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O novo Ford T global

Clicar para começar e parar a reprodução das imagensDar a cada americano a possibilidade de ter o seu automóvel, foi um dos objectivos de Henry Ford quando resolveu fazer o Ford T em série. A simplicidade e a produção massiva do automóvel, permitiam reduzir os custos de produção, e em função disso, incentivar o acesso à mobilidade e enfatizar a autonomia.
Com o novo modelo T… ou se preferirem, com o novo Transit, acontece mais ou menos o mesmo mas uma escala mundial. Por outras palavras, o Transit é o primeiro modelo global da Ford, se considerarmos o universo dos ligeiros de passageiros e mercadorias.

Para todos os continentes

Na marca da oval azul e depois da globalização dos Mondeo e Mustang, embora neste último tenhamos que esperar por 2015 – ano da comercialização europeia – para ver o processo terminado, o Transit torna-se no primeiro modelo da Ford a ser globalizado, se considerarmos apenas o universo dos ligeiros de passageiros e mercadorias. Esta globalização, decorre de um processo em que a designação Transit, se torna transversal aos ‘comerciais’ europeus. Quando chegar o Verão e com a gama completa, esta será constituída pelo defensivo Courier, pelo médio Custom, pelo avançado International Van of the Year 2014 Connect, a jogarem num 2-3-3 de duas toneladas Transit, fazendo tudo parte da mesma equipa.
No que diz respeito à comercialização, esta terá duas fases distintas. A primeira, prevista para Maio no mercado nacional, incluirá as versões Van, MiniBus e Chassis-Cabina Simples.
Os furgões terão dois níveis de equipamento (Ambiente e Trend) com três potências (100, 125 e 155 cv) obtidos através do 2.2 que é o bloco disponível. Nos chassis-cabina simples existirão os médio, longo e extra-longo em versões Trend com 125 e 155 cv, enquanto nas versões Ambiente, encontraremos três potências e igual número de configurações de chassis (médio, longo e extra-longo) com destaque para o extra-longo com rodado duplo e 125 cv.
Nos MiniBus os níveis de equipamento serão idênticos aos furgões, com duas potências (125 e 155 cv) e lotação para 14 ou 17 lugares.
Numa segunda fase a ocorrer no último trimestre, aparecerão as versões vidradas Kombi e as referências de mercado: os chassis-cabina dupla.

Mais uma palete

Mais racionalizado face aos antecessores, o Transit é apresentado em 450 variantes que cobrem as utilizações entre as 2,9 a 4,7 toneladas de peso bruto. Nas configurações, existem duas distâncias entre-eixos para os furgões e três nos chassis-cabina, mas todos estes são apresentados com três comprimentos nas carroçarias. No caso dos furgões que passam a disponibilizar duas alturas de tectos, e por que o Transit cresceu nas dimensões, o Jumbo chega aos 15,1 m³. Em linhas gerais isto significa que os furgões ganharam uma volumetria de 10% face aos anteriores modelos. A título de exemplo, o comprimento do compartimento de carga de um L2 é agora de três metros, com as portas laterais de acesso mais altas (+ 100 mm) e mais largas (+ 25 mm). Na traseira, as portas alargaram tanto como as laterais e estão mais altas (+ 80 ou 90 mm) consoante versões.
Nos furgões e face aos anteriores Transit, esta nova gestão de espaço, significa que os comprimentos e larguras de carga passam a ser os mesmos, independentemente de estarmos a falar de veículos de tracção dianteira ou traseira. No que diz respeito às alturas de carga, os de tracção dianteira, continuam a conceder maior altura de carga (+ 100 mm) e portanto maior volumetria (+ 0,5 m³), quando comparados com os de tracção traseira. Em termos operacionais, estas características permitem transportar mais uma europalete. Duas colocadas transversalmente junto das portas laterais, e outras duas posicionadas longitudinalmente.

Emoções racionalizadas

No exterior também deparámos com muitas alterações, a começar pela grelha. Nas fotos parece de grandes dimensões, em especial na brilhante. Na opaca ou pintada de preto, a imagem torna-se mais discreta. No entanto, o desenho do novo Transit conta com muitos elementos que alteram a percepção das proporcionalidades. Por exemplo, como os furgões cresceram nas dimensões exteriores, as jantes de 16” parecem pequenas. No entanto, os elementos compósitos em torno das cavas das rodas, suavizam esse contraste. De igual forma, as laterais das carroçarias, têm diversas nervuras, que terminam em forma de flecha ou afilada. Estes elementos também contribuem para suavizar a imagem de um grande furgão ou de um veículo de grandes dimensões, que nalguns casos disponibilizam maiores áreas do que alguns quartos de hotel.
Na traseira, é mais evidente o cruzamento de linhas entre as portas e os grupo ópticos, com estes a ficarem melhor integrados numa estética, na qual as cores interferem no tocante à percepção de um estilo próprio e respectiva volumetria. Dito desta maneira parece que estamos a falar de um automóvel de passageiros. Isto significa que este novo Transit é capaz de despertar emoções, num negócio que continua a ser racional. Aliás, basta olhar para o interior do habitáculo do novo modelo, para percebermos que a Ford utilizou aquela máxima da economia: nunca procurar recursos fora, sem ter explorado integralmente os que existem dentro de portas. Assim sendo, ao abrir as portas do Transit, deparamos com os comandos dos assentos semelhantes aos do Mondeo, com um painel central já visto no Fiesta, e com o volante igual ao do Focus.

Aos comandos do Transit

Ao entrar no novo Transit e antes de ajustar a posição de condução, constatamos que desapareceu aquela enorme cava de roda que tanto espaço roubava ao pé esquerdo. Agora está ao nível do pedal de embraiagem e ganha-se funcionalidade com isso. No entanto, a envolvente do selector de comando da transmissão, continua a ssr muito duro e está no sítio onde o joelho apoia.
Ajustamos o assento longitudinalmente e na inclinação de costas, com algumas das versões a permitirem o acerto lombar. A coluna de direcção e volante também se ajustam, o que significa (para um condutor de 1,80 m) um pouco mais de espaço para as pernas e joelhos. Todos os comandos estão à mão de semear, embora a profusão de comandos no volante nos tenha deixado sensações contraditórias. Por um lado não é funcional ter tantos comandos ao volante, mas por outro lado e depois de nos habituarmos, torna-se agradável e até funcional, como aconteceu em breves contactos ao volante. Em alguns trajectos, ddecidomos fazer consumos parciais e para isso basta premir um botão durante alguns segundos e tudo volta a zeros (velocidades, consumos, quilometragens).
As primeiras sensações ao volante, deixaram-nos bem impressionados! Nos primeiros quilómetros, o equilíbrio dinâmico dos Transit pareceu-nos bom, ao ponto de não conseguirmos identificar de imediato, se estamos a conduzir um tracção à frente ou atrás. Quando começámos a exigir mais dos Transit, percebemos onde está a motricidade. Mas em qualquer dos casos e com os veículos carregados entre 400 a 500 kg, nem o tracção dianteira transmite grandes sacões na direcção, nem o tracção traseira registou reacções dignas de nota.
Outro dos pontos em que gostámos da evolução tem a ver com a travagem. Mais uma vez o equilíbrio do veículo se mostrou eficaz, e o mesmo acontece com o controlo de estabilidade (de série) nos novos Transit.
Por fim mas não menos importante, os consumos parciais rondaram os 10,0/100 km e em algumas versões, conseguimos valores abaixo dos dois dígitos, com médias de velocidade entre os 21 a 33 km/h dado que conduzimos em zonas urbanas e industriais.