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A laranja mecânica

EG1C8629Há semanas atrás mostramos o que a Iveco propõe para o Euro VI e na altura, ficou a promessa de divulgar algo mais, além do chassis e cadeia cinemática. Aqui ficam as ilustrações da nova cabina e aproveitamos para lhe dar a conhecer o Iveconnect. Pela primeira vez e seguindo as tendências do mercado, os italianos, propõem uma solução de transporte integrada. É verdade que chega tarde, mas não é por isso que deixa de ter interesse na descoberta e valor na utilização. A mais recente aposta dos transalpinos para o longo curso, terá o laranja como cor de referência para o lançamento comercial.


Parcerias europeias

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Nos Stralis a Iveco configurou o Euro VI sem recorrer à recirculação dos gases de escape

Como é do conhecimento geral, o Euro VI está à porta e por isso, a Iveco, já mostrou a proposta para este enquadramento ambiental, sem recorrer à recirculação de gases de escape. Os suiços de Arbon (ex Saurer e agora Fiat Powertrain) encontraram uma solução de pós-tratamento com base na injecção de ureia e catalisador oxidante, ao mesmo tempo que aumentaram as cilindradas dos Cursor, agora com 9 e 11 litros de cilindrada. Para ficarmos a saber isto e muito mais, ocupámos 39 horas do nosso tempo, para conduzirmos o Stralis durante 20 minutos. No entanto, um brevíssimo contacto ao volante, permitiu avaliar as evoluções do camião e conhecer a nova solução de transporte, feita em parceria com as europeias Qualcomm e Navtec. A primeira deu origem ao Iveconnet Fleet, enquanto a segunda origina o Iveconnet Drive.

Uma questão de Euros

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Nos Cursor Euro VI foram melhorados os valores e disponibilidade de binário

No tocante às motorizações – de 310 a 560 cv – são mantidos os Cursor 8, 10 e 13 para o Euro V, sendo os 9, 11 e 13 configurados como Euro VI. No modelo que conduzimos (460 Euro V) constatámos que os italianos falaram verdade, quando disseram que os motores foram optimizados no regime de binário e nos valores. Aliás, foram mais longe, quando afirmaram que os novos Stralis, deverão conceder uma economia de 4% nos custos de exploração. Em nossa opinião é uma declaração arrojada – e que está alinhada com as dos construtores europeus, quando se trata do Euro VI. Ainda no tocante aos custos de exploração, os italianos apontam para uma composição assim estruturada: investimento 8%; manutenção e reparação 5%; consumos de combustível 36%; motorista 33%; taxas diversas e portagens 18%. Sublinhe-se que na parcela relativa aos combustíveis, este percentual tem a ver com o aumento do custo do combustível e não com os consumos, que de facto e nalguns testes efectuados com veículos Euro VI, são inferiores face aos Euro V. Todavia, os veículos que são mais caros e consomem ureia (+/- 4% do consumo de combustível) também têm, nalguns países, uma redução nas portagens e taxas, por serem Euro VI. Por outras palavras, quando toca a € os Euros também contam, mesmo que seja para dar de um lado e tirar do outro.

A laranja mecânica II

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Mais do que um camião, a Iveco propõe soluções de transporte e de gestão de frota

Não se trata de nenhuma alusão ao filme que notabilizou Kubrik, nem qualquer referência à eficaz equipa de futebol holandesa. O modelo que os italianos consideram como a grande aposta no longo curso 2012-13, tem o laranja como cor de lançamento. Um camião é sempre um investimento e a conjugação deste com determinados serviços, resulta numa solução de transporte. Com o renovado Stralis e quando temos todo o equipamento que nos foi mostrado, a laranja mecânica é uma solução integrada de transporte. Pode transportar, identificar os melhores trajectos e dar indicações preciosas sobre a eficiência de quem conduz, tanto em termos de aproveitamento do veículo (inércia) como de eficiência no consumo de combustível. Estes parâmetros já são uma novidade em termos de telemática e a coisa não fica por aqui. A líder europeia de sistemas de comunicação Qualcomm foi chamada a juntar-se à Magnetti Marelli e o mesmo aconteceu à líder europeia de sistemas de navegação e orientação: a Navtec.

Novidades na parametrização

Bauma_2013_Iveco_Stralis_h04O que até agora conhecemos no mercado conjuga vários sistemas de informação e navegação com os de gestão de frotas. No caso dos Iveconnect (Fleet e Drive) estes podem ser integrados e num painel, onde toda a informação está ao mesmo nível visual do painel de instrumentos do veículo, facilitando por isso a leitura. Com estes sistemas, quem se sentar ao volante, agora mais centrado e a conceder melhor ergonomia, tem à disposição valores de consumo de combustível, parametrizados com o acidentado do trajecto, sinuosidade do percurso e peso transportado, sendo que estes valores são visualizados mediante avaliação por escala, dividida por importância. Desta forma, é possível avaliar qual o melhor trajecto para chegar a um cliente e utilizar este que fica numa base de dados, ao mesmo tempo que posso qualificar a condução, avaliando todos os parâmetros que interferem nesta e nas velocidades comerciais e consumos de combustível.

Discos + ventilados

EG1C7407Nos idos anos 80, começaram a chegar aos pesados de mercadorias os travões de disco, pela primeira vez utilizados nos Jaguar em Le Mans (anos 50). A evolução permitiu substituir os discos sólidos por discos ventilados e a Brembo, aproveitou a apresentação do laranja mecânica, para mostrar a terceira geração de discos ventilados. Designados como “Star Pillar” estes discos são fabricados numa liga especialmente concebida para este modelo de disco, mais leve (- 4 kg) face aos anteriores “T Pillar”. Outra das vantagens deste novo disco de travão, está na redução da temperatura. De acordo com os dados do construtor, este disco permite um ganho de 10% face ao anterior e tal significa que, perante os mesmos ciclos de travagem, o novo disco atinge 503º em vez dos 545º do anterior modelo. Este ganho permite reduzir os estragos ocasionados pela travagem e aumentar a durabilidade, tanto do disco como das pastilhas de travão.

Espaço para melhorar

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A melhor insonorização e filtragem das vibrações, são algumas das evoluções apreciadas no Stralis

Como qualquer outro produto que se apresente renovado, o Stralis ainda tem espaço para melhorar. Em nossa opinião, a ergonomia poderá ser o próximo passo, mas isso irá exigir uma nova cabina, que é das coisas mais difíceis e dispendiosas de desenvolver. Do que existe, constatámos melhorias nos bancos, posição de condução e comandos mais fáceis de utilizar e mais funcionais. Todavia, a grande evolução passa pela melhor insonorização da cabina e filtragem das vibrações. Se a estas características juntarmos um motor mais silencioso e a trabalhar muito bem entre as 900 a 1.300 rpm, temos um camião mais fácil de conduzir. O 460 Euro V que conduzimos durante uns 20 minutos, estava equipado com a transmissão automatizada ZF que também trouxe algumas das novidades ao Stralis. Apesar do brevíssimo contacto ao volante, percebemos que a suavidade de engrenamento foi um dos pontos em que o Stralis evoluiu. Por fim mas não menos importante, o preço final é o que virá certificar a evolução. Mas sobre este assunto, os italianos também deixaram a promessa de inovação! Dentro em breve a lista estará disponível no endereço electrónico (site) da Iveco: www.iveco.com
Até lá vamos experimentar estes bancos. Parecem bem melhores que os outros.

O Camião do Ano 2013

ITOY StralisO Iveco Stralis Hi-Way foi eleito o International Truck of the Year 2013 por um grupo de 25 jornalistas europeus – especializados no sector do transporte rodoviário de mercadorias – que cobrem um universo de 700.000 leitores.
Com um total de 138 votos, o novo camião italiano destinado ao longo curso, teve tarefa difícil para bater a mais recente proposta da Mercedes-Benz para a distribuição: o Antos que obteve 107 pontos. O novo Cargo da Ford conquistou o terceiro lugar, à frente do Mitsubishi Canter 4X4.
De acordo com as regras do ITOY – Camião Internacional do Ano – o prémio anual é atribuído ao camião que, nos 12 meses anteriores, deu o maior contributo para a eficiência no transporte rodoviário de mercadorias. Esta eficiência é medida através do consumo de combustível, segurança, condução, conforto e impacte ambiental, esta última garantida através da inovadora tecnologia Euro 6, com base no pós-tratamento de gases de escape. Esta solução, que traça um novo caminho para a redução das emissões poluentes, assenta em dois pilares fundamentais: um algoritmo específico para a gestão do motor; nova gestão dos gases de escape e pós-tratamento.
No Stralis Hi-Way, além da optimização da cadeia cinemática e melhorada aerodinâmica da cabina, a conjugação com o Hi-eSCR, inverteu as expectativas de que o novo enquadramento ambiental, iria aumentar os consumos de combustível.
A redesenhada cabina do Stralis Hi-Way concede um bom ambiente de trabalho a quem conduz, conforme puderam constatar os membros do júri, que realizaram diversos testes de estrada à volta de Torino-Italia. Em conjunto com novos materiais e o refinamento ergonómico, os profissionais do transporte contam com um veículo mais fácil e agradável de utilizar.
Os membros do júri do Camião do Ano apreciaram também os sistemas de segurança e a inovadora telemática a bordo, cuja leitura é efectuada através de um visor de 7” sensível ao toque.
A telemática de bordo, permite ainda avaliar e melhorar o estilo da condução, contribuindo para a economia de combustível, um dos maiores desafios da actualidade, para os transportadores rodoviários.

www.truck-of-the-year.com