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No limite das duas rodas

GL1800 Gold WingO modelo é vendido em todo o mundo e há uns anos, construído por americanos. No projecto inicial estiveram japoneses que, na gama, têm no curriculum modelos tão distintos como a CBR 600 F. As dimensões e peso, fazem da Gold Wing uma moto diferente de todas as outras, mesmo daquelas que foram clonadas. Para uns será um “barco” e para outros, o verdadeiro topo de gama. E todos têm razão! Se a conduzirmos em antecipação, tiramos melhor partido da dinâmica. Se a intenção é a de usufruir, o equipamento desta 1800 concede momentos agradáveis e, em situação limite, existe mesmo um “airbag” nesta moto, a que só faltam… duas rodas. Para comemorar os 40 anos, durante os quais as evoluções foram muitas, existe uma série especial.

2014 GL1800 Gold Wing

Nas manobras, a existência da marcha-atrás é um dos atributos mais interessantes

Quando se guia a GL em circuito urbano, só as dimensões podem criar a necessidade de uma atenção especial, nesta moto que ultrapassa os dois metros e meio de comprimento (2.630 mm) e quase chega ao metro e meio de largura (1.455 mm) ou seja, tem menos um palmo que o Honda Jazz, que numa das cotas e sem espelhos, é apresentado com 1.695 mm de largura. Outra das características que merece alguma atenção tem a ver com o peso em movimento. Na versão com “airbag” são 421 kg de peso de ordem em marcha, com uma pendente para a traseira de 232 kg (189 kg na frente) e basta olhar para a silhueta da Gold Wing, para percebermos que nesta moto, o peso estará sempre na traseira. Para quem vai aos comandos, o banco está a 740 mm do solo e concede largura suficiente para, consoante estaturas, ser mais ou menos exigente na mobilidade e contacto com o solo.
Ainda em relação ao “airbag”, este é accionado por sensores colocados na suspensão dianteira e já existem, relatos da utilidade deste dispositivo de segurança passiva. Um detalhe de que gostámos é a marcha-atrás, que serve também de travão de mão. Mediante um comando na manete direita, basta premir e a mesma patilha do motor de arranque, serve para accionar o motor eléctrico e lá vai a GL… para trás.

A função do guiador

2015 GL1800 Gold Wing

Apesar das dimensões e peso, a manobrabilidade é facilitada por diversas características da Goldwing

Esta Honda é peculiar em muitos aspectos e um destes, tem a ver com a forma como se guia. Em nossa opinião, é a moto em que mais se mexe no guiador! Nas manobras, a moto fica sempre direita e o que mexe é o guiador, que concede uma boa manobrabilidade. Aliás, face ao modelo anterior e num espaço de 4X4 metros, conseguimos efectuar uma inversão de marcha, com menos uma manobra. No trânsito ou em estrada, o truque de dar um jeito ao guiador, funciona em pleno e cedo percebemos que face a este peso, não poderia ser de outra forma. Outra das características peculiares desta moto diz respeito à eficiência do travão traseiro, que trava muito para além do que estamos habituados, mesmo nos modelos com o CBS que repartem a travagem do disco traseiro com um dos dianteiros.

 

A vantagem dos seis

2015 GL1800 Gold Wing

A arquitectura de seis cilindros contribui para a suavidade de funcionamento e conforto de rolamento

Nos motores a quatro tempos e na indústria das duas rodas, o mais habitual é contarmos com motores de dois ou quatro cilindros e nestes, existe sempre o problema das vibrações. Estas são geradas pelos êmbolos e passagem destes nos pontos-mortos superiores e inferiores, altura em que cada um dos cilindros passam a “zero” em termos de produção de energia, quer seja de movimento ou tempo-motor.
Por outras palavras, por cada tempo-motor (1 explosão em cada cilindro) a que correspondem 720º de rotação da cambota, o êmbolo passa quatro vezes pelo tal ponto “zero”, gerando assim a vibração, que pode ser obviada mediante o balanceamento de massas que giram em sentido contrário e deste modo, suprimindo ou reduzindo significativamente as vibrações – como acontece com o V2 da Varadero . No caso dos seis cilindros, a arquitectura do bloco resolve este problema! Se dividirmos os mesmos 720º por seis, temos 120º ou seja quando um dos êmbolos está no ponto-morto superior ou inferior, todos os outros êmbolos estão em movimento. Na prática, esta característica traduz-se num funcionamento suave mas enérgico. Este 1.832 cc debita 87 kW (118 cv/5.500) orientados para uma plataforma de utilização entre as 2.000 e 4.000 rpm, regime a que se encontra o binário máximo. Acima deste regime, a GL só vai conseguir mais velocidade, mediante a transmissão de cinco relações, na qual a 4ª e 5ª já se encontram abaixo do rácio 1:1. De acordo com o construtor e com normas pré-estabelecidas, o consumo normalizado é de 6,56 litros por cada 100 km.

Comandos duplicados

2015 GL1800 Gold Wing

Apesar de alguns comandos estarem duplicados, em termos de informação sobre a moto ou viagem, estão aquèm do alguns concorrentes apresentam

De igual forma como acontece na aeronáutica, alguns comandos da Gold Wing estão duplicados. Existem no punho, aos quais não se chega sem retirar a mão do guiador e estão nos painéis laterais, aos quais só se chega com a moto parada. E se lá conseguir chegar com a moto em andamento, nalguns aparece a mensagem a dizer que a função só se encontra disponível com a moto parada. Como acontece com outros comandos, estes exigem habituação e sobre esta, constatámos que após uns quilómetros, percebemos que algumas das alterações deste modelo, tornam a utilização mais fácil. No tocante à condução, a estrada é de facto o terreno de eleição para esta moto, que concede um bom nível de conforto de rolamento e um bom apoio para o pendura. Sem acelerações ou reprises brilhantes, consegue-se um andamento agradável ainda que não exista indicação no painel sobre os consumos ou velocidades médias. Num breve contacto com a Gold Wing, constatámos que os 25 litros do depósito permitem fazer entre 200 a 250 km, autonomia que consideramos baixa para uma estradista nata. E quanto à informação do painel, basta lembrar que a 125 PCX – a “scooter” mais vendida em território nacional – tem indicação do consumo médio. No painel a cores, a utilização diurna do GPS não é das melhores, devido a alguns reflexos. Desde que não existam brilhos ou de noite, a visibilidade da informação é muito boa e pode-se contar com indicação vocal, bastante útil em tráfego citadino.

Gostámos Mais

  • Conforto de rolamento
  • Suavidade do motor
  • Espaços nas malas e arrumos
  • Eficácia na travagem
  • Protecção aerodinamica
  • Protecção “airbag”

Gostámos Menos

  • Falta de ordenador de dados
  • Ajuste manual do vidro

 

Modelo/Versão Honda GL 1800 A Gold Wing
Potência 87 kW (118,0cv)/5.500 rpm
Binário 167 Nm (16,4 kgm)/4.000 rpm
Consumos 6,56 l/100 normalizadoWMTC
CO2 não comunicado
Médias Não Calculado
Preço Base 25 816,26 €
ISV 246,00 €
IVA 5 937,74 €
Ecotaxa 1,65 €
Documentação 255,00 €
€ chave na mão 32 256,65 €
IUC 124,00 €