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Quando se fala em transporte, é necessário contabilizar todos os modos além do rodoviário, tais como os aéreo, ferroviário, marítimo e fluvial.

O aquecimento global pode ter consequências desastrosas para o meio ambiente e a humanidade. E o transporte representa uma importante contribuição para as emissões de CO2 que o provocam.  Não existe uma solução única para alcançar uma mobilidade sustentável, nem em termos das fontes de energia, nem nos sistemas de propulsão. E há que considerar toda a cadeia energética, desde a produção e armazenamento até à sua conversão em energia cinética. O desafio é conseguir uma proteção total do clima, mantendo a mobilidade como base do desenvolvimento social e económico. Nos vinte pontos seguintes, esta problemática é abordada com diferentes dados e pontos de vista, que lançam alguma luz sobre o futuro da mobilidade e da geração de energia.

1. Cerca de 70% das emissões globais de CO2 devem-se à combustão de combustíveis fósseis, e o sector dos transportes representa praticamente um quarto desse valor.

2. O CO2 é o principal responsável pelo aquecimento global, uma das grandes ameaças que a Terra enfrenta. Segundo várias estimativas, no ano 2100, a temperatura média do planeta aumentará 5º centígrados, com consequências desastrosas para o meio ambiente e a humanidade.

3. Na Schaeffler acreditamos que esse aumento pode ser reduzido em 3º centígrados, caso se concebam e apliquem todas as tecnologias ao nosso alcance para mitigar o aquecimento global.

4. Se o volume de produção de automóveis continuar a aumentar ao ritmo atual, em 2050 serão produzidos 120 milhões de automóveis. Segundo um estudo da Shell, existirão 2.000 milhões de automóveis a circular no mundo.

5. 80% dos automóveis que se comercializem nesse ano funcionarão com uma propulsão totalmente eléctrica (eléctricos puros e FCEV a hidrogénio), 16% serão híbridos, e apenas 4% terão motor de combustão.

6. Se tivermos em conta o parque automóvel mundial do ano 2050, 9% dos automóveis montarão um motor de combustão, 25% serão híbridos e 66% eléctricos ou a hidrogénio.

7. Graças à electrificação e aos avanços tecnológicos, as emissões globais dos automóveis passarão das actuais 3,7 gigatoneladas para 1,2 gigatoneladas no ano 2050.

8. 85% dessas emissões serão produzidas nas cidades, que aglutinarão 50% da população mundial em somente 2% do espaço disponível no planeta. É por este motivo que é tão importante a concepção de soluções e tecnologias para tornar mais eficiente a mobilidade urbana.

9. Na perspetiva da Schaeffiler, os veículos elétricos podem satisfazer, essencialmente, as necessidades de mobilidade individual das pessoas em áreas urbanas”, afirma Peter Pleus, CEO da Schaeffler Automotive. Os veículos Schaeffler Mover e Schaeffler BioHybrid foram concebidos para este fim.

10. Atacando apenas as emissões locais não se resolverá o aquecimento global. A mobilidade do amanhã só pode ser sustentável quando se considera toda a cadeia energia. A isto se chama ‘well-to-wheel’ (da produção à sua utilização), e assim é possível investigar a quantidade de emissões de CO2 que se produzem em toda a cadeia: desde a produção e armazenamento de energia, até à sua conversão em energia cinética. A Schaeffler está numa posição privilegiada nesta matéria, pois fabrica desde turbinas eólicas a sistemas de propulsão.

11. Segundo os cálculos realizados pela Schaeffler, ainda assim, um veículo elétrico emite até 65% da quantidade de CO2 de um veículo comparável equipado com um motor a gasolina, segundo a combinação de geração de eletricidade atual no seio da União Europeia.

12. Caso as baterias desse veículo eléctrico fossem carregadas com electricidade gerada na sua totalidade por fontes renováveis, as suas emissões de CO2 ficariam a apenas 3% das de um veículo convencional.

13. Mas o objetivo de gerar 100% de energia livre de CO2 não se vai conseguir alcançar nas três próximas décadas. Segundo dados da IEA, em 2017, produziram-se em todo o mundo 25 000 TWh de eletricidade, mais de 75% a partir de fontes convencionais. As previsões para o ano 2050 apontam para que se dobre este valor para 50 000 TWh, cerca de um terço dos quais provirão de energias renováveis.

14. Outro dos desafios da electrificação da mobilidade é o armazenamento da energia. A construção das baterias, com a tecnologia actual, depende do fornecimento de lítio e cobalto. Segundo as estimativas de produção de automóveis eléctricos e híbridos, e de outros dispositivos que empregam baterias, as actuais reservas de cobalto esgotar-se-ão no ano 2039; e as de lítio no ano 2047.

15. As baterias têm, atualmente, outro inconveniente: o seu preço. O custo médio de um automóvel convencional é de 28.000 dólares, e, para que um automóvel eléctrico possa competir com esse preço, o custo das baterias tem que cair 67% na próxima década. Actualmente, cerca de 45% do custo de um veículo eléctrico corresponde ao sistema de baterias; valor a reduzir para 20%.

16. Outro sistema de armazenamento de energia é o hidrogénio, e na Schaeffler investiga-se para obter a máxima eficiência de uma pilha de combustível, por exemplo, mediante o revestimento das chamadas “placas bipolares” que se encontram no seu núcleo.

17. Desvantagem importante da tecnologia do hidrogénio é a actual ausência de infra-estrutura para o reabastecimento do hidrogénio, um requisito prévio para a implementação desta tecnologia. O país com mais estações de reabastecimento públicas de hidrogénio é o Japão, com 91; seguido da Alemanha (45) e dos Estados Unidos (40). Em Espanha existem quatro que permitem acesso público.

18. Outra solução que pode contribuir com o seu grão de areia para a redução das emissões globais da mobilidade são o gás e o combustível líquido sintéticos, que poderão ser fabricados recorrendo-se a energia obtida a partir de fontes renováveis. Mediante determinados requisitos, os combustíveis feitos sob medida daí resultantes podem ter um CO2 neutro em toda a cadeia de energia, e estar disponíveis na rede de estações de serviço para alimentar os motores de combustão interna dos veículos.

19. O futuro dos motores de combustão interna também estará ligado à sua optimização tecnológica, e à sua combinação com um motor eléctrico para integraren um sistema de propulsão híbrido, seja de alta voltagem ou de 48 Volt.

20. A hibridização de 48 Volt permite uma redução das emissões com um baixo custo de integração, desde 6,6% no nível 0, até 24% no nível 4.