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No início da comercialização em 1964, o Transit começou logo a estabelecer recordes, ao colocar 48 estudantes no interior

A determinação e liderança de três homens, deram origem à designação Ford Transit. O que começou por ser, a vontade de criar um modelo comum a dois mercados (Reino Unido e Alemanha), cedo se tornou num veículo igual nas formas, mas diferente nos detalhes. No entanto, a uniformização, chegou rapidamente. Para ficar a conhecer todo o historial deste modelo, é preciso recuar a 1953, quando na linha de montagem se adicionou um furgão, inicialmente designado como V (Van). Aliás, este Van, viu a produção adiada, por utilizar o mesmo V4 1.7 a gasolina que se montava no Corsair.  Em 1957, os modelos foram uniformizados nas carroçarias e adoptaram os nomes dos rios. Thames do lado britânico e Taunus do lado alemão, que em 1960, reolveu mudar a designação FK 1000 para Taunus Transit. Em 1965 e com o novo modelo, a uniformização foi total. Daí em diante, todas as Transit passaram a ostentar a oval azul. Este furgão cinquentenário, esteve na origem dos percursos de alguns nomes sonantes no historial da Ford. O trabalho de desenvolvimento do Transit de 1965 começou com o nome de código de “Project Redcap”. O trabalho inicial começou com uma equipa liderada pelo engenheiro norte-americano Ed Baumgartner e que reunia alguns dos mais célebres engenheiros da Ford na Europa, incluindo Ron Mellor (mais tarde director de engenharia), Terry Beckett (mais tarde presidente da Ford Inglaterra), e Alex Trotman, que se tornaria presidente e CEO da Ford Motor Company a nível mundial.

 

 

Testes a alta velocidade

1972FordTransitsatMonzaO projecto de engenharia original da Transit foi liderado a partir da Grã-Bretanha por uma equipa de design baseada numa área do que era então um armazém de peças da Ford Inglaterra, em South Ockendon, Essex. A pista de testes do aeródromo de Boreham era usada pela Ford para testes de durabilidade e resistência, mas não tinha capacidade para aceitar testes de alta velocidade, pelo que estes eram feitos em estradas públicas. Nos últimos meses do programa de testes, foi introduzido na Grã-Bretanha o limite de velocidade de 70 mph (113 km/h) e a polícia local tinha o hábito de ir assistir aos testes feitos pelos engenheiros da Ford durante a noite, fazendo muitas vezes parar os carros para lhes perguntar como estavam a decorrer as coisas. Em Outubro de 1965, a Transit mais barata – uma versão curta, com motor a gasolina e 610 kg de capacidade de carga – custava 542 libras esterlinas (739 €). A mais cara Transit nessa altura era um Custom Bus de 15 lugares, que custava 997 libras (1.360 €), acrescidos de 159 libras em taxas (216 €).

As divertidas Transit Supervan

1995TransitSupervanIIIA primeira Transit Supervan fez a sua estreia em Brands Hatch em 1971, no Domingo de Páscoa. Esta versão vitaminada estava assente num chassis de um Ford GT4O de competição com um V8 de 5.0 litros. Atingia uma velocidade máxima de 240 km/h. Em 1985, a Ford lançou a Supervan II. Esta era baseada noutro chassis Ford que havia competido Le Mans, o C100, e tinha um motor V8 Cosworth DFY. Atingiu os 280 km/h na pista britânica de Silverstone. A Supervan II foi depois transformada Supervan III em 1995, adoptando uma nova carroçaria e um dos últimos grandes motores, o Ford 3.5 de F1. Este exemplar sobreviveu, embora esteja equipado com um Cosworth de 2.9 litros e 24 válvulas, fazendo parte da Ford Heritage Collection, na fábrica da Ford em Dagenham-Reino Unido.

Motor 2.4 Duratorq com 165 cv, suspensões e travões de competição, transmissão curta e um habitáculo de rali, fazem deste Transit uma pérola na condução

Num dos primeiros anos da década de 2000, a Transit tornou-se na base para um projecto especial: a Ford World Rally Transit. Tinha um difusor dianteiro em fibra de carbono e um aileron traseiro, roll bar tubular no interior, “bacquets” em fibra de carbono, cintos de segurança de competição, extintores de competição e sistema de registo de dados on-board Pi System 2. Foi a primeira Supervan a Diesel, utilizando o 2.4 Duratorq da gama Transit. Com 165 cv e um binário de 410 Nm, a Ford Rally Transit conseguia atingir os 100 km/h em menos de 8 segundos e atingia uma velocidade máxima de 210 km/h. Sistemas de escape e de travões revistos e suspensão McPherson rebaixada completam esta Ford World Rally Transit, decorada com as cores da então equipa de ralis Ford Martini World Rally Team, por onde passaram Carlos Sainz e Luis Moya, e o malogrado Colin McRae navegado por Nicky Grist.

Os anos 60

A primeira Transit saiu da fábrica de Langley em Berkshire-Reino Unido, no dia 9 de Agosto. Estava já repleta de inovações, como um circuito impresso no painel de instrumentos, bloqueio da direcção (opcional), porta lateral de carga e cintos de segurança com dois pontos de fixação. Pouco depois do início da comercialização, novas inovações foram introduzidas, como os faróis de halogénio, pneus sem câmara-de-ar e molas de suspensão mais leves.

A Transit original apareceu com um motor a gasolina de 1,7 litros/74 cv ou um 2.0/86 cv e o primeiro Diesel, foi um bloco Perkins 4/99 de 44 cv. Estava disponível em duas configurações de chassis, cada um com dois compartimentos de carga útil. Uma versão curta com capacidade dos 610 aos 1.120 kg; uma versão longa capaz de carregar entre 1.272 a 1.782 kg). Na traseira, os furgões podiam estar dotados de duas meias-portas ou porta única. Nos laterais, portas de batente ou deslizantes. Em 1968, em Dagenham-Reino Unido, iniciou-se a produção do motor Diesel da Ford para a Transit. Em Portugal, tem início a produção da Transit na Azambuja, e aí continuou a ser montada ao longo de 33 anos, até Março de 2000, ano em que a unidade fabril foi encerrada.

Os anos 70

A imagem da Transit foi modernizada com a introdução de uma grelha mais parecida com a de um automóvel. Em 1972, a Ford substitui o Diesel por outro mais pequeno e mais rotativo, designado York. Estava disponível com dois níveis de potência, de 55 cv para as versões com chassis mais curto, ou 62 cv para as versões com chassis longo. No ano seguinte e para reduzir os custos para os seus proprietários, a Transit tornou-se no primeiro furgão a ter pneus radiais em toda a gama. Em 1974 criou-se um segmento que perdurou até aos nossos dias: o furgão de uma tonelada de carga útil. A base era um chassis longo de rodado simples. Em 1975 a Transit passou imediatamente a ser reconhecida, graças a um novo e funcional “efeito negro”, com a grelha, os pára-choques, os contornos dos pára-brisas e os retrovisores exteriores pintados em preto. No interior da cabina, os pedais foram avançados e o assento recuado, para criar 100 mm de espaço extra para as pernas, enquanto a coluna de direcção foi alongada para melhorar a posição de condução.

Ainda no ano do efeito negro, o Ford Transit foi o primeiro veículo ‘comercial’ a usar travões de disco dianteiros servo-assistidos, solução inicialmente aplicada nas variantes mais curtas, e nas mais longas um ano depois (1976). Aparece a 190 com 3,5 toneladas de peso bruto, toda a gama passa a ter discos de travão, ventilados na versão de maior capacidade. Nesse mesmo ano foi alcançado um marco histórico em termos de produção, quando saiu da linha de montagem a 1.000.000ª Ford Transit. A maior alteração de estilo da Transit deu-se com o lançamento de uma geração renovada em Março de 1978. Ao mesmo tempo, foram introduzidos motores com veios de ressaltos à cabeça (OHC), uma nova transmissão automática C3 da Ford, uma climatização mais potente e com ventilação integrada.

Os anos 80

TransitCelebrations_094Depois de um exaustivo programa de desenvolvimento, no qual foram utilizados 100 protótipos, é comercializado (1984) o então revolucionário Diesel 2.5 Di de injecção directa e bomba de injecção rotativa. A potência foi aumentada dos 62 para os 68 cv e ao mesmo tempo verificaram-se melhorias nos consumos na ordem dos 24% nas versões curtas e de 20% nos modelos de chassis longo.

Outro marco importante é atingido no dia 25 de Julho de 1985, com o Ford Transit nº 2.000.000 a sair da linha de produção. Em Janeiro de 1986, a nova geração Transit foi apresentada com uma nova e ousada frente, através do capot “fast-front” que tinha o melhor coeficiente aerodinâmico de penetração da sua classe, com 0,37 de Cd, valor que era melhor do que o de muitos automóveis da altura. Apesar do aumento do espaço de carga entre 11 e 13,5%, o Cd viu-se reduzido em 11%, permitindo uma poupança de combustível até aos 8%. A nova frente não era apenas um dispositivo aerodinâmico. Também foi desenhada para se deformar progressivamente em caso de impacto, melhorando a segurança passiva. Além disso, o novo capot permitia ainda um acesso mais fácil ao motor para operações de manutenção. A equipa de design criou portas maiores, com zonas vidradas mais amplas, criando uma maior sensação de espaço. No compartimento de carga, as dimensões começam a ser apresentadas em ‘europaletes’ com um metro de largura. Outras mudanças importantes incluíam a introdução de uma modificada suspensão dianteira independente do tipo MacPherson e uma direcção de pinhão e cremalheira nas versões mais curtas, pára-brisas laminado, bem como o uso de fechaduras de alta segurança Chubb-style nas portas e na ignição, para melhorar a segurança do veículo.

Os anos 90

TransitCelebrations_085Com a chegada da década de 90, o Transit quebrou, de novo, as barreiras definidas através de um novo desenho da estrutura da carroçaria. Esta melhorou a eficiência de produção e, consequentemente, a qualidade final do produto, como permitiu a estes modelos ultrapassar a exigência dos “crashtests” feitos a 48 km/h. A nova carroçaria deu origem a um novo derivativo de chassis curto, com uma capacidade de 1,5 toneladas, a Transit 150, que foi lançada com jantes de 15 polegadas. Os modelos de chassis longo mudaram de forma ainda mais significativa. As jantes de 15 polegadas tornaram-se de série, o modelo adoptou rodado simples atrás e passou a ter suspensão dianteira independente e direcção de pinhão e cremalheira. O modelo de 1991 marcou a estreia do turbo no Transit. Pela primeira vez, apareceu a gestão electrónica para gerir o 2.5 Di de 100 cv. A preocupação com as emissões dos gases de escape (Euros) cada vez mais rigorosas, também estavam no caderno de encargos deste bloco, que também tinha versões aspiradas (80 e 70 cv). A 15 de Setembro de 1994 é produzido o Ford Transit 3.000.000, no mesmo mês em que o furgão passa a ser reconhecido através da grelha oval, em referência à oval azul da Ford. Os níveis de ruído medidos eram 5 dB mais baixos do que o anterior modelo, representando uma dramática redução no nível de ruído percetível em mais de 70%.

A segurança do furgão e chassis-cabina foi melhorada de forma significativa, através de uma quantidade de componentes com desenho específico, incluindo fecho central de portas, alarme periférico, sistema electrónico anti-roubo com duplo fecho da Ford. A segurança dos ocupantes viu-se fortemente aumentada com a introdução de cintos de segurança de três pontos, e”airbags” disponíveis para o condutor e passageiros da frente. Em 1996 é comercializado o “minibus” de 17 lugares, incluindo cintos de segurança diagonais com enroladores de inércia em todos os lugares, bancos traseiros elevados com encostos de cabeça fixos, “airbags para o condutor e passageiros na frente, ABS de série. Em 1998 chegam os sistemas de distribuição electrónica da força de travagem e de controlo de tracção. É melhorado o sistema de imobilização e bloqueio da coluna de direcção. Pela primeira vez, vários derivativos Ford Transit foram convertidos para poderem rodar com GPL e um sistema de embraiagem automática foi introduzido nas transmissões.

Um outro século

Após 35 anos, foi lançada toda uma nova geração Ford Transit. Produzida na fábrica da Ford em Genk-Bélgica. Pela primeira vez, propuseram-se configurações com tracção dianteira e traseira, montadas numa plataforma comum. Numa demonstração de modularidade, uma equipa de três mecânicos, mudou a tracção em menos de 20 minutos. Na produção é atingido o Ford Transit quatro milhões. Foi introduzida na nova Ford Transit (2001) uma tecnologia para as passagens de caixa, com base na solução usada na F1, com a avançada transmissão automatizada Durashift EST. Nesse mesmo ano o Transit vence o “International Van of the Year 2001”, e ganhou também o prestigiado “Arctic Van Test”.

A Ford revelou, também, o Transit Connect, um novo e pequeno membro da família Transit, oferecendo uma liderança inquestionável em termos de flexibilidade, área de carga e segurança, assim como custos operacionais imbatíveis. O novo motor de conduta comum “commonrail” turbodiesel Ford Duratorq TDCi passou a estar disponível também no Transit, disponibilizado inicialmente nos modelos com tracção dianteira, numa versão de 2.0 litros/125 cv. Na gama, o novo Transit Connect vence o “International Van of the Year 2003”. Em 2004 a produção do Ford Transit passou de Genk-Bélgica para a Ford Otosan, em Kocaeli-Turquia. Em 2005 o Ford Transit Connect vence o prestigiado “Arctic Van Test”, que decorreu na Lapónia. A produção do Ford Transit chega aos 5.000.000 no 40º aniversário da designação Transit , celebrada a 9 de Agosto de 2005. Uma nova geração Transit foi comercializada em 2006, com novos design exterior e cabina. O selector de transmissão em plano elevado concedia melhor ergonomia, o controlo de estabilidade electrónico (ESP) ficou disponível para toda a gama, enquanto uma nova gama de motores – seis a gasóleo e um a gasolina, com conversores para GNC e GPL – passaram a disponibilizar níveis de potência mais eficientes e limpos.

TransitCelebrations_022 (1)Na mesma plataforma e em 2007, fica disponibilizado o sistema de tracção integral inteligente, tornando o Transit no único furgão a oferecer versões com tracção dianteira, traseira e 4×4 na mesma plataforma. O ESP passou a ser de série em todos os modelos com tracção às rodas da frente e de trás, com o motor Duratorq TDCi, e foi introduzida a nova Transit SportVan Series. O Transit foi, de novo, eleito “International Van of the Year 2007”. As designações Econetic chegam em 2009 mediante um filtro de partículas Diesel (cDPF) como opcional, tornando o Transit ECOnetic no primeiro Ford a cumprir os níveis de emissões Euro 5. Em 2010 chegam aos 6.000.000 de unidades a 30 de Abril. Pensado para o segmento de uma tonelada, o Transit Custom novos níveis de estilo, segurança, capacidade de carga, consumos, e custos operacionais, reconhecidos no “International Van of the Year 2013”. O novo Transit Custom, foi também o primeiro veículo neste segmento, a receber a classificação de 5 estrelas nos testes de segurança Euro NCAP. A 20 de Junho de 2013, a Ford celebrou a produção do Transit nº 7.000.000. O Transit Connect vence o “International Van of the Year 2014”.

Ford-Transit_21Com base numa plataforma global e aproveitando todas as sinergias que a marca disponibiliza, o Transit está equipado com o mais recente Diesel 2.2 TDCi da Ford, com opção entre tracção dianteira, traseira ou integral. É possível configurar mais de 450 variantes do modelo, entre versões Van, Chassis Cab e Minibus disponíveis na primeira fase de produção e lançamento na Europa. O que há 50 anos começou por designar um furgão, serve hoje para identificar toda uma gama que começa no Courier e passa pelos Connect ou Custom, e continua a servir para identificar o modelo mundialmente conhecido, e cuja designação ainda identifica muitos outros furgões, mesmo os que não pertencem à oval azul.