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volante-e-painelNas redes sociais circula um vídeo sobre pessoas à espera de um transporte individual. Chega o automóvel eléctrico e, quando no interior, as pessoas são confrontadas com a inexistência de condutor. Ao mesmo tempo que uma voz pergunta para onde pretendem ir, a janela transforma-se em visor táctil, e o passageiro só tem que clicar no destino, ao longo de uma linha pré-determinada. A visão futurística preconiza esta solução para 2030, a menos de duas décadas. Se recuarmos no tempo – duas décadas – poucos acreditavam que um conjunto de 40 toneladas, poderia consumir menos de 40 litros/100 km. Nos nossos dias, isso é possível e cumprindo com o Euro 6, que levou os construtores a reduzirem as emissões poluentes e alargarem os prazos das manutenções programadas.

conectividade-camiao-cidadePor outro lado, os custos operacionais, passaram a ser muito mais controlados. E parte desse controlo, decorre de uma natural evolução. O que começou por ser uma instalação eléctrica, evoluiu para a gestão electrónica. Com o suporte dos satélites, radares e centralinas, passou-se à conectividade. Todavia, como são as coisas simples que contam, tudo se resume à rentabilidade e eficiência. Para um dos executivos da Bosch ligado ao desenvolvimento das tecnologias em motores, o futuro no transporte pesado está nos Diesel, mediante alargamento da assistência eléctrica a alguns agregados mecânicos, como as bombas de água e óleo e, consoante aplicações e superestruturas, será mais comum a utilização de sistemas híbridos, adiantou Helmut Weißbeck.

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O maior investimento inicial em sistemas, concede ganhos na eficiência do transporte e gestão de mercadorias

Reduzir e gerir

Além das reduções nos custos operacionais e consumos de combustível, a forma como os camiões se deslocam, também pode ser alvo de melhorias. A circulação em fila ordenada, poderá ser uma solução que, naturalmente, obriga a que cada camião esteja equipado com acelerador automático adaptativo, navegação, conectividade, radares e um conjunto de sensores. Todos estes representam um custo adicional na aquisição do veículo, a amortizar durante a utilização, que se espera mais eficiente. Mediante estes sistemas, torna-se possível saber o trajecto do camião e as naturais tendências de tráfego, tempos de trajecto e gestão das cargas/descargas. Através destes dados, será possível minimizar os trajectos em vazio, e gerir outra situação igualmente importante e que tem a ver com os roubos.

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Na Europa, os roubos em camiões estacionados, chegam aos 16 biliões de euros

Na Europa e por ano, os roubos de mercadorias em camiões estacionados, atingem os 16 biliões de euros. Para mitigar este problema a Bosch propõe para 2017, o “TraQ” que permite a expedidores, transportadores e clientes finais, a partilha da mesma plataforma e saibam onde está a mercadoria ou palete. Este seguimento das mercadorias, também concede a possibilidade de saber as temperaturas no transporte. É evidente que alguns destes sistemas já estão no mercado há alguns anos, mas hipótese de partilha, abre as portas a um outro tipo de controlo e gestão da mercadorias. E tudo isto pode significar uma redução nos custos dos seguros, tanto dos veículos como das mercadorias, algo que neste momento pode chegar a ocupar uma quota de 10% nos custos operacionais, aos quais se junta 30% relativos aos motoristas e quase outro tanto para combustível.

camioes-em-filaVision X e estacionamento

Outra das soluções preconizadas pela Bosch tem a ver com a uniformização do posto de ccondução, com o objectivo de o tornar mais intuitivo para quem conduz e utiliza os diversos sistemas. Isto significa que os camiões se tornem mais fáceis de conduzir, mas também é preciso evoluir na envolvente externa. A título de exemplo, na actualidade, existe um défice de lugares de estacionamento para camiões. Na Alemanha, este número ronda os 21.000 lugares em falta, daí que uma das soluções apontem para a utilização de uma plataforma “online” que permita a melhor gestão dos lugares disponíveis nos parques. Por outras palavras, se pensarmos em todos estes sistemas e vision-xno advento da condução autónoma vir a ser uma realidade europeia, quem estiver dentro de um camião no futuro, tornar-se-á menos motorista e mais operador logístico. Se as empresas de transporte serão capazes de responder a esta evolução, e se os governantes se conseguem adaptar às realidades de um forma pró-activa, mediante regulamentação equitativa e eficaz fiscalização, serão outras questões. Do lado da Bosch, as soluções de futuro estão aí, mesmo quando o futuro está a meses de acontecer.