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Com e-NV 200 da Nissan

Clicar para começar e parar a reprodução das imagensExistem semelhanças conceptuais entre um F1 e o e-NV 200, quando analisamos as tecnologias utilizadas para recuperar a energia da travagem. No caso dos F1, esta recuperação é aproveitada para melhorar as acelerações. No caso do furgão da Nissan, a recuperação de energia, vai direitinha para as baterias, com o propósito de aumentar a autonomia. Outra das razões da escolha, tem a ver com as emissões zero, numa operação logística que envolve 80 ligeiros, seis pesados, navios e aviões.


A juventude em Milton Keynes

A utilização de um veículo eléctrico e algumas semelhanças tecnológicas entre um F1 o e-NV 200 da Nissan, serviram-nos de pretexto para ir até Milton Keynes, uma verdadeira fonte de juventude anglo-saxónica, a uma hora de caminho do principal aeroporto londrino. A equipa de futebol local é mais uma a contribuir para enaltecer o espírito jovem e, para quem tiver dúvidas, os expressivos 4-0 contra o Manchester United atestam isso mesmo. Do lado de uma das mais ‘jovens’ equipas da F1 também aparecem os sinais do sucesso. O domínio conseguido por britânicos e alemão ao longo de quatro anos (2010, 2011, 2012 e 2013), nos quais conquistaram quatro títulos de construtores e pilotos, é um sinal claro de que o dinheiro não traz felicidade… mas que dá jeito, não restam dúvidas.
De acordo com o responsável pela equipa de F1, querer saber qual o orçamento para uma temporada de GP, é o mesmo que perguntar a idade a uma senhora. No entanto, Christian Horner – ex-piloto de F3 e de testes na Lotus nos anos 90 – lá foi adiantando que os maiores orçamentos são os da Ferrari e Mercedes, enquanto o da Infiniti Red Bull Racing está alinhado com o da Mclaren.

Fábrica de talentos

Nas instalações que já pertenceram à Stewart GP e à Jaguar, a fábrica do touro encarnado, ou Toro Rosso, ou Red Bull, aloja 650 pessoas distribuídas pelas mais variadas funções. Daí que seja justo falar numa verdadeira fábrica de F1. Dentro de portas onde só se entra com códigos ou por convite, até os telemóveis levam um autocolante na lente. E nem este pormenor foi descurado, já que o dito autocolante tem a forma de um touro e com as cores da equipa. No tocante às peças que compõem os monolugares, estão são feitas com recurso às mais modernas tecnologias, desde o laser para moldar a forma final, aos ultrasons para detectar qualquer imperfeição. Ali dentro tudo é perfeito e com uma limpeza… de fazer inveja aos melhores consultórios.
No entanto, a tradição ainda é mantida em alguns departamentos! Ao falar do projecto dos F1, temos de prestar homenagem a Adrian Newey que, continua a desenhar à mão, e a passar os desenhos aos técnicos do CAD. Recorde que este engenheiro de 57 anos é um dos mais prestigiados da F1, disciplina onde foi o responsável pelos monolugares de Senna, Prost, Mansell, Villeneuve, e até estamos em crer que terá dado uma ajudinha a Ron Denis, quando este desenhou uma nova arquitectura de “boxes” com as mangueiras de ar comprimido a passarem por cima dos F1 e assim ganharem tempo a mudar os pneus. Recorde-se que nessa altura, fazer a operação à volta do 10 segundos era fantástico. No entanto, na presente época, os mecânicos da Infiniti Red Bull Racing já fizeram isso em menos de três segundos… mais precisamente 02:95.

A importância do piloto

É por demais evidente que nesta temporada, não deixa de ser estranho a quebra de hegemonia da equipa de Milton Keynes. Para uns, o problema está nas profundas alterações introduzidas na F1, que vieram alterar a ordem habitual das coisas. Os mesmos, sublinham, que há uns anos atrás, a ordem era: piloto-motor-monolugar. Nos dias que correm, esta ordem foi substituída pela incidência da tecnologia no monolugar, que assim passou a ser o mais importante, seguindo-se o motor, e só depois o piloto.
Para outros, o piloto continua a ser a peça-chave do sucesso, mesmo quando a espectacularidade é substituída pela tecnologia que, na maior parte dos casos, transforma as regras em benefícios, e os imprevistos em premonições.
Da nossa parte, continuamos a apostar nos pilotos, e fundamentamos a nossa tese, nos resultados obtidos por Nico Rosberg e Daniel Ricciardo, em especial depois de analisar os resultado do australiano de 25 anos, quando militava na Toro Rosso.
Em relação ao piloto alemão – que de acordo com o seu chefe de equipa tem tido uma série de azares – Sebastian Vettel não irá vencer o campeonato, mas no seu palmarés ficam quatro campeonatos consecutivos, e o facto de ser ter tornado o mais jovem piloto­ a ganhar o campeonato do mundo de pilotos, aos 23 anos de idade. Além disso, e de igual forma como aconteceu com Ayrton Senna, o piloto alemão tem sido uma ajuda preciosa a desenvolver o Q50 da Infiniti, a marca “premium” da nipónica Nissan.
Por fim mas não menos importante, e só para os que ainda têm dúvidas, basta olhar para o volante de um F1 actual. É preciso ser um piloto de excelência, em especial quando os monolugares de hoje, permitem a recuperação da energia térmica e cinética, e a transformam em potência… que pode chegar aos 80 cv por roda, para além dos muitos cv dos novos V6.

Semelhanças tecnológicas

Em termos de recuperação de energia, existem algumas semelhanças conceptuais, entre o furgão e-NV 200 da Nissan e os F1 da Infiniti Red Bull Racing, mesmo se tivermos em linha de conta que no F1, estamos em presença de um motor de combustão interna, enquanto no Nissan, falamos de um veículo de emissões zero, por via do motor eléctrico. Em ambos os casos e durante a travagem, a energia que nasce da rotação das rodas, é transformada em energia eléctrica mediante geradores. No caso do F1, esta energia eléctrica é conjugada com as dos motores eléctricos que se encontram agregados aos turbos, sendo esta encaminhada para um motor eléctrico, que na aceleração contribui para melhores prestações. O doseamento desta energia é comandada pelo piloto.
No caso do e-NV 200 a energia da desaceleração ou travagem, é reconduzida para as baterias, aumentando a autonomia do veículo, já que as prestações são constantes. Por esta razão, o furgão de mercadorias com 150 kg de carga tem melhor autonomia do que se circular sem carga. A carga tem um papel importante em termos de inércia, e também aqui a perícia de quem vai ao volante, pode alterar a autonomia do veículo e portanto a respectiva rentabilidade.

Térmico ou eléctrico

Hoje em dia os motores de combustão interna são vulgarmente apelidados de térmicos, quer sejam a gasolina ou gasóleo. Em qualquer um destes, as tecnologia utilizadas (multiválvulas, sobrealimentação, injecção directa, conduta comum) fizeram com que o índice de rendimento tenha subido nestes últimos anos, mas os percentuais mais favoráveis, apontam para os 35 a 40%. Por outras palavras, por cada unidade energética colocada num motor de combustão interna, 60 a 65% são perdas. Seja por fricção, resistências mecânicas, perdas térmicas ou arquitectura do motor, já que esta última transforma o movimento linear em rotativo, os motores de combustão interna são menos rentáveis face aos eléctricos.
No entanto, sob o ponto de vista da arquitectura, o motor eléctrico é rotativo, ocupa menos espaço e permite melhor gestão do consumo de energia e recuperação. A questão por resolver, tem a ver com o carregamento e autonomia dos veículos. No entanto, numa equipa de F1 nenhum destes é problema e para circular nas boxes, é melhor ter um veículo silencioso e sem cheiros.

Questões de logística

Por outro lado, este furgão é mais uma peça da complexa logística que tem os seus ‘segredos’. Por exemplo, cada equipa tem cinco “boxes” ou seja tem o ‘miolo’ das boxes vezes cinco. A razão é simples! Como as provas do mundial se disputam em vários continentes, as equipas de F1 utilizam vários modos de transporte. No avião, e por terem sido campeões o ano transacto, são os últimos a entrar… mas os primeiros a descarregar e portanto a recolher os benefícios de serem os primeiros a chegar à pista. No entanto, ao mesmo tempo que montam a “box” num circuito europeu, outras “boxes” já estão no navio e a caminho de outro continente, no qual daqui a um mês ou dois se disputarão outros GP. Os camiões, têm um papel importante no transporte e até uma “pick-up” pode ser de grande utilidade, porquanto se há peças muito leves, como acontece com as rodas, outras nem por isso, como acontece com as caixas de velocidades ou motores.
Por corrida, estamos a falar de 35 toneladas de material, 44 contentores, seis camiões Renault Trucks T e 30 modelos Nissan. Todavia, por época chegam a ser utilizados 80 veículos, entre furgões e “pick-up”.