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Em piloto automático

Clicar para começar e parar a reprodução das imagensÀ imagem do que acontece nos aviões e navios, a condução autónoma é o sistema que a MB propõe para 2025, afirmando que nessa altura estará pronta para disponibilizar, de série, este piloto automático. E de igual forma como acontece no ar ou no mar, este Highway Pilot, necessita da intervenção de quem conduz. Aliás, de acordo com os responsáveis da marca alemã, ao criar a oportunidade de realizarem outras tarefas, tanto as logísticas como as de gestão do veículo, a actividade de motorista, torna-se mais aliciante, podendo contribuir para mitigar a falta de profissionais no sector. Durante a apresentação, a curiosidade, gerou uma fila para ver o interior do FT 2025.


O que de momento é uma ilegalidade – apesar das alterações ao artº 8 da Convenção de Viena – foi aproveitado pela Mercedes-Benz para apresentar o Future Truck 2025. Numa primeira abordagem, os 11 anos podem parecer longínquos, mas basta recuarmos uma década, para nos apercebermos das alterações a que o sector do transporte foi sujeito. O custo das portagens – que a CE pretende uniformizar no território europeu – os Euro 4, 5 e 6, a discussão das novas regras sobre dimensões e pesos, adoptadas por uns e rejeitadas por outros, o aumento do tráfego rodoviário e a redefinição das necessidades/ofertas no transporte de mercadorias, e por fim mas não menos importante, a transposição para o motorista, de uma parte das funções logísticas e gestor do veículo.
É sobre este último ponto que recai a essência do Camião do Futuro 2025, apresentado pela Mercedes-Benz. Com recurso à tecnologia que hoje conhecemos dos transportes marítimo e aéreo, o que a marca alemã propõe é um verdadeiro piloto automático que, em determinadas condições, liberta quem conduz para outras funções, as tais que mais se aproximam da operação logística e da gestão do veículo. É por demais evidente, que este cenário implica o desenvolvimento de um conjunto de factores externos a este Actros 1845 Powershift 3. As comunicações são disso exemplo. Mesmo para coisas tão simples como encontrar estacionamento numa área de serviço.

O futuro dos alemães

A apresentação deste FT 2025 foi efectuada num troço em construção da A 14. No entanto, o que para nós é motivo de destaque, tem a ver com o número de pessoas e entidades envolvidas neste projecto, que contou com a presença de um Comissário Europeu, um Ministro dos Transportes, uma Secretária de Estado, diversos professores universitários, uma seguradora, uma empresa especializada em comunicações e simulações 3D, além dos vários departamentos da marca alemã de Stuttgart.
Para o responsável mundial dos camiões e autocarros produzidos pela Daimler: – o camião do futuro é um Mercedes-Benz autónomo, mas que não dispensa o motorista. Aliás, face à falta de profissionais no sector, este Camião do Futuro 2025, torna mais aliciante a actividade de motorista.
Por outro lado, é a nossa resposta aos desafios e oportunidades, associadas ao transporte rodoviário do futuro, sublinhou Wolfgang Bernhard (dr).
Outras previsões do futuro e até 2025, apontam para um aumento de 20% no transporte de mercadorias em território europeu, continuando o rodoviário na frente com 75% de quota. Todavia, sublinhe-se que entre os vários países europeus, estes valores percentuais variam. Na Alemanha a quota do transporte rodoviário ronda os 66%, enquanto em Espanha chega aos 96%.

Conjugação de soluções

A tendência para inovar é algo a que a Mercedes-Benz já nos habituou. Em 1981 foi o primeiro construtor a apresentar o ABS nos pesados, e com base nos mesmos agregados mecânicos, mostrou o sistema anti-patinagem ASR uns anos depois. Com o primeiro Actros (1986) inovou ao apresentar o sistema electrónico de controlo de travagem EBS a actuar em discos. Em 2000 foi a vez de mostrar os sistemas de controlo de aproximação (PAC) e de desvio da faixa de rodagem (LAS), para no ano seguinte, introduzir o controlo de estabilidade (ESP). Com a segunda geração do Actros (2002) a marca alemã disponibilizou a assistência de arranque em subida, e mais tarde (2006) fez evoluir a travagem para o (ABA) que de forma autónoma, trava o camião e evita o embate com o veículo mais lento que lhe aparece na trajectória.
Em 2012 apresentaram um sistema que evita que a atenção do motorista se afaste da condução e que em limite, feche os olhos.
Se a todos estes sistemas adicionarmos um radar com sensores frontais e laterais, uma camera tridimensional, um sistema de navegação 3D, sistemas de comunicação entre veículos e destes com as infra-estruturas, então o resultado é o “Highway Pilot” um verdadeiro piloto automático para auto-estrada.

Pioneiros da condução autónoma

Num acto de amor e na mais romântica das atitudes, Bertha Benz pegou no automóvel do marido e fez-se ao caminho de Mannheim a Pforzheim. Volvidos 125 anos, na Mercedes-Benz, tomaram a decisão de fazer o mesmo percurso, mas desta vez com um S 500 dotado de todos os dispositivos que permitiram a condução autónoma. Com este piloto automático, a marca alemã tornou-se na primeira a conseguir, de forma autónoma, efectuar um trajecto misto que incluiu estradas, auto-estradas e diversos circuitos urbanos.
No caso do Future Truck e por que estamos em presença de outras dimensões e maiores pesos, o sistema está adaptado para funcionar apenas em auto-estrada. Todavia, existem várias possibilidades neste “Highway Pilot”. Mediante interconectividade, o FT 2025 pode desviar-se de obstáculos sem a intervenção de quem conduz, e deixar livre parte da faixa de rodagem, para deixar passar veículos de emergência. Nas situações em que encontra um veículo mais lento, o sistema utiliza dispositivos para reduzir a velocidade, deixando para quem conduz, a acção da ultrapassagem. Durante a apresentação e com o veículo a circular a 85 km/h, ao aproximar-se de um veículo mais lento (a 60 km/h) constatámos a redução de velocidade de forma autónoma, seguida da intervenção do motorista para efectuar a ultrapassagem. De seguida, volta ao piloto automático e retoma o modo autónomo e a velocidade de cruzeiro.

Através de tempos revolucionários

No que podemos designar como tempos modernos, a revolução industrial começou algures em 1750 com as polémicas centrais a carvão. Foi preciso chegar a 1900 para atestar outras formas de criar energia, e de esta distribuir, através de centrais eléctricas. Nos anos 70 foi a vez de os computadores trazerem a revolução digital. Mais recentemente, já pouco se fala de computadores. Passou-se à geração dos “smartphone” dos sistemas “wifi” e do “Bluetooth”. A interconectividade, é a via para uma nova forma de lidar com a informação. Uma autêntica revolução na nossa forma de viver.
Contudo, há coisas que vão tendo um desenvolvimento mais lento e uma dinâmica muito própria. A mobilidade das pessoas é disso exemplo. Com 50% das pessoas a viverem em centros urbanos, a gestão de tráfego, o envolvimento ambiental e os fornecimentos urbanos, precisam de soluções que vão muito para além do transporte rodoviário. Por outras palavras, não é suficiente criar um camião do futuro 2025, se as entidades oficiais, não se envolvem nos processos de mobilidade e urbanização. Neste capítulo e como atrás foi referido, os alemães deixaram-nos a ideia de que estão no bom caminho. Mesmo quando o discurso institucional vai no sentido do políticamente correcto, as entidades privadas têm uma dinâmica própria. A Mercede-Benz é disso exemplo, quando na actualidade, já conseguem gerir o futuro.