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Feita como uma arma, ligeira como uma bala e com preços canhão

O início da actividade industrial remonta a 1851, quando George Townsend começou a fazer agulhas para máquinas de costura e peças para armas. Em 1882 começaram a fazer selins e garfos para bicicleta, e quatro anos depois saíam as primeiras bicicletas, vendidas como Townsend e Ecossais. Em 1893 e com mais um sócio (Albert Eadie) foi constituída a Enfield Manufacturing Company Ltd com sede em Birmingham e de lá saíram as primeiras bicicletas Royal Enfield. Em 1899 construíram o primeiro quadriciclo – juntando dois quadros de bicicleta e um motor Dion. Com motor Minerva de 239 cc em 1901 apareceu a primeira moto Royal Enfield. Em 1910 e recorrendo a motores suíços, a marca inglesa começou por utilizar um 344 cc e depois um 770 cc numa moto com sidecar. Com o eclodir da I Guerra Mundial, a Royal Enfield tornou-se forncedor dos exércitos britânico e russo, com motos equipadas com motores próprios. Com o fim da guerra, desenvolveram novos motores e foram pioneiros no desenvolvimento das suspensões dianteiras com mola central. Durante a II Guerra Mundial voltaram a fornecer os militares, que desta vez tinha uma exigência muito especial: a de fornecerem uma moto capaz de ser ‘largada’ em conjunto com os paraquedistas.

 

O fornecimento a militares foi um dos pilares de crescimento da marca

Com o fim da guerra a Royal Enfield concentrou a produção nas 350 e 500 cc, dotadas de quadro rígido e suspensão telescópica na frente. Depois de recondicionados, os modelos militares também fizeram parte das motos para venda. A partir de 1948 as motos passam a ter suspensão traseira, e aparece o mais icónico dos modelos da Royal Enfield: a Bullet 350. Pouco tempo depois apareceu uma versão 500 cc e, no final da década de 50, a produção foi transferida para a India, onde ainda hoje se fabrica. Daqui nasceu o lema da marca: Feita como uma arma, ligeira como uma bala. Na década de 60 sucederam-se os modelos, por um lado para fazerem frente a ofensiva de modelos japoneses, enquanto por outro lado tentavam a conquista do mercado americano. Todavia, alguns problemas de fornecimento ditaram o destino da marca. Nem os sucessos na competição, nem o motor Villiers a 2T evitaram o desaire.

 

A Bullet que se encontra em produção há quase seis décadas e uma vasta gama de acessórios e vestuário, ajudam a reviver o espírito Royal Enfield.

Na India, a Bullet foi-se tornando um sucesso cada vez maior, em especial por o modelo sido escolhido para fornecer a polícia e os militares. Com sede em Madras (agora Chennai) foi criada a Enfield India, que começou a exportar para os Estados Unidos, África do Sul e Austrália. A exportação serviu para elevar o nível de exigência, e assim apareceram a injecção de combustível, a dupla ignição e até a exportação para a Europa, na qual vigora o Euro 4. Com distribuição ibérica e através da Luzeiro, a Royal Enfield também já chegou a Portugal e com preços a rondar os 5.000 €. É caso para dizer que as motos têm um preço canhão.

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