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Uma vitória confortável

Na edição deste ano do Artic Van Test, juntaram-se dois grupos de furgões. Os mais pequenos enfrentaram os maiores, mas os resultados finais revelam elevados índices de competitividade. O vencedor absoluto foi o novo Ford Transit, num ano em que a marca da oval azul está em grande, não só nos resultados de vendas europeias, como na renovação da gama. Nos outros furgões, o Transit Connect também venceu no AVT

 


Os oito candidatos

A edição do Artic Van Test deste ano juntou oito furgões, separados em duas categorias e por isso mesmo, com diferentes cargas parciais. Nos furgões ‘ligeiros’ a carga foi de 250 kg, enquanto nos furgões de maior volume e 3,5 T de peso bruto, colocaram-se 600 kg de carga. No tocante às configurações de série, foram escolhidos os Citroën Berlingo L2 Airdream e-Hdi de 90 cv, O Ford Transit Connect L2 Trend 1.6 TDCi 95 cv, O Renault Kangoo Maxi 1.5 Dci S/S 90 cv e o VW Caddy Maxi 1.6 TDI DSG de 102 cv. Nos furgões de 3.5 T de peso bruto, confrontaram-se o novo Ford Transit 350 2.2 TDCi 155 cv Trend RWD de tecto médio e chassis longo, o Mercedes-Benz Sprinter 316/43 CDI de 163 cv chassis longo, Opel Movano 2.3 CDTI L3H2 de 146 cv, e o VW Crafter 35 de chassis longo 2.0 TDI de 163 cv.
Estes foram os modelos comparados, numa edição que levou os finlandeses a enfrentarem um problema algo inesperado, e para o qual não tiveram solução. Pela primeira vez em 28 edições de testes, as temperaturas rondaram os – 1 e os – 8º. Para os finlandeses da Auto Tekniikka ja Kuljetus, estas condições só foram determinantes para os ensaios de arranque a frio, já que para os testes de condução e manobrabilidade, houve neve com fartura.

Rumo a Norte

Como já vem sendo habitual, os primeiros dias foram ocupados com a preparação dos veículos e respectivas medições (carga, acelerações e reprises, ruído, e manobras) sendo os restantes preenchidos com a condução. Primeiro nas ruas de Mäntsälä, para avaliar o comportamento urbano dos veículos, como por exemplo a acessibilidade, mobilidade interior, visibilidade e espaços de arrumos nas cabinas. Depois, foi a vez de rumarem a Norte (800 km) para Jyväskylä – sede do Rally da Finlandia. Dali seguiram para Oulu e Syöte, trajectos que serviram para avaliar, entre outros, o comportamento dinâmico, as luzes, o conforto da posição de condução, níveis de ruído e vibrações. Na antiga base aérea de Pudasjärvi, longe das estradas públicas e com os veículos sem carga, testaram-se de forma mais severa, as suspensões, os sistemas de controlo de estabilidade e travagem, e fez-se o tradicional teste da Madalena. Com o auxílio de uma boneca com um metro de altura, de início encostada ao veículo, este teste consiste em medir o ângulo de visibilidade para o exterior a partir do posto de condução. O referido ângulo é encontrado à medida que a boneca se afasta do veículo.

Aos comandos do IVOY

Sem querer plagiar as palavras do Padre Américo quando dizia que não há rapazes maus, apenas que uns são melhores do que outros, também nesta edição 2014 do Artic Van Test não podemos dizer que havia veículos maus a concurso. No entanto, a comparação enfatiza algumas diferenças. Aqui deixamos o resumo das opiniões e as respectivas pontuações.
Nos furgões ‘ligeiros’ o mais recente é também o Furgão Internacional do Ano – International Van of The Year. O Ford Transit Connect recebeu os maiores elogios pela dinâmica da condução e posição de condução, ao nível dos automóveis de passageiros. A insonorização é boa, mesmo com pneus de neve nas estradas mais exigentes. A visibilidade também foi apreciada, bem como a eficiência do desembaciador do pára-brisas. O júri gostou menos da falta de espaços para arrumos na cabina. 206 pontos
Apesar de ser um dos conhecidos e por diversas vezes testado, o VW Caddy ganhou a segunda posição e muito próxima do vencedor, do qual ficou a um ponto. A facilidade de utilização da transmissão DSG (opcional) foi um dos pontos apreciados pelo júri, uma vez que este tipo de veículo é frequentemente utilizado em condução urbana, ou sem com constantes pára-arranca. Outro dos pontos agradáveis tem a ver com o refinamento da condução, ainda que em termos de insonorização, tenha sido considerado mais ruidoso do que o Ford. No interior, o toque dos materiais compósitos (plásticos) e o desenho do painel, começam a acusar o peso dos anos. 205 pontos
O Citroën Berlingo não chegou a ter consensualidade de comentários no tocante à utilização da transmissão automatizada EGS6, já que uns gostaram da facilidade de utilização, enquanto outros apontaram os tempos de resposta como menos agradáveis. O motor foi um dos pontos em que as opiniões apontaram todas no mesmo sentido, tanto na elasticidade da utilização como na agradabilidade do ambiente de automóvel de passageiros. Ainda no interior, foi apreciada a colocação do selectro de velocidades e os espaços para arrumos. Na insonorização e face ao vencedor, o modelos francês foi considerado mais ruidoso e a precisar de alguns retoques nos comandos, espelhos retrovisores, posicionamento do acelerador automático e ajuste do volante, para além da inclinação da coluna de direcção. 199 pontos
O Renault Kangoo terminou com a mesma pontuação do Berlingo. O motor (1.5 Dci 90 cv) foi um dos pontos fortes, em especial pela flexibilidade de utilização e transmissão. Outro ponto forte a considerar é a acessibilidade. No entanto, o interior foi alvo de críticas pela inexistência de ajustes no volante e ângulos de visibilidade, devido à dimensão dos pilares A. A dureza dos materiais compósitos (plásticos) também contribuiu para receber menos pontos face aos rivais.

Na classe dos 3.5

No primeiro confronto do novo Ford Transit este recebeu uma série de ‘aprovações’ a começar pela posição de condução, considerada muito boa e com excelente visibilidade nos espelhos retorvisores. A condução foi apreciada e o mesmo aconteceu com a utilização do motor e transmissões, com todos os agregados mecânicos a terem uma boa insonorização. Por outro lado, ao volante, o Transit deu sinais de alguma imprecisão quando em vazio e em condução mais exigente. Os espaços de arrumos poderiam ser melhores, num painel ainda com evidência de alguma complexidade. 217 pontos
O Mercedes-Benz Sprinter foi o que mais se aproximou do vencedor, mas foi o que causou maior divisão por entre os jornalistas do Artic Van Test. Por exemplo, enquanto para uns, o motor foi considerado como um dos pontos fortes em termos de flexibilidade e potência, para outros, a insonorização e alguma falta de suavidade, foram apontados como menos agradáveis. No interior, a recente versão é apresentada com um ganho em relação ao toque e apresentação dos materiais, espaço na cabina e volume de carga. No entanto, para outros, os interiores continuam a ser alvo de críticas, em particular no posicionamento e identificação de alguns comandos. 215 pontos
O VW Crafter ficou na terceira posição, apesar de ter sido apresentado com o banco pneumático (opcional) e interior cuidado. Neste AVT o júri apontou a condução como um dos pontos agradáveis, ainda que o motor e transmissão tenham sido pouco consensuais, em particular o comportamento do motor a baixos regimes. A insonorização foi considerada elevada e os interiores a necessitarem de evolução. 212 pontos
A complementar a lista dos furgões, o Opel Movano foi apreciado pela flexibilidade de utilização do motor a baixos regimes e transmissão. A visibilidade foi considerada boa em todos os ângulos e no tocante aos espaços para arrumos, o Opel foi considerado o melhor. A cabina foi alvo de críticas, desde a posição de condução aos bancos muito macios, à ausência de ajuste do volante e apoio dos pé esquerdo. A insonorização foi considerada insuficiente, tal como a eficácia das suspensões em maus pisos. 206 pontos