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Electricidade dinâmica

Clicar para começar e parar a reprodução das imagensAté meados de 2015 aparecerá a nova “pick-up” e até lá, a Primastar sai da gama da LMP da Nissan. Como alternativa à versão Diesel, a marca japonesa comercializa o e-NV 200 que concede algumas diferenças face à versão convencional. Logo na aquisição, poderão existir surpresas consoante mercados, que de comum terão custos de utilização e manutenção mais competitivos face à versão convencional. No comportamento dinâmico, um centro de gravidade mais baixo faz toda a diferença neste Nissan em que a electricidade é utilizada de forma dinâmica.


Investir em soluções

A propulsão eléctrica ainda está longe de estar plenamente integrada nos conceitos de mobilidade. Se olharmos para o território europeu, poucas são as cidades com conceitos de mobilidade, ou que a estes tenham associados, uma política de co-existência, norteada por princípios pacíficos ou saudável convivialidade. Por outras palavras, estamos longe de conseguir: o caos organizado dos dinamarqueses; a racional eficiência dos alemães; ou a organização partilhada pelos franceses. Copenhagen, Munique e Lyon são três exemplos distintos do que acontece em Lisboa, local onde se impede a circulação de automóveis anteriores a 1992 ou 1996, mas se autoriza livre circulação de triciclos a dois tempos, altamente poluentes e incomodativos, tanto pelo pivete que largam como pelo barulho que fazem. A dificuldade na obtenção nos cartões para carregamento, encontrar postos de abastecimento que estejam livres ou a funcionar, completam o ramalhete de dificuldades para quem opta por um veículo eléctrico. No reverso da medalha e quando comparados com os Diesel, os eléctricos, levam vantagem nos custos de utilização, por vezes são menos dispendiosos dos que os Diesel, sendo os custos de manutenção mais baixos.

A evolução eléctrica

Com base no modelo que foi Furgão do Ano Internacional em 2010, este International Van of the Year evoluiu para uma versão eléctrica, designada por e-NV 200. É evidente que continuamos a ter a questão da autonomia, que leva a restrições em alguns serviços ou distâncias. No entanto, as utilizações diárias do automóvel, resultam muitas das vezes em sub-aproveitamentos. Por um lado, muitas das vezes utilizamos apenas um dos cinco lugares do automóvel de passageiros particular, enquanto por outro, nos ligeiros de mercadorias/passageiros, efectuamos quilometragens curtas – em muitos dos casos por ineficácia do transporte público.
Em termos energéticos, este Nissan pode dar resposta eficaz em qualquer uma destas situações! Se por um lado consideramos a utilização do Evalia para trajectos entre os 120 a 170 quilómetros, ou se pensarmos no furgão para distribuições urbanas dentro destes raios de acção.
Durante a apresentação em Barcelona, tivémos oportunidade de conduzir as duas versões: o furgão parcialmente carregado, ocupando parte dos 4,2 m³ com 250 kg de carga; e o Evalia de cinco lugares e 2,27 m³ onde cabem muitas malas, e três biclas BTT 27,5 desde que se rebatam os assentos traseiros.

Autonomia e distâncias

Nos trajectos que tivémos oportunidade de efectuar, os consumos energéticos foram diferenciados pelas velocidades médias e acidentado do percurso. Num primeiro percurso urbano, o Evalia consumiu 43 km de autonomia quando na realidade efectuámos 53 km. No percurso em via-rápida no qual são praticamente inexistentes as desacelerações e travagens, que ajudam à regeneração das baterias, gastámos 47 km de autonomia para uma distância de 36 km.
No furgão a situação foi diferente e causou-nos alguma surpresa. É certo que a carga transportada (250 kg) é uma carga parcial, já que o valor de carga útil chega aos 770 kg. Todavia, esta carga serviu também como inércia, podendo-se desacelerar muito mais cedo e portanto regenerar as baterias de ião de lítio, colocadas junto ao separador entre o habitáculo e compartimento de carga. Num trajecto misto (urbano+via-rápida) para um gasto de 29 km de autonomia, percorremos 41 km de trajecto, e neste como nos outros trajectos, as únicas limitações que tivémos foram as impostas pelos radares e placas sinalizadoras.
Em termos de carga (ou recarregamento das baterias) existem várias soluções. A carga rápida, para a qual o sistema tem de ser preparado de fábrica, devido à existência de um circuito de arrefecimento das baterias. Este modo de carga é efectuado a 32 A e dura quatro horas. Existe uma outra escolha de carga rápida, feita em 30 minutos e que regenera as baterias até 80%. Todavia, esta carga não dura o mesmo das cargas plenas. A outra solução de carregamento e para o qual este Nissan vem preparado de série, é efectuado a 16 A e demora oito horas. A solução doméstica a 10 A pode ser feita numa ficha padrão (com terra) e demora 12 horas para carregar as baterias.

Ao volante dos eléctricos

Como atrás foi referido o peso das baterias é um dos factores que contribui para a inércia destes e-NV 200, quer nas versões Evalia, Taxi ou Furgão. No entanto, o conforto de rolamento é melhor face às versões Diesel, em especial no furgão, cujos valores de carga útil rondam os mesmos do furgão a Diesel. Colocadas sob o piso e por trás dos assentos dianteiros, as baterias concedem um centro de gravidade mais baixo, e para além da boa estabilidade, o conforto de rolamento é bom. É um facto que para este também contribui a adopção de alguns agregados mecânicos do Leaf, como acontece com a via dianteira. Além disso, as versões “e” dispõem de controlo de estabilidade de série (ESP).
Em termos de ergonomia e habitabilidade, este Nissan concede um agradável espaço interior, com o travão de estacionamento colocado entre os lugares dianteiros, enquanto o comando do selector da transmissão automática de uma única relação, está colocado na pequena consola central, que poderia já ter desaparecido, como acontece noutros modelos eléctricos.
Com pouco mais de quatro metros e meio (4.560 mm) o e-NV 200 concede uma boa manobrabilidade, uma boa visibilidade nos diversos ângulos e uma facilidade de condução que apreciámos. O furgão, em termos de mercado, concorre com duas referências francesas que estão há anos no pódio, e que também têm versões eléctricas (Partner e Kangoo). Nos passageiros, as características atrás apontadas (colocação das baterias) concedem um bom conforto de rolamento, boa habitabilidade, e uma boa volumetria na bagageira. Resta apurar os preços e fazer comparações.

Gostámos Mais

  • Conforto de rolamento
  • Facilidade de utilização
  • Custos de Utilização/manutenção
  • Espaço de carga e volumetria
  • Equipamento e funcionalidades

Gostámos Menos

  • Autonomia condicionada