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O sucessor tecnológico

Clicar para começar e parar a reprodução das imagensPrimeiro foi o Actros mas desde 31 de Agosto, a MB conta com um novo modelo pesado. Com o Antos, as versões declinam em carga ou volume, mas com toda a herança tecnológica do Actros. Disponível com 67 distâncias-entre eixos, três cabinas e igual número de motores, o mais recente pesado alemão, serve também para mostrar as terceiras gerações da transmissão automática e da travagem adaptativa. Equipado com com o Euro 6, o Antos é uma antecipação e se a uns fará esperar, a outros poderá vir a conceder benefícios.


Descobrir as diferenças

Num primeiro olhar muitos serão tentados a dizer que o Antos é igual ao Actros. No entanto, existem muitas diferenças, tanto no interior como no exterior. A linhagem é a mesma, mas tal como na aristocracia um duque ou um rei, não são a mesma coisa. É como tentar colocar um grau de importância entre um goleador e o treinador. De facto, o primeiro é que marca os golos, mas é o segundo que decide quem joga.
No caso destes camiões MB um destes é o Camião do Ano para 2012 e o outro foi vice-campeão por entre as candidaturas ao galardão de 2013. Como uma das vertentes deste prémio internacional é a eficiência no transporte, percebemos que estamos em presença de dois goleadores, à espera dos treinadores que os irão colocar em campo.
Em relação ao Antos, este pode jogar em duas posições. Uma em que se espera uma maior vocação para a carga – como no rugby – e uma outra em que a leveza e alguma amplitude de acção, evidenciam o volume – como no basquetebol.
Para os “Loader” (carga) os alemães recorreram a materiais mais leves e chegam a propor um chassis-tractor com tara inferior às seis toneladas (5.840 kg no 1835 LS Space cab). Nos “Volumer” trabalharam mais nos chassis e distâncias entre-eixos (são 67 escolhas) e propõem alturas de chassis a 90 cm do solo.

Enquadramento Euro 6

De acordo com a legislação europeia, a norma Euro 6 será aplicável a partir de 1 de Setembro de 2014 no que diz respeito à homologação e a partir de 1 de Janeiro de 2015 no que diz respeito à matrícula e venda de novos tipos de veículos. É um facto que ainda estamos a dois anos da homologação, mas o investimento num camião é habitualmente efectuado a quatro anos, pelo que faz todo o sentido que os Antos sejam configurados em Euro 6 em qualquer um dos três blocos (7.7, 10.7 ou 12.8 litros) para potências entre 175 a 375 kW ou seja entre os 238 a 510 cv.
Mas existem outras razões para esta antecipação! Por um lado, há países onde existem reduções fiscais e benefícios económicos para quem circula com o Euro 6. Por outro lado e apesar de ser um pouco mais dispendioso, o Antos Euro 6 tem por parte do construtor, garantida a durabilidade dos dispositivos de controlo da poluição para uma distância de 160 000 km. Em circulação, esta deve ser passível de verificação durante 5 anos ou 100 000 km.

O ABA 3 da MB

Não se trata de nenhuma alusão ao agrupamento sueco nem de nenhuma série especial alusiva aos êxitos do quarteto. A designação ABA – Active Brake Assist – é a terceira geração do sistema de travagem activo da Mercedes-Benz. Isto significa que os camiões MB com este sistema, travam perante o obstáculo, independentemente de haver ou não intervenção de quem conduz.
Dotados de travões de disco, os novos Antos estão equipados de com sistema anti-bloqueio ABS e a existência deste, implica o sistema anti-patinagem ASR, a assistência electrónica no esforço de travagem EBS e o contolo de estabilidade ESP.
Como opcionais, os sistemas auxiliares de travagem como o travão-motor ou o retardador de 750 kW (1.020 cv) o sistema para manter o camião nas faixas de rodagem e o sistema de travagem activo ABA 3 que reconhece os obstáculos e evita o embate com o veículo da frente.

O Antos em detalhe

As semelhanças estéticas são muitas em relação ao Actros mas o Antos é mais baixo e mais estreito. Mesmo na cabina mais espaçosa e dedicada ao longo curso, avaliada pela existência de uma cama de (2.000×600 mm) a largura exterior é de 2.300 em vez dos 2.500 mm do Actros. Como atrás foi referido existem três blocos, mas neste caso vamos concentrar a nossa atenção no mais potente e de cubicagem intermédia, ou seja no 10.7 litros de 315 kW (428 cv). Mais leve, este OM 470 é uma evolução do anterior 471 e destaca-se pelo novo sistema de injecção X-Pulse, um sistema de conduta comum, associado à recirculação de gases de escape, injecção de Adblue, catalisador por oxidação e filtro de partículas.
Na gama do Antos e na cadeia cinemática encontramos a nova transmissão automática “Powershift 3” de 12 relações, enquanto na relação final, o 1843 que conduzimos, tinha uma das escolhas, neste caso a de 1:2,733. No chão, pneus 315/70 R22,5. Suspensão metálica na frente e foles atrás, com o mesmo tipo de solução para suporte da cabina.

Ao volante do 1843

Aceder ao interior é tarefa fácil e encontrar uma boa posição de condução é rápido, apesar das diversas afinações que são necessárias. Uma vez instalados, existe espaço para tudo e o túnel interior é pouco perceptível, não sendo portanto um impedimento para a boa mobilidade no interior da cabina. Logo que colocamos o motor em funcionamento, percebemos que a insonorização não é a mesma do topo de gama e nos primeiros quilómetros, também percebemos que a suspensão metálica na frente, filtra menos as irregularidades do piso, face à solução pneumática. No entanto, esta característica não deixou de revelar uma direcção precisa e muito suave no manuseamento. O mesmo acontece com a evolução das 12 relações da transmissão automática, mesmo quando se circula com cinco eixos e 40 toneladas de peso bruto.
Com um binário de 2.100 Nm conseguido às 1.100 rpm as reprises e acelerações são boas, mas o que mais nos impressionou foi a eficiência do travão-motor, apesar deste ser algo ruidoso. A insonorização da cabina está mais ao nível de um Axor do que de um Actros, do qual o Antos herda uma série de equipamentos como a assistência ao arranque em subida, ou um completo painel de instrumentos que nos concede imensa informação sobre o veículo, viagem ou condução, com esta última ligada ao Fleet Board como gestor de veículo ou frota.