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Chegou aos concessionários europeus em Fevereiro de 2007, adoptando o nome iraniano de uma tribo nómada. Todavia, o historial do Qashqai começa em 1999 mediante a formação da aliança entre japoneses e franceses. Uma das primeiras tarefas, consistiu em dar continuidade ao sucesso que a marca japonesa tinha conseguido no segmento dos modelos familiares. Era preciso encontrar um modelo entre os quatro a quatro metros e meio, com motores 1.500 a 1.600 (gasolina e gasóleo) e com potências entre os 100 a 150 cv. Espaço, conforto e modularidade também estavam no caderno de encargos. Na “Aliance” a única coisa que sabiam é que tinham de fazer algo diferente do Almera, que nunca conseguiu o título de automóvel global, algo que alguns dos concorrentes generalistas já tinham conseguido. A Toyota já o tinha feito com o Corolla, e a Ford também já o tinha conseguido com o Focus. No entanto, por volta de 2000, a Nissan já tinha duas referências de sucesso: o 370 Z e o X-Trail. Contudo, o desportivo destinava-se a um nicho de mercado, enquanto as linhas do X-Trail eram demasiado conservadoras. Mais, era um daqueles automóveis que só fascinava quem o conduzisse. Por fora, faltava-lhe aquela traseira tipo ‘rabinho de bébé’ enquanto a tracção integral e as motorizações, não eram as mais cativantes.

A popularidade dos SUV

As grandes dimensões – por vezes enfatizadas pela desproporcionalidade das formas – as inércias que afectavam as performances e alguns acidentes, levaram os americanos a colocarem os SUV sob a mira da comunicação social. Em 2002 este conceito aumentava de popularidade entre os europeus, apesar das evidentes resistências, tanto dentro como fora da empresa. No entanto, ao associar algumas das características mais apreciadas nos familiares de dois volumes, com a funcionalidade, espaço e dinâmica do X-Trail, estava criado o automóvel que cruzava conceitos e partilhava soluções: o “crossover”. Foi lançado o desafio às equipas de “design” da Nissan de todo o mundo para criar um exterior e um interior. Como resultado de uma colaboração global, a proposta apresentada pela Nissan Design Europe (NDE) tornou-se o protótipo do Qashqai 2004. O exterior selecionado veio do Global Design Centre da Nissan no Japão, enquanto o interior foi desenhado pela Nissan Design America. Dado que o Qashqai era inicialmente um automóvel para clientes europeus, ambos os elementos foram transferidos para a NDE para mais aperfeiçoamentos, para que o conceito satisfizesse na perfeição as necessidades dos clientes europeus.

O cruzamento de conceitos e soluções fazem parte do sucesso do Qashqai. A evolução contínua nas vendas e a quota europeia de 10,5% certificam os resultados

O protótipo Qashqai

Revelado em Genéve-Suíça a 02 de março de 2004, o protótipo do Qashqai é relembrado pelo editor de um jornal dinamarquês, o Berlingske Tidende: a imprensa automóvel ficou em choque com o conceito Qashqai. Como a maioria deles, fiquei parado e abanei a cabeça. Mas a Nissan tinha olhado mais profundamente para a bola de cristal do que qualquer um de nós e mantém-se atualmente na liderança do segmento “crossover”. Poucos previram isso, sublinhou Henrik Dreboldt. Após a apresentação no certame helvético, o trabalho de desenvolvimento continuou e o design final bem como as especificações de engenharia ficaram concluídos. Por essa altura já tinha sido tomada uma decisão importante: o Qashqai iria servir de substituto do Almera no segmento C e do Primera no segmento D.

Escolher uma fábrica

Em sintonia com o desenvolvimento do Qashqai, era necessário tomar a decisão sobre o local onde iria ser construído. O compromisso da Nissan em construir veículos nos mercados para os quais eram concebidos significava que a NMUK, em Sunderland- Inglaterra, era uma escolha potencial. A procura foi tão elevada que os planos de construir 120.000 por ano, foram rapidamente revistos, tendo sido construídos 160.000 só no primeiro ano. Actualmente e desde há quase seis anos, a fábrica está a trabalhar em três turnos por dia, para conseguir acompanhar os pedidos de clientes para o Qashqai. Nos bastidores dos testes de Inverno (Janeiro 2006) na Finlândia, os meios de comunicação tiveram a oportunidade de se colocarem ao volante pela primeira vez. Era óbvio que ainda viam o Qashqai como um SUV compacto. À procura de uma notícia, rapidamente comentaram as previsões relativamente baixas das vendas do 4WD, uma vez que consideravam esta característica, uma das diferenças fundamentais entre o Qashqai e um dois volumes do segmento C tradicional. Mas a Nissan tinha feito as suas investigações e sabia que eram poucos os condutores de SUV que utilizavam o automóvel fora de estrada, e ainda menos utilizavam efectivamente a funcionalidade de tração às quatro rodas.

Qashqai à venda em Fevereiro de 2007 

O Qashqai começou a ser comercializado em Fevereiro de 2007 e fez sucesso entre os clientes desde o início. Até ao fim desse ano, mais de 100.000 Qashqai tinham sido vendidos na Europa. O maior mercado foi o Reino Unido, no qual se venderam 18.000 veículos. E começou a vencer prémios, tendo chegado aos 14 só no primeiro ano. Estes abrangiam conquistas em todos os sectores, desde vitórias nos segmentos dos SUV e dos automóveis urbanos, aos prestigiados títulos de “Automóvel do Ano” e a distinções relativamente às vendas para frotas. Em 2008, o mundo automóvel apercebeu-se que o compromisso da Nissan com o “crossover” era muito maior e apareceu o sete lugares Qashqai+2. Foram vendidos mais de 235.000 exemplares do Qashqai+2 na Europa. Em 2010, a Nissan tinha vendido uns impressionantes 1,2 milhões de Qashqai em toda a Europa e tinha marcado a ocasião com o lançamento de uma versão atualizada, com uma gama de melhorias ao nível do design e da tecnologia. Além de uma nova imagem da frente, a Nissan introduziu a inovadora tecnologia de Monitor de Visualização 360° de ajuda ao estacionamento, um forte atributo de venda dos automóveis Nissan até hoje.

Melhorar o líder de classe

A procura “do Crossover” continuou a crescer e a Nissan já estava a trabalhar numa versão totalmente nova do seu automóvel pioneiro. A segunda geração do Qashqai foi revelada em Novembro de 2013, e disponibilizada a partir de Março de 2014. Quase cinco centímetros mais comprido face ao antecessor, era mais baixo e largo, possuía um “design” exterior mais apelativo e aproximado da imagem de marca de outros modelos Nissan. No essencial, a panóplia de novas tecnologias como os sistemas do a travagem activa para evitar a colisão frontal, sistema de monitorização da atenção de quem conduz e reconhecimento de sinais de trânsito. Desde 2014, o Qashqai de segunda geração vendeu 700.000 unidades na Europa.

Ao volante do líder

Ao longo de uma década, as vendas do Qashqai foram sempre evoluíndo de uma forma positiva e permanece como líder na classe com uma quota de 10,5% na Europa. Existe um ditado inglês que diz: – a imitação é a forma mais sincera de lisonja. A comprovar o facto existem 21 concorrentes directos do Qashqai. Por isso decidimos dar uma volta com o N-Vision 1.5 de 110 cv e ao entrar neste Nissan, constatamos a boa acessibilidade, a proximidade e ergonomia dos comandos, apreciando a forma intuitiva como se acedem a algumas das funções do veículo ou da viagem a efectuar. O acesso aos lugares traseiros e respectiva habitabilidade, deixaram boa impressão, e o mesmo aconteceu com a volumetria da bagageira de 430 litros (401 com roda de reserva) que disponibiliza uma útil divisória vertical. Depois de rebatidos os assentos traseiros, a volumetria passa aos 1598 litros de capacidade, sendo fácil a movimentação dos assentos.

Ao volante deste Qashqai demos conta de que além do controlo de estabilidade (VDC) a condução beneficia de um equilíbrio dinâmico, conseguido com subtis intervenções em cada um dos travões, para assim eliminar ou suavizar o adornar da carroçaria em curva. A menor oscilação lateral da carroçaria, tem como benefício imediato o conforto de rolamento, mas também uma condução mais tranquila e por isso mesmo mais segura. A este factor de segurança activa, juntam-se o avisador de saída da faixa de rodagem e a indicação de viatura no ângulo-morto. O estacionamento automático e a visão 360º contribuem para o aumento da funcionalidade na utilização. Num breve contacto ao volante e à média de 50,0 km/h conseguimos obter um consumo de 5,5 litros/100 km.

Gostámos –

Gostámos +

– alguns ângulos de visibilidade

– operacionalidade do visor central

– conforto de rolamento

– comportamento dinâmico

– equipamento de série e segurança activa

– modularidade e espaços de arrumos

– habitabilidade e ergonomia

Ficha técnica

Nissan Qashqai N-Vision 1.5 DCi

motor

1.461 cc Euro 6

potência kW(cv)/rpm

81 (110)/4.000

binário Nm(kgm)/rpm

260 (25,5 )/1.750-2.500

transmissão

Dianteira, manual de seis relações

jantes – pneus

16” – 215/65 R 16