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Solução multifacetada

CB500XOs japoneses da Honda já nos foram habituando a motos, que resultam do cruzamento de várias soluções utilizadas na marca. Neste caso, cortaram ao meio o bloco da CBR 600 e utilizaram tecnologias da 1000 RR para chegar aos 471 cc utilizado na nova CB 500 F. O mesmo motor que encontramos na X e na R seguindo uma lógica modular, semelhante que a Honda já tinha utilizado nas 700. Todavia, o conceito das 500 é diferente, por várias razões! Uma destas tem a ver com a nova legislação, que desde Janeiro deste ano, estabelece quatro cartas de condução para as duas rodas.

Preparada para as novas cartas

2015 CB500F

A existência de uma versão de 35 kW abre portas para outras utilizações

Desde o início do ano que existem alterações nas cartas de condução para as duas rodas! Passa a existir a categoria AM (ciclomotores), em substituição da licença de condução de ciclomotor, por forma a uniformizar estes títulos de condução em todo o espaço europeu e permitir o seu reconhecimento mútuo, sendo que até agora apenas existiam títulos nacionais de cada Estado, sem valor além-fronteiras. Passa a existir uma nova categoria de motociclos – A2 – que permite conduzir motociclos de potência máxima de 35kw (47,6 cv) e que pode ser obtida a partir dos 18 anos. A idade para obtenção da categoria A para condução de motociclos de grande cilindrada, passa para os 24 anos, podendo contudo esta categoria ser obtida a partir dos 20 anos, pelos titulares de carta de condução da categoria A2, com pelo menos 2 anos de experiência.

Dois kg por ABS

CB500F

A boa filtragem de vibrações e um motor silencioso contribuem para a facilidade de condução

A mais pesada das F acusa 192 kg na balança (190 na versão sem ABS) mas quando nos sentamos na moto, temos uma sensação completamente diferente. Com o assento baixo (a 785 mm do chão) a mobilidade é boa, e a proporcionalidade da distribuição de pesos (frente-trás) é de tal forma, que se lhe dissermos que se sentou numa 125 cc, até é capaz de acreditar. E se colocar o motor em funcionamento, ainda acreditará mais. Por um lado quase não existem vibrações, enquanto por outro o rumor do dois cilindros é bastante baixo. Existe ainda outra ‘ilusão de óptica’ que tem a ver com as dimensões desta CB 500 F em relação à ‘mana’ de 125 cc. Tem mais 20 mm de largura, mais 50 mm de altura e no comprimento total, a 500 tem mais 120 mm de comprimento. No entanto, se em termos de cotas é difícil estabelecer as diferenças, em termos estéticos, existem detalhes que permitem encontrar as diferenças. A forma do depósito e o logo constituem a ajuda mais evidente, o desenho do farol, as dimensões dos pneus e os discos (240 atrás e 320 mm na frente) são outras das características que ajudam a identificar esta CB 500 F.

Curso superior

CB500FComo atrás foi referido, o reduzido ruído do motor e o baixo nível de vibrações, são duas das características que nos deixaram boa impressão sobre esta CB 500 F. Como também já referimos, este bloco deriva do utilizado na 600 mas cortado ao meio! Todavia, para chegar aos 471 cc – metade do bloco da 600 seriam 300 cc – os japoneses mantiveram o diâmetro dos êmbolos mas aumentaram o curso para 66,8 mm em vez dos 42,5 mm medidos nos quatro cilindros das 600. Equipado com duplo veio de ressaltos e oito válvulas, o motor da CB 500 F é apresentado com uma cambota na qual os apoios das bielas estão desfasados a 180º, enquanto na traseira do bloco, estão os veios de equilíbrio, que rodam em sentido contrário ao de outras parte móveis do motor, reduzindo por isso as vibrações, mediante anulação das inércias. A injecção está a cargo do conhecido sistema PGM-FI e permite que o motor chegue aos 35 kW de potência máxima às 8.500 rpm, com um binário máximo de 43 Nm às 7.000 rpm.

Aos comandos da F

CB500F

Com escassa protecção aerodinâmica, esta 500 tem nos percursos urbanos e sub-urbanos o terreno de eleição

A baixa distância ao solo do assento (785 mm) e a reduzida cota na largura, fazem com que seja fácil montar e desmontar desta 500. Depois de colocar o motor em movimento, os primeiros quilómetros revelam uma moto muito fácil de conduzir, com boa manobrabilidade e com um painel informativo simples, mas a fornecer as indicações fundamentais. No tocante à informação, os japoneses optaram pela digital como a do velocímetro ou conta-rotações, entre outras, como os consumos de combustíveis ou quilometragem total ou parcial.
Apesar de ser uma moto despida (“naked”) de protecções aerodinâmicas, as formas do depósito de combustível e o desenho do farol, retiram de quem se senta aos comandos, uma grande parte da resistência aerodinâmica. Para um motociclista com perto de 1,80 metros de altura, esta resistência sente-se ao nível dos ombros e em nossa opinião, é bastante aceitável para uma moto que não se encontra configurada para estrada. Ainda em nossa opinião, o terreno de eleição desta CB 500 F são os circuitos urbanos ou sub-urbanos. No entanto, em termos dinâmicos, face ao desempenho das suspensões e travões, do comportamento da ciclística e até do motor, não conseguimos atribuir uma nota excepcional a qualquer um destes itens em particular. O que para nós é notável, justamente por isso, é que os japoneses tenham construídos uma moto tão equilibrada. Só estranhámos o facto de estar disponível apenas em três cores: branco, cinza e vermelho. Outra das ‘faltas’ que demos conta foi a transmissão DCT, mas se assim fosse, esta 500 poderia ser uma séria concorrente às “scooter”. Ou talvez não.

Gostámos Mais

  • Facilidade de condução
  • Baixo nível de ruído e vibrações
  • Equilíbrio dinâmico
  • Consumos moderados

Gostámos Menos

  • Ausência de comando DCT
Preço Base 4 058,54 €
ISV 123,00 €
IVA 933,46 €
Ecotaxa 1,87 €
Documentação 305,00 €
€ chave na mão 5 421,87 €
IUC 18,58 €