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Der Mercedes-Benz Arocs 2658 L 6×4 beim Abladen von Langholz.

Os alemães de Stuttgart aproveitaram a Bauma-Munique, para mostrar a renovada gama de modelos e versões, dedicadas à construção, estaleiro e montagem de super-estruturas. Como novidades, o quinto eixo no Actros SLT destinado aos transportes especiais, o novo sistema TRC – Turbo Retarder Clutch e mais algumas evoluções, na gama de camiões MB cujas vendas continuam a crescer. Nesta curta viagem à zona bávara, fomos conhecer parte da obra ferroviária integrada numa das apostas europeias, a nova linha Paris-Budapeste, e analisámos o negócio da Fischer e desempenho dos Arocs equipados com HAD.

Com uma impressionante dimensão – alguém dizia que ocupam o dobro da área do IAA-Hannover – a Bauma (abreviatura de máquinas de construção – Baumaschinen) é uma feira para todos. Foram 3.423 expositores oriundos de 58 países, enquanto nos dia de exposição, por ali passaram 580.000 visitantes provenientes de 200 países. E olhando para muitos dos visitantes, não se identificaria outra razão para estarem ali que não a curiosidade. Muita gente jovem e grande mobilização das escolas, para um negócio/feira que, em nossa opinião, atingiu uma impressionante dimensão. Se assim não fosse, não conseguiriam cobrar 32 € por bilhete diário.

Negócio integral

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Face aos 4×4 os Arocs HAD permitem um ganho de 400 kg de carga útil e economia de combustível de 5%

O negócio começou com dois camiões Mercedes-Benz e nove décadas depois, a Fischer vende de tudo, desde o parafuso à manutenção da máquina mais complicada. No centro de serviços da Fisher, as portas estão abertas ao público, quer para reparar ou substituir pneus, efectuar limpeza ou manutenção de veículos, pintura, soldadura, e até a transformação mais específica, como adaptar um semi-reboque aos serviços agrícolas.

No transporte rodoviário e para além da comercialização de materiais, a Fisher concedeu-nos a oportunidade de sermos ‘penduras’ num conjunto articulado. De acordo com o responsável da MB e face às soluções 4X4, a utilização do HAD permite ganhar 5% nos consumos de combustível, 400 kg de carga útil e ganhos na manobrabilidade. Tudo somado, podemos estar a falar de 2.000 €/ano de poupança em combustível, além dos ganhos em funcionalidade ao volante e mais-valias conseguidas ao aproveitar os melhores valores de carga útil. Todavia, quando confrontados com o acréscimo de custo do HAD, entre sorrisos, o responsável da Fisher remeteu para os alemães de Stuttgart a resposta. Falaram de valores “net” e de preço compensado, ou seja deram um preço que não conseguimos explicar.

16C348_044Na prática, o sistema deixou-nos a impressão de ser eficaz, em especial em pisos molhados, irregulares, ou sinuosos. Não existindo perdas de tracção, conseguem-se melhores velocidades médias e consumos mais estabilizados. Fora-de-estrada, também demos conta das melhorias na manobrabilidade e condições optimizadas de tracção. A única situação em que demos conta de uma real diferença face ao 4X4, teve a ver com algumas situações (extremas) de perda de tracção. Nestas, o binário conseguido no sistema hidráulico e transmitido às rodas dianteiras, pode não ser suficiente para resolver o problema. No entanto, diga-se em abono da verdade, que neste curto trajecto e antes de isso ser um problema, já se tinha perdido a motricidade devida à acumulação de lamas/barros nos pneus.

60 km por 700 milhões

sm_16C348_045Numa perspectiva meramente emocional, este custo é injustificado. Se considerarmos que neste trajecto, se irão ganhar à volta do oito minutos no trajecto, conseguidos mediante linha redesenhada e composições que podem chegar aos 250 km/h, mesmo assim não se consegue… ou dificilmente se consegue, justificar tal obra. Não tendo propriamente a ver com comboios, não se percebe como uma empresa com a DB Alemã, permitiu que um controlador de tráfego se tenha dedicado a jogar em serviço e que, dessa distracção, tenham resultado 11 mortes num desastre ferroviário. Pode-se questionar o que tem uma coisa a ver com a outra, mas tem. Tem a ver com o modelo de negócio que, muitas das vezes, negligencia o essencial e contorna o evidente.

16C348_024Na vertente mais racional, este investimento é importante, a começar pela perspectiva macroeconómica. Os meios utilizados para fazer os viadutos e túneis, têm impacte nacional e até europeu, numa linha que irá ligar os 2.500 km de Paris a Budapeste. As pessoas envolvidas, representam uma mais-valia para a economia, pelo menos até 2021 quando se prevê a finalização do projecto. E no tocante aos materiais, estes também impulsionam a indústria, o emprego, e o desenvolvimento da economia.