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Uma visão do futuro

 


gama azulQuando o Daily apareceu (1978) a procura do modelo era essencialmente efectuada por transportadores, que já eram clientes da marca nos pesados. Aliás, numa das evoluções do Daily, para além da intervenção do designer Giugiaro, os italianos adoptaram a designação do camião da cidade “City Truck”. Desta vez, a assinatura de marca, apela a valores subjectivos: Strong by Nature ou seja Forte por Natureza. No entanto, ao analisar as potencialidades, percebemos o abstracto do tema e a subtileza do título. Aliás, é com este espírito que lhe propomos um desafio! Consegue encontrar algumas semelhanças estilísticas entre a frente do novo Daily (grupos ópticos, grelha, capot e pára-choques) e a dianteira de um conhecido SUV?

 

visor

O refinamento interior é um dos pontos de destaque no novo Daily. Além da gestão de espaço, a informação foi melhorada

A sexta geração do Daily é uma das novidades do mercado. O desenho do chassis foi modificado a pensar nos ganhos de carga útil e funcionalidades. As configurações, disponibilizam novas distâncias entre-eixos e volumetrias mais modulares… e um furgão com quase 20 m³. As cabinas, foram actualizadas de modo a que exista a “net” sobre rodas, enquanto nas motorizações, o novo Daily é apresentado com uma panóplia de soluções, que servem os mais variados propósitos, incluíndo os do Euro 6.

Um outro desafio que lhe propomos, consiste na procura do opcional que mais lhe agrada, dentre uma lista de 200 referências, na qual se destacam o visor de 7” e o suporte para “tablet”. Debaixo do capot, os italianos concedem a escolha entre o Diesel, Watt, Otto ou a solução híbrida. E por fim mas não menos importante, os italianos acertaram em cheio, ao adoptar a nova transmissão automática de oito relações. Gostámos e muito, em especial quando comparada com a manual de seis relações.

Automação e eficiência

9 lug minibus

As melhorias de qualidade foram essencialmente aplicadas a agregados mecânicos que não se encontram à vista

Entre a produção e comercialização, a ponte continua a ser efectuada pela rede de importadores e concessionários, à qual os italianos continuam a dar capital importância, com a gestão de “stocks” a ser efectuada pelos segundos, para assim poderem entregar, de imediato, os veículos chave na mão e prontos a rentabilizar o investimento. Para as restantes situações, os italianos continuam a consignar três semanas de entrega, a partir do momento da encomenda. Por outras palavras, não existem alterações de prazos face ao anterior modelo. Por um lado é verdade que o novo Daily tem mais referências e agregados mecânicos para montar. No entanto, por outro lado, a automação e o incremento da eficiência, permitem ganhar tempo. No tocante à qualidade percebida, demos conta de uma melhoria significativa, essencialmente nos chassis e carroçarias. Já nos materiais compósitos (vulgo plásticos) não demos conta de evolução na qualidade. No entanto, em bom rigor e face a outras propostas do mercado, não demos conta que existam diferenças, mesmo considerando todas as propostas no universo dos ligeiros de mercadorias e passageiros. Quer na qualidade dos compósitos, como na finalização.

A prever o futuro

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Nas motorizações e transmissões, as diversas escolhas continuam a ser um dos argumentos do Daily

Entre outras alterações, destacam-se: a adopção de um alternador que consome menos energia do motor, uma função Eco na utilização dos motores de combustão interna, sendo que no eléctrico o Daily fica limitado a 50 km/h em vez dos 80 km/h de velocidade máxima, conseguida no modo potência. No pós-tratamento dos gases de escape, o reposicionamento do filtro de partículas, um novo catalisador agregado à recirculação de gases de escape e a injecção de Ureia, garantem o enquadramento normativo.

 

Apostar nas alternativas

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O projecto inicial da motorização eléctrica data de 1986, mas desta vez as soluções tecnológicas são diferentes

Ao falarmos de ligeiros e pesados de mercadorias e passageiros, é por demais evidente que o Diesel continua a ser a primeira escolha. No entanto, as soluções alternativas abundam, e são (mais) levadas a sério pelos construtores, ainda que persista um problema! Nas entidades decisoras, continuam a coexistir, as soluções técnicas e as outras, e nestas últimas reside o busílis da coisa.
De qualquer das formas, os italianos avançam com três propostas alternativas, apesar de os conceitos já serem conhecidos há algum tempo. No entanto e face ao gasóleo, só agora avançam com dados concretos sobre as vantagens do gás natural. De acordo com os transalpinos, no gás natural e para além do custo/litro, a redução de partículas quase as elimina, o Nox reduz-se a metade, e o motor é mais silencioso (- 5dbA).

Todavia, agora a Iveco estende esta solução aos furgões e chassis-cabina, e permite soluções de potência e autonomia em função do número de baterias modulares. As baterias, recicláveis, usam a tecnologia SNC – Sódio, Níquel, Cloreto, ou seja a mesma tecnologia utilizada nas unidades estacionárias e locomotivas.
Por fim mas não menos importante, a Iveco propõe a solução híbrida, na qual avança com poupanças de combustível na ordem dos 30%. A solução híbrida (gasóleo+eléctrico) permite ainda aplicar um motor a gasóleo de menor cilindrada, ao qual se junta o Start&Stop.

Desafios ao volante

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O refinamento na condução e o conforto de rolamento, são dois dos pontos que destacamos no novo Daily

Como não há duas sem três, cá vai mais um desafio. Imagine uma pista de aviação a perder de vista. Imagine que lhe vendam os olhos e o colocam ao volante do novo Daily e com carga. Acha-se capaz de identificar se está conduzir um furgão ou um chassis-cabina? Da nossa parte e apesar de não termos feito o teste, achamos que difícilmente conseguiríamos distinguir.
A justificação é simples! Com as novas distâncias entre-eixos, novas distâncias entre a traseira e o eixo posterior, os rodados duplos ou simples, e as suspensões dianteiras “Quad- Tor” e “Quad-Leaf” para as versões pesadas e ligeiras do novo Daily, a estabilidade dinâmica e o refinamento da condução, concedem um equilíbrio dinâmico que consideramos muito bom.
Outra das características que apreciámos no novo Daily, tem a ver com a manobrabilidade. Dotado de um volante (- 20 mm) mais pequeno, de vários ajustes no lugar de quem conduz e um pára-brisas (+ 40 mm) mais alto, a condução é mais fácil e mesmo na nova versão de 7,2 T de peso bruto, a condução é muito aligeirada.

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Além das múltiplas soluções cinemáticas o Daily concede múltiplas configurações em chassis-cabina e furgão

No tocante ao conforto de rolamento, ficámos agradavelmente surpresos pelo desempenho das várias versões que conduzimos.
A eléctrica é mais ruidosa do que estávamos à espera, mas também não esperávamos que a regeneração da energia fosse tão eficiente. Na versão a gás natural, demos conta de um veículo mais silencioso e que pode ser uma séria alternativa. No híbrido conduzimos pouco, mas ficámos com a ideia de que a economia de combustível pode ser significativa. Todavia, será preciso confrontar os custos de aquisição e manutenção com os de utilização.
Nos Diesel e num breve contacto ao volante, demos menos atenção ao motor e mais à nova transmissão (ZF) automática de oito relações. A suavidade de funcionamento, o bom escalonamento, e a perfeita conjugação com os valores de potência e binário, tornam a condução do novo Daily numa tarefa fácil de executar e agradável de usufruir.