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A dinâmica das novidades

Clicar para começar e parar a reprodução das imagensO espaço é curto e o tempo escasso para este certame lisboeta, mas em nossa opinião, assistimos a uma das melhores exposições de motos a que já assistimos em Portugal. O número de novidades foi elevado, tanto em termos de modelos como de marcas, e o dinamismo mostrado por algumas pessoas, demonstra que apesar das dificuldades que o país atravessa e os condicionalismos de um mercado peculiar, as motos continuam a ter espaço para progredir, mesmo as eléctricas. No pavilhão 4, lugar também para a gastronomia regional e coisas de fazer crescer água na boca.

Novidades no negócio

No mercado nacional e de acordo com os dados da ACAP, no primeiro trimestre deste ano venderam-se 2.328 motos, que representam uma evolução negativa de 35% face a período homólogo do ano transacto. Nestes números e sempre com referência às duas rodas, 405 são ciclomotores, mas com 50% do mercado, são as 125 cc que continuam a dinamizar as vendas! A Honda – justamente suportada pelo êxito das 125 cc – foi uma das marcas que menos sofreu com esta situação e, no primeiro trimestre, vendeu mais do triplo da segunda classificada. No entanto e sem esperarmos por uma reviravolta, pensamos que os próximos mapas de vendas, poderão reflectir as estratégias dos novos importadores da Kawasaki e Triumph, ambos sedeados no Norte. No caso da marca japonesa, a importação passa a estar a cargo da Multimoto, enquanto a KMS passa a representar as motos inglesas entre nós.

Sobre rodas há 24 anos

A Kawasaki conta com um novo importador e, se por lado a Multimoto apresenta um palmarés de 24 anos ao serviço do universo motociclista, por outro lado a marca japonesa atravessa um ciclo positivo em termos de gama. Se a estes factos juntarmos uma nova rede de concessionários, e a dinâmica que o novo importador costuma imprimir aos seus negócios, antevemos um futuro risonho para a marca das motos verdes, que em Lisboa não descurou as outras cores, como por exemplo o “bordeaux” da 800 rétro, ou o preto fosco da imponente 1700 Custom. Nas desportivas como na nova 300, os responsáveis do novo projecto, enfatizam uma vantagem competitiva e trasnversal na gama: o preço final. É um facto que ao compararmos a gama da Kawa com a líder de mercado, cedo percebemos que nas 125 cc a oferta não é tão diversificada. Todavia, a Multimoto também comercializa a Keeway, tanto em motos como em “scooters” e também nesta marca, o preço as torna competitivas, a ponto de lhes proporcionar um excelente lugar no mercado.

O renascimento da marca inglesa

A Triumph é outra das marcas que conta com um novo importador e do lado da KSM, parece haver o dinamismo suficiente para relançar a marca inglesa, que trouxe a Lisboa um dos elementos da Guarda Real, certamente para se certificar que damos conta das novas Tiger Explorer/XC 1200 com veio de transmissão, ou a Trophy SE que recorrendo ao mesmo tipo de transmissão secundária, apresenta suspensão ajustada electronicamente e equipamento áudio. A imponente Rocket III de 2.300 cc está agora mais potente continua a declinar nas versões “Touring” ou “Roadster”. Para os que gostam das emoções mais fortes e estão preparados para outros compromissos, as Daytona/R são apresentadas com mais cavalos e promessa de serem mais reactivas. Para as emoções opostas, as clássicas, como as Bonneville, Thruxton ou Scrambler, complementam a marca, que volta a relançar os equipamentos e acessórios.

Em tempo de aniversário

A Harley-Davidson marca presença no Lisboa Moto Show com as novas Dyna Street Bob Special Edition e Softail Breakout. A Street Bob Special Edition é um modelo de produção limitada (500 unidades) para a Europa, África e Médio Oriente. Esta HD é fruto de um “restyling” do modelo anterior, com uma imagem ao estilo “Bobber” muito atrevido e com acabamentos de primeira qualidade. Os responsáveis da marca americana aplicaram uma pintura de dois tons e umas atraentes jantes com aros vermelhos. Este modelo incorpora um amplo equipamento de série, que inclui travões com ABS.
De linhas suaves e mais compactas a Softail Breakout é a versão evoluída por entre os modelos personalizados, destacando-se nesta moto, o motor e os pneus. Por fim mas não menos importante, vários painéis ilustram o historial da marca, desde a primeira oficina da marca criada em 1903. Uma cabana de madeira de 3,0 x 4,5 metros com as palavras “Harley-Davidson Motor Company”.

Uma nova 125

Na Honda e consonante com a liderança no mercado o espaço é dos maiores. E foi facilmente preenchido com a vasta gama, a começar pelas 125 cc, cilindrada em que a marca japonesa mostra uma nova abordagem: a MSX ou seja uma Mini Street X-treme. Se pensarmos em termos evolutivos, a MSX é a “Monkey” do século XXI, devidamente adaptada a quem pretende uma moto manobrável e divertida de conduzir, mesmo com uma caixa de quatro relações. Passando para outro tipo de divertimento, as CBR juntam-se no Algarve (AIA) a 18 e 19 de Maio, e esta reunião pode muito bem incluir as novas CBR 500 R, além das 600 RR com e sem ABS. A Goldwing continua a ter o seis cilindros e passa a ter uma versão mais ‘radical’ F6B com um pequeno pára-brisas. Todavia, para além da imagem, o ‘segredo’ com que os japoneses contam agradar a uma clientela mais jovem, e disposta a utilizar (mais) esta moto em circuito urbano, tem a ver com esta versão ser mais leve e, também por isso, mais manobrável.
Para os amantes das CB, a novidade mais interessante é a nova CB 500 F (apresentada na secção de Motos) e para os mais exigentes, a CB1100 conjuga a imagem clássica, com todas as modernas soluções.

Espaço 351

Um dos espaços mais interessantes é o ocupado com as “café racer” do conhecido 351. A escolha das motos começa pelo quadro tubular e por serem clássicas ou “vintage”. Depois é só dar asas à imaginação e personalizar o mais possível, e de acordo com os gostos de cada um. É evidente que ao olhar para algumas das motos em exposição no espaço 351 – e que estarão também no Art & Moto no LX Factory a 27 e 28 deste mês – tanto podemos ver uma AJS como uma Moto Guzzi que já participou em competições, ou uma CB 750 com uma bacquet estilizada e que numa só peça, reúne banco e depósito.