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Discreta evolução

Clicar para começar e parar a reprodução das imagensCom a meteorologia a fazer promessas e traições ao Verão, fomos até Berlim e voltámos sem ter visto as famosas bolas com creme. No entanto, aproveitámos bem a estada e demos conta do novo Vito, que conduzimos em ‘primeira mão’. Analisámos algumas das silhuetas entre mercadorias e passageiros. Seguimos as rigorosas indicações da navegação, que nos levaram a conhecer a periferia da cidade. Conduzimos o novo furgão nas variantes manual e automática, mas as maiores expectativas, estavam numa aposta tripla: um novo Vito, com 1.6 e tracção dianteira.


Novidades à frente

O novo modelo da marca alemã continua a utilizar parte da designação da cidade basca, mas apesar de discretas, as alterações efectuadas, são bastante significativas. Uma das mais importantes tem a ver com a adopção do motor 1.6 e transmissão manual de seis relações, que passam os (65 ou 84 kW) 88 ou 114 cv às rodas dianteiras. No 2.2 de tracção traseira, encontramos as potências de (100, 120 ou 140 kW) 136, 163 e 190 cv, este último um Bluetec Euro 6 agregado à 7GTronic Plus – um automatismo de sete relações, de série.
No capítulo da motricidade, uma versão 4×4 completa as escolhas, neste Vito que recebe mais uma referência da tecnologia dos automóveis de passageiros: BlueEfficiency.
Todavia, esta referência só se encontra nos modelos de tracção traseira e aparece, de série, nos Tourer. Sublinhe-se que esta designação, enfatiza o reposicionamento do Vito, que continua disponível nas declinações Furgão, Mixto e Tourer.
Por outras palavras, o novo furgão da MB pode ser escolhido como ‘comercial’ ou ‘passageiros’ em homologações M1 e N1. Aliás, durante a apresentação das múltiplas soluções, estiveram lado a lado, os nº1 dos automóveis Dieter Zetsche e dos ‘comerciais’ Volker Mornhingen.

Aumento do cotas

O conceito estrutural do novo Vito é o mesmo. Ora, dito assim parece um paradoxo, porquanto se o conceito é o mesmo como é que o veículo é novo? A estrutura auto-portante é semelhante à do anterior modelo, mas as dimensões e muitas das características, diferem e para melhor, face ao modelo que mantém a designação desde 1996.
Nas dimensões exteriores e com duas distâncias entre-eixos , os três comprimentos aumentaram (+ 140 mm) face ao anterior modelo, mediante uma frente mais afilada, a conceder dois benefícios: melhores protecção aos peões e coeficiente aerodinâmico. Por outro lado, os “designer” agradecem. Esta nova forma, ajuda a modernizar a estética e a estilizar os grupos ópticos.
As suspensões traseiras com molas helicoidais, foram trabalhadas no sentido de as tornar mais eficientes no conforto, num modelo com maior amplitude nos pesos brutos. Agora, os valores estão entre as 2,5 a 3,2 toneladas, tendo também aumentado os pesos rebocáveis. O modelo que em tempos já esteve na classe da tonelada, está agora com valores próximos dos 1.300 a 1.400 kg de carga útil. Outro dos benefícios da alteração da geometria na suspensão traseira, tem a ver com as melhores cotas. A largura no interior do furgão é agora de 1.685 mm e entre as cavas das rodas, passou a ser de 1.270 mm, alojando as europaletes em qualquer um dos sentidos. No tocante às volumetrias de carga, o Vito furgão disponibiliza 5,5/6,0/6,6 m³.

As siglas da modernidade

No interior, demos conta da alteração nos materiais e melhor finalização, em especial no painel, agora mais identificado com o estilo e proporcionalidades do utilizado no Sprinter. Há mais espaços para arrumos, e nas versões de transmissão automática, o lugar central ganha em habitabilidade. Nos equipamentos áudio 10 e 15, encontramos visores de 3,5 e 5,8” além das siglas que identificam a conectividade (WMA, MP3, AAC, WAV).
Outra das evoluções que nos agradou, tem a ver com o aumento da dimensão dos bancos e ajustes. O lugar de quem conduz, está mais confortável e concede melhor amplitude no acerto longitudinal e inclinação das costas. No painel de instrumentos, encontramos alguns dos indicadores das mais-valias do equipamento do novo Vito: a segurança, tanto activa como passiva.
De série no modelo alemão, encontramos o controlo de estabilidade (ESP) que acima dos 80 km/h activa o sistema destinado a minimizar os efeitos das rajadas de vento laterais. Além do controlo de anti-patinagem (ASR) existe também o sistema de assistência e alerta a quem conduz, enquanto na travagem encontramos os sistemas para contrariar o bloqueio das rodas (ABS) assistência à travagem (BAS) e o controlo electrónico da distribuição da força de travagem (EBV). Consoante configuração final, o Vito pode também ser equipado com assistência ao arranque nas subidas, sistema anti-rolamento da carroçaria, assistência à travagem no molhado e assistência à travagem no atrelado.

Automático ou manual

No primeiro trajecto de condução, o Vito Tourer Select de 190 cv + 7GTronic Plus, permitiu que a nossa primeira avaliação se desse em tráfego urbano. A suavidade da transmissão foi das primeiras constatações, mas o refinamento da condução, manobrabilidade e diâmetro de viragem deste tracção traseira, não nos deixou indiferentes. Equipado com oito “airbags” (frontais, laterais, tórax, bacia e cortina) concede invulgares padrões de conforto num furgão de passageiros. Por exemplo, a climatização, concede a selecção para o lado esquerdo e direito – condutor e passageiros – no banco da frente (Thermotronic) circulando ar quente e ar frio por condutas diferentes no habitáculo (Tempmatic).
Apesar de ser o mais potente, este Vito não concede acelerações ou reprises merecedoras de destaque. Todavia, os andamentos conseguidos, estão em perfeita harmonia com um certo brilhantismo, em especial quando analisamos o conforto de rolamento, refinamento da condução, e a quase total ausência de vibrações, habitualmente indexadas aos furgões… mesmo os de passageiros.

O Tourer dos profissionais

O segundo trajecto levou-nos a conhecer o motor de 163 cv, numa versão menos elaborada face à Select. A transmissão manual de seis relações com função Eco, não retira à Pro, todas as qualidades inerentes aos furgões Tourer, como adiante constatamos com uma outra transmissão manual.
Mais do que o conforto e requinte no rolamento, esta versão Pro evidencia um bom equilíbrio dinâmico, um agradável nível de equipamento de série (com destaque para a segurança) e, por fim mas não menos importante, reflecte um trabalho na dimunição de vibrações e ruído. Ao alterarem o alinhamento da transmissão secundária (eixo, semi-eixos e diferencial) e ao modificarem o posicionamento e ancoragem do eixo dianteiro ao motor, melhoraram as vibrações, enquanto para o ruído – que de acordo com os alemães foi reduzido em 2 Db(A) – os Tourer estão equipados com as melhores escolhas em matéria de insonorização.

Solução transversal

Em posição transversal e a ocupar o lugar mais baixo do pódio no tocante às motorizações, o 1.6 estava no furgão de mercadorias, que nos levou de volta ao centro de Berlim. Entre vias-rápidas e tráfego urbano, e antes de analisarmos algumas das características dinâmicas deste tracção dianteira, convém sublinhar que o preço final desta versão, é outra das novidades neste Vito.
Em termos dinâmicos e ao analisar o conforto de rolamento, este Vito é muito semelhante aos outros que conduzimos. Demos conta de que a insonorização é inferior, mas isso não tem a ver com o facto de ser tracção à frente ou 1.6, mas antes com o facto de este furgão não ser um Tourer.
Por ser o menos potente e com uma tara a rondar os 1.800 kg, o furgão não é dos melhores nas relações peso/potência. Contudo, tanto entre os Vitos como na gama da MB existem respostas para essas exigências.
Na condução, o refinamento da direcção com assistência eléctrica que varia consoante a velocidade, e os diversos ajustes concedidos para quem conduz, deixaram-nos a melhor das impressões, e o mesmo aconteceu com o escalonamento da transmissão manual de seis relações. Todavia, a precisão do selector, é um dos pontos em que há espaço para melhorar… ou nivelar pela qualidade dos restantes equipamentos/comandos ou eficiência dos agregados mecânicos.