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O regresso a Nürburgring

Imagine que está um daqueles dias em que o Céu sobre o anel norte do circuito parece um impressionante cenário pintado. Pairam nuvens sobre a coroa verde do circuito. O piso está frio e seco… ideal para o homem sentado ao volante. Dois meses depois ter sido apresentado, o Giulia Quadrifoglio é chamado a dominar uma pista que, ao longo dos anos, testemunhou muitas vitórias da Alfa Romeo: o “Grüne Hölle”, ou “inferno verde” do Nürburgring.
Ao que parece, esta sinistra alcunha foi inventada por Sir Jackie Stewart nos anos sessenta e com toda a razão. É um circuito que poderia ter sido desenhado pelo diabo em pessoa… mais de 70 curvas que se alternam com rectas em rápida sucessão, além de subidas e descidas com diferenças de altitude de 300 metros. No entanto, na década de 70 nem tudo era mau. Numa época em que nas motos de corria em 50 cc, as corridas tinham um volta.
De regresso ao “ring” e em quatro rodas, na área da partida, o Giulia Quadrifoglio está pronto. Não teve preparação especial, não está equipado com pneus “slick” e não tem “roll bar” de segurança. É exactamente igual a um carro que qualquer pessoa poderia comprar. Não fosse o capacete e até o piloto – de “jeans e polo” – pareceria um vulgaríssimo condutor. Não há luz verde para dar o sinal de arranque nem bandeira de xadrez à espera no fim da volta, mas os níveis de adrenalina dificilmente poderiam estar mais altos: há um recorde a bater.
O piloto activa o modo “race” do Alfa DNA e acelera. Passados 07:32 pode voltar a relaxar. O cronómetro atesta um resultado incível, registando sete segundos abaixo do recorde anterior (estabelecido em 2015). Apenas um ano depois, o Stelvio faz ainda melhor. O cronómetro registou oito segundos antes do precedente recorde na categoria. Os Giulia e o Stelvio são a berlina e o SUV mais rápidos de sempre, num dos mais difíceis circuitos do mundo. É um recorde que vai despertar muita luta.

 

Quem é Giorgio?

O nome Giorgio surgiu, pela primeira vez, na imprensa especializada em 2013, com a geração seguinte da Alfa Romeo a caminho, segundo nos disseram, e Giorgio era o nome da plataforma que lhe iria servir de base. Nos meandros dos meios de comunicação social, a agitação crescia. Todos perguntavam o que poderia aquele nome significar. A ideia romântica era que podia ser uma homenagem a Tazio Giorgio Nuvolari. Outros achavam que era uma escolha pessoal de Marchionne. O segredo nunca foi revelado. O que transpirou foi que Giorgio estaria disponível com tracção dianteira ou tracção às quatro rodas, e tinha objectivos extremamente ambiciosos.
A empresa estava a programar enormes investimentos na plataforma e na fábrica de Cassino, que tinha sido planeada para produzir os novos modelos. Acima de tudo, estava a organizar os melhores talentos técnicos em “think tanks” específicos. E estava a pedir aos projectistas e  “designers” envolvidos que pusessem de lado antigas regras e hábitos, que pensassem “out of the box”, que acreditassem, sonhassem e criassem”.

As equipas Giorgio isolaram-se do resto dos colegas para se focarem exclusivamente na nova plataforma. No jargão da empresa, foi inventada uma alcunha para as designar, orgulhosamente adoptada. Para explicar este apelido e a sua origem, temos de fazer um “flashback” de 70 anos.
Clarence Leonard “Kelly” Johnson não foi “designer” da Alfa Romeo, mas é igualmente importante para a nossa história. Era engenheiro aeronáutico na Lockheed Martin e, em 1943, foi-lhe atribuído um projecto especial. Desenvolver a partir do zero, em apenas seis meses, um avião de caça capaz de inverter a situação nos céus da Segunda Guerra Mundial. Era um desafio impossível. Mas ele aceitou, na condição de lhe ser dada carta-branca no processo que iria ser seguido. No termo do prazo estabelecido – na verdade, uma semana antes – entregou o revolucionário “XP-80 Shooting Star”, o primeiro caça a jacto americano. A sua equipa recebeu o nome de “Skunk Works”.
E assim, entre eles e para o resto da empresa, os grupos de trabalho da plataforma Giorgio tornaram-se “skunks”. Também eles começaram a partir de uma página em branco, tinham prazos apertados e uma tarefa muitíssimo ambiciosa. Voltar a pôr o condutor no centro de tudo, criando uma experiência de condução digna dos valores e da tradição da Alfa Romeo. Toda uma nova geração de produtos da marca tem sido baseada no seu trabalho.

 

O lançamento do Giulia no novo Museu Alfa Romeo

A versão que melhor expressa as mais profundas qualidades da plataforma Giorgio é a mais desportiva de todas. O Giulia Quadrifoglio. A empresa decidiu adoptar uma abordagem “top-down” e fez do Quadrifoglio a primeira versão do modelo.
O tão aguardado lançamento foi uma operação secreta e não foram divulgadas à imprensa fotos ou características técnicas. Nem sequer o nome do modelo.
O novo Giulia foi finalmente apresentado ao mundo no dia 24 de Junho de 2015. Um dia muito especial por muitas razões. Porque era o 105.º aniversário da marca. Porque tinha nascido uma estrela que os fãs tinham aguardado tão ansiosamente. E porque a Alfa Romeo tinha de novo uma casa, ao som das notas de “Nessun dorma”, de Puccini, o maestro Andrea Bocelli deu as boas-vindas ao Giulia nas salas do renovado Museo Storico Alfa Romeo, em Arese. Um abraço entre passado e futuro.

O novo Giulia

Os objectivos de produto estavam gravados na história da marca. Motores modernos e inovadores, perfeita distribuição do peso, exclusivas soluções técnicas, a melhor relação peso/potência na categoria – e, é claro, “design” verdadeiramente extraordinário, de traço inconfundivelmente italiano.
Todos os motores do Giulia são novos e inteiramente em alumínio. O motor a gasolina de seis cilindros biturbo do Quadrifoglio debita 510 cv para 600 Nm, valores sensacionais para uma berlina de quatro portas de dimensões médias. Pesos e materiais são projectados para garantir perfeita distribuição do peso, 50/50 entre as duas vias.
A multiplicidade de soluções técnicas inovadoras é impressionante. A viatura personifica, toda ela, um novo conceito. A suspensão dianteira é de dois triângulos com eixo de direção semivirtual, de modo a tornar o ângulo de suspensão mais controlável e obter óptima aderência ao piso. As duas ligações inferiores criam um movimento de ‘tesoura’ que gera uma sensação linear em todas as condições, com uma relação de desmultiplicação recorde (inferior a 12:1). Na via traseira é utilizado o novo esquema Alfalink, sistema de quatro braços e meio, que se torna rígido a curvar, mas flexível longitudinalmente. Ambas as soluções são “Made in Alfa Romeo”.

 

 

O que o Giulia e o Quadrifoglio partilham

Para criar versões superdesportivas, quase todos os fabricantes enriquecem o modelo de base, frequentemente modificando elementos estruturais para melhorar o peso e a performance. Estas viaturas são então produzidas em linhas separadas e, em muitos casos, por terceiros. O Giulia, porém, deriva directamente do Quadrifoglio e não só esteticamente. Ambos os veículos partilham a arquitectura, os materiais leves, a maior parte da mecânica e até mesmo a linha de montagem em Cassino. O resultado é único no sector. Cada Giulia, logo a começar pelas motorizações mais baixas, tem a mesma distribuição de peso entre dianteira e traseira, a mesma rigidez de torção, os mesmos sistemas de direção e suspensão que as versões desportivas de topo.

Stelvio: o primeiro Alfa Romeo que também é um SUV

A plataforma Giorgio não foi criada só para o Giulia. Tinha chegado a altura de também a Alfa Romeo dar provas no segmento dos Veículos Utilitários Desportivos, a área mais dinâmica e inovadora de todas. E assim, em fevereiro de 2017, foi lançado o Stelvio, o primeiro SUV na história da marca. O desafio não tinha sido fácil. Construir um Alfa capaz de evoluir com agilidade tanto em neve como em pisos de terra, sem perder nada em termos de performance, estabilidade e comportamento dinâmico. Por outras palavras, um SUV que pudesse ser conduzido como uma berlina desportiva. Em relação ao Giulia, a distância ao solo é mais alta, tal como a posição de condução. Tem mais espaço disponível para passageiros e bagagem. O curso da suspensão é mais longo, de maneira a assegurar uma correcta distância ao solo tanto em terra como em asfalto. Para aumentar a estabilidade, também as vias são ligeiramente mais largas. Mas a arquitectura e a mecânica permanecem iguais, assim como a gama de motorizações e os sistemas electrónicos. O resultado é uma viatura com alma Alfa Romeo num corpo de SUV. Uma combinação que ninguém esperava e que gerou experiências de condução verdadeiramente únicas.

Ao longo dos últimos cinco anos, o Giulia e o Stelvio tornaram-se os modelos da Alfa Romeo mais premiados de sempre, c0m 170 títulos internacionais – atribuídos pela imprensa especializada e meios de comunicação generalistas, votados por júris de peritos ou directamente por clientes, dedicados tanto à inovação como ao estilo. A começar pelo “Eurocarbody of the Year” em 2016 para o melhor projecto de arquitectura de um veículo, e continuando com a crescente colecção de prémios com todo o género de motivações. As vitrinas dos prémios estão cheias, mas os galardões continuam a chegar, como o de “Performance Car of the Year 2020” que o júri especializado da revista “What Car?” atribuiu ao Giulia Quadrifoglio pelo terceiro ano consecutivo, depois de o ter comparado com automóveis desportivos de todos os segmentos do mercado. Com uma motivação oficial que é, com toda a legitimidade, fonte de orgulho para os projectistas da Alfa Romeo. Um veículo de altas performances que também pode ser conduzido no dia-a-dia”.

Estórias da História da Alfa Romeo – Conclusão