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A conquista de mercados na América Latina e região Asia-Pacífico, além do reforço da liderança europeia que dura desde 1998, fazem parte dos planos da nova equipa.

Numa altura em que os automóveis de passageiros evidenciam vitalidade no ciclo de modelos e versões, a Renault prepara a ‘globalização’ dos ligeiros de mercadorias e passageiros. Com os novos modelos, a marca que lidera os ‘comerciais’ nos mercados europeus há 20 anos, pretende chegar a novos mercados, consolidar as actuais presenças e entrar em novos segmentos. Para concretizar estes objectivos e com base em factores exógenos, existem dois pilares essenciais: até 2030 o crescimento da população urbana está estimado nos 60%; as necessidades de transporte podem quadriplicar até 2050. Se analisarmos os dados de 2017, aferimos que o mercado global de “vans” atingiu os 5,4 milhões de unidades, ou seja um crecimento de 39% face ao parque circulante de 2005. Por um lado, todos estes números apontam para um aumento da massa crítica nos mercados e respectivas necessidades. No entanto, no reverso da medalha, não podemos esquecer as questões ambientais, as restrições à circulação e a crescente exigência por parte dos clientes.

 

Do losango ao globo

Passar da liderança europeia à mundial é uma das ambições da nova equipa, e da nova liderança. Para o actual presidente da unidade de negócio LCV da Aliança Renault-Nissan: Em termos de vendas, 2018 foi o melhor de sempre para o negócio dos ‘comerciais’ (ligeiros de mercadorias/passageiros) com um aumento de vendas de 34% face a 2017. Em 2019 continuaremos a renovação da gama, para responder às expectativas dos nossos clientes e, através da Renault Pro +, continuaremos a desenvolver e refinar as soluções para apoiar os negócios dos nossos clientes, sublinhou Denis Le Vot.

 

O EZ-Flex é um modelo de estudo para avaliar as novas tendências. Com motorização eléctrica, tem cabina modular e carroçaria intermutável

Do lado mais prático da coisa e com a Pro + a celebrar uma década de actividade, procurámos saber com que meios pretendem transformar a liderança europeia em global. E para isso, contam com uma estratégia, cuja análise indica três vectores: um é o negócio na China; o outro é o protótipo EZ-Flex; enquanto terceiro consiste nas sinergias da Aliança. Para o mercado chinês a ambição aponta para a liderança, através da RBJAC – Renault Brilliance Jinbei Automotive Company. Constituída em 2017, resultou da união entre o Grupo Renault e a Brilliance, que trabalham em conjunto no segmento dos furgões (pequenos, médios e pesados) distribuíndo três marcas: a Renault, a Jinbei e a Huasong, com todas estas a terem versões eléctricas. No que diz respeito ao protótipo EZ-Flex, este é mais um estudo de soluções do que uma proposta de veículo para o futuro. A modularidade da carroçaria, responde a muitas questões pertinentes, em especial sobre as necessidades da distribuição urbana de proximidade, algo que está a criar uma massa crítica significativa, por um lado devido às crescentes restrições municipais, enquanto por outro, o custo/kg e o custo/km definem refinados e exigentes padrões de rentabilidade. A existência de uma motorização eléctrica, uma cabina modulável, um painel informativo, e uma carroçaria modular e intermutável, podem dar preciosas indicações sobre o que serão os ‘comerciais’ do futuro.

 

Em terceiro e não menos importante, as sinergias entre as Renault, Nissan e Mitsubishi, que resultam da criação (2017) da Alliance LCV Business Unit, permitem alocar a produção, partilhar soluções e tecnologias, e definir modelos/versões adaptadas às funções e aos mercados. Para um futuro próximo e com produção a partir de Maubeuge, veremos os novos Kangoo/Nissan NV 250 – que assim ditam o final da cooperação com a Daimler. Da unidade de Sandouville, sairão os novos furgões Mitsubishi sob a plataforma do Trafic, e outra das novidades é o renovado Master que, desta vez, terá clarificação plena sobre quem comercializa, ou seja a Renault Pro +. Com o novo Kangoo ZE agendado para 2020, a Renault procura a consolidação de outra liderança europeia, que tem a ver com os ‘comerciais’ eléctricos. Com números do ano transacto e contando com o sucesso do Kangoo ZE, a Renault conseguiu uma quota de mercado de 46,2% através de 8.764 unidades vendidas.

 

Em termos de novidades à volta do produto, estas dividem-se entre os Trafic e Master, agora reposicionados no tocante aos sub-segmentos a que se destinam. Parte desta redefinição tem a ver com os WLTP/Euro 6 D-temp que levou a apresentar dois novos motores. Para o Master e a juntar-se à escolha ZE com motor de 57 kW (já conhecidos dos Kangoo e ZOE) o 2.3 Dci de 180 cv, enquanto no Trafic, ao novo 2.0 Dci de 120 a 170 cv juntam-se as transmissões automatizadas EDC6. Nas frentes, os “led” evidenciam os novos grupos ópticos e as redesenhadas grelhas. Nas cabinas, o Master é agora apresentado com mais espaços de arrumos, totalizando 105 litros de capacidade e sem aproveitar o espaço sob o banco do(s) passageiro(s). Ainda do lado direito, existe agora uma gaveta (10,5 litros) em vez do tradicioanl porta-luvas e por cima desta uma plataforma que facilmente se encaixa no painel. No Trafic, a volumetria de arrumos chega aos 90 litros e, neste caso, aproveitam o espaço sob o(s) banco(s) do passageiro(s) nas escolhas de dois ou três lugares nas cabinas. No entanto, no caso do Trafic, a chegada da nova motorização e um nível de acabamento/equipamento interiores, podem abrir as portas a um sub-segmento de mercado no transporte de passageiros, em especial numa área que tem sido um feudo dos alemães.

 

Com uma nova equipa, uma nova liderança e uma nova forma de comunicar, a Renault encara o futuro contando com os pilares essenciais, tais como os Kangoo, Trafic e Master. No entanto, também contam com produtos de nicho, como acontece com as “pick-up” mesmo que estas estejam fora das contas, quando se contabilizam as vendas para a liderança. A par das exigências ambientais, a segurança activa e passiva também fazem parte dos novos ‘comerciais’, onde também se encontram os mais recentes sistemas e dispositivos de apoio à condução e conectividade. Neste caso, se a modernidade está garantida, há que esperar pelo futuro, para o qual já existem soluções.