certo irão ser proveitosos. Talvez por isso a Yamaha tenha escolhido a imagem de “Il Doctore” para identificar a MT-09 Street Rally, que na realidade é uma MT-09 estilizada.

Gostámos Mais

  • Três mapas de motor
  • Acelerações e reprises
  • Eficácia da travagem
  • Facilidade de condução
  • Instrumentação

Gostámos Menos

  • Apoio dos pés
  • Modo de ajuste das suspensões