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Em Março e Abril deste ano, a PRP efectuou um estudo que abordou a utilização do telemóvel no automóvel.

Estudo da Prevenção Rodoviária Portuguesa revela a excessiva utilização do telemóvel por parte dos condutores portugueses. Durante os meses de Março e Abril de 2017, no Concelho de Lisboa, a Prevenção Rodoviária Portuguesa realizou um novo estudo observacional com mais de 5.600 observações, com o objectivo de estimar a percentagem de condutores que utilizam o telemóvel enquanto conduzem. As observações incidiram sobre condutores em veículos em movimento (3.378) e condutores em veículos parados na sinalização semafórica (2.260).

Os resultados mostraram que 7,7% dos condutores de veículos observados em movimento estavam a utilizar o telemóvel: 3,3% a falar em alta-voz/a usar auriculares, 2,7% a consultar o telemóvel (a ler/escrever mensagens/emails, consultar a internet/redes sociais) e 1,8% a falar ao telemóvel na mão. Nos condutores parados na sinalização semafórica, destacaram-se os que estavam a consultar o telemóvel, cuja percentagem foi de 7,3% – quase 3 vezes superior à observada nos veículos em movimento. Este comportamento constitui uma infracção grave e prejudica o fluxo do trânsito. Foram ainda observados 5,2% de condutores a falar em alta-voz/a usar auriculares e 1,9% a falar ao telemóvel na mão. Considerando as três actividades, conclui-se que 13,7% dos condutores de veículos parados na sinalização semafórica, estavam distraídos com o telemóvel.

 

 

O facto de pararem nos semáforos, não inibe alguns condutores da utilização excessiva do telemóvel.

Estes dados não significam que 7,7% dos condutores utilizam o telemóvel enquanto conduzem, ou que 13,7% o utilizam quando param num semáforo, mas sim que essas são as percentagens de condutores que, em cada momento, o estão a utilizar. Isto é, na cidade de Lisboa, em cada milhão de condutores estão, em permanência, 77.000 condutores a utilizar o telemóvel enquanto conduzem e 137.000 enquanto estão parados nos semáforos. Para além dos condutores observados a utilizar o telemóvel, existe uma elevada percentagem de condutores que incorrem neste comportamento mas que no momento da observação não o estavam a fazer. De acordo com o estudo internacional ESRA, do qual a PRP faz parte, entre os condutores portugueses, 45,9% declaram ter falado com telemóvel na mão, 60% admite recorrer ao sistema mãos-livres, 44,5% leram mensagens ou e-mails e 27,6% enviaram mensagens ou e-mails durante a condução, o que coloca Portugal acima da média dos países europeus em todos estes comportamentos.

 

Durante o mês de Março, os resultados lisboetas, estiveram em linha com os obtidos em França.

Os resultados da cidade de Lisboa estão em linha com os resultados obtidos num estudo observacional desenvolvido durante o mês de Março, em França, que incluiu a observação de 16.985 condutores dentro das localidades. Por terras gaulesas, 12,7% dos condutores observados parados no trânsito e 6,9% dos condutores de veículos em movimento estavam a utilizar o telemóvel.

É de salientar que os condutores que se deslocam sozinhos no automóvel (mais de 2/3 do total) apresentam taxas de utilização 5 vezes maiores do que os que se deslocam acompanhados, quando em andamento, e quase 4 vezes maiores quando parados nos semáforos. Destacam-se ainda as elevadas taxas de utilização no grupo etário de condutores mais jovens, sobretudo a consultar o telemóvel (situação mais grave) e a falar com o telemóvel na mão. Como era expectável, os condutores mais velhos (> 60 anos) são os que menos utilizam o telemóvel em todas as situações. Finalmente, de notar que são os condutores do sexo feminino que utilizam o telemóvel com mais frequência enquanto conduzem, quer com o telemóvel na mão quer com recurso ao sistema mãos-livres.  Para José Miguel Trigoso, presidente da Prevenção Rodoviária Portuguesa: a distracção durante a condução é uma ameaça séria e crescente para a segurança rodoviária. A distracção provocada pela utilização do telemóvel compromete o desempenho do condutor e leva a um aumento do risco de acidente. A utilização de sistemas mãos-livres, apesar de legal, não tem vantagens significativas em relação a falar com o telemóvel na mão, uma vez que a distracção cognitiva que provoca (o tipo de distracção que mais influencia negativamente a condução) é semelhante à provocada por falar com o telemóvel na mão. O manuseamento do telemóvel para escrever/ler mensagens ou “e-mails”, consultar informação na “internet”, interagir nas redes sociais, consultar agendas ou outra informação, tem um impacto ainda maior na segurança rodoviária. Para além da distracção cognitiva associada (semelhante a falar ao telemóvel), o condutor passa longos períodos sem olhar para a estrada,o que aumenta o risco de acidente.