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MONTE-CARLO, MONACO - MAY 23:  Daniil Kvyat of Russia and Infiniti Red Bull Racing drives during qualifying for the Monaco Formula One Grand Prix at Circuit de Monaco on May 23, 2015 in Monte-Carlo, Monaco.  (Photo by Andrew Hone/Getty Images) *** Local Caption *** Daniil Kvyat

Face aos circuitos permanentes, a aderência do circuito citadino é um dos pontos de diferenciação.

No rico e longo historial da F1, foram mais os nomes do que os momentos, em que assistimos a importantes contributos nesta exigente disciplina da competição. No entanto, o historial está pleno de estórias, que nos levam a considerar o circuito do Mónaco, como uma verdadeira ‘joía da coroa’ no tocante à F1. O acidente que colocou Ascari num banho forçado, ou a única vitória de Jean-Pierre Beltoise em GP, que coincidiu com a última da BRM, são algumas das páginas. Com uma única vitória no Mónaco e além de Jarno Trulli, ficou no palmarés do principado, a de Olivier Panis numa prova em que terminaram quatro monolugares. E por falar em vitórias, há um nome a associar ao Mónaco: Ayrton Senna. O malogrado piloto continua ter o maior número de vitórias, num total de seis, cinco das quais consecutivas (de 1989 a 1993). Nas vitórias mais recentes, os monolugares da Red Bull conseguiram ir ao pódio por duas vezes. Uma em 2010 com Mark Webber e outra em 2011 com Sebastian Vettel, que aos 24 anos de idade se consagrou como o mais jovem campeão na F1 (2010, 2011, 2012 e 2013).

MONTE-CARLO, MONACO - MAY 21:  Daniil Kvyat of Russia and Infiniti Red Bull Racing drives during practice for the Monaco Formula One Grand Prix at Circuit de Monaco on May 21, 2015 in Monte-Carlo, Monaco.  (Photo by Andrew Hone/Getty Images) *** Local Caption *** Daniil Kvyat

Num circuito que este ano ficou mais curto, Ricciardo conseguiu a volta mais rápida e um 5º lugar na classificação geral, algo notável desde que os Mercedes estejam presentes

As vitórias da juventude

Mesmo quando os pilotos não sobem ao mais alto lugar do pódio, na Infiniti Red Bull Racing, celebram-se sempre quaisquer outras vitórias, sempre com o cunho da juventude. Os 20 anos de Carlos Sainz ou os 17 de Max Verstappen, atestam isso mesmo, mesmo se considerarmos que o espanhol tem um “curriculum” mais rico, que lhe garantiu o acesso à F1 depois de ter vencido a Fórmula Renault 3.5 em 2014. O holandês ainda vai dando alguns sinais de inexperiência, como tivémos oportunidade de constatar nos treinos, ou no espectacular acidente durante a corrida. Todavia, não podemos esquecer que na sua primeira época de F1, já conseguiu conquistar seis pontos.

Numa prova em que pilotos mais experientes, tiveram problemas de aderência e alguma dificuldade em encontrar as afinações adequadas às exigências do circuito citadino, os melhores resultados vieram do russo Daniil Kviat (21 anos) que terminou em 4º lugar, e do australiano Daniel Ricciardo (26 anos) que terminou em 5º lugar, mas com a conquista da volta mais rápida.

MONTE-CARLO, MONACO - MAY 24:  Daniil Kvyat of Russia and Infiniti Red Bull Racing drives during the Monaco Formula One Grand Prix at Circuit de Monaco on May 24, 2015 in Monte-Carlo, Monaco.  (Photo by Andrew Hone/Getty Images) *** Local Caption *** Daniil Kvyat

O circuito do Mónaco tem a curva mais lenta de todo o campeonato. No entanto, este gancho é um dos pontos onde ocorrem mais ultrapassagens.

A outra face da F1

Se recuarmos uma década, percebemos o quanto mudou a F1. E deixando de parte a tecnologia, há uns anos atrás, a F1 era vista como um clube de elites, que nalguns aspectos ainda é. Para organizar uma prova, o primeiro pagamento ronda os 25 milhões de dólares.

Todavia, a Red Bull trouxe novas abordagens a esta competição. Levar um Fórmula 1 a 5.000 metros de altura, ou colocar o monolugar a espantar vacas e a fugir de “cowboys” nunca tinha sido feito. A abordagem ao acolhimento também mudou, e nem todas as equipas se propõem ocupar os 65 elementos, na recepção e tratamento “vip” a quem assiste a um GP.

Sob o ponto de vista da comunicação, o facto de ‘democratizar’ a informação de tudo o que envolve uma equipa de F1, é algo a que temos de render a homenagem à RB, e constatamos que isso não acontece apenas na Fórmula 1.

Monaco brembo

Apesar de citadino e dos mais pequenos, o circuito do Mónaco é dos mais exigentes em termos de travagens.

As travagens do Mónaco

Considerado como um dos mais exigentes em matéria de travagem, o circuito do Mónaco, coloca diversos problemas aos pilotos. Face aos circuitos permanentes e por ser citadino, o piso é menos aderente, enquanto o traçado (3.340 m) obriga a 13 pontos de travagem, com destaque para a saída do túnel, no qual os F1 reduzem dos 293 para os 69 km/h para conseguirem abordar o ‘S’ antes da sequência de curvas na zona da marina. Este conjunto de circunstâncias faz ferver o líquido de travões e obriga os pilotos a passarem 26% do tempo a pressionar o pedal do travão. Depois das 78 voltas ao circuito, os pilotos aplicaram 83.460 kg de força no pedal de travão, com algumas destas travagens a produzirem 1.800 kW, submetendo os pilotos a forças até os 4,6 g de desaceleração.