Download PDF

_dsc0990Organizado pela Nissan e com um diversificado painel de oradores, realizou-se o Fórum para a mobilidade inteligente, tendo como cenário o Pavilhão do Conhecimento. E para lá chegar, foi necessário um verdadeiro exercício de mobilidade, levado a cabo numa cidade esventrada por obras e pejada de estacionamento pago. Este cenário reflecte os erros no planeamento do território, mediante o qual se tem permitido a construção (habitações/escritórios) muito para além da fluidez da circulação e capacidade de estacionamento. Em relação a este último, a situação é de tal forma dramática, que 30% do tempo passado no automóvel, é utilizado na procura de lugar de parqueamento. Todavia, mesmo perante este cenário, 80% da população mundial vive em cidades, enquanto a tendência macrocéfala se acentua ano após ano, desertificando o interior.5-3 Em termos energéticos, a electricidade está na moda. Os combustíveis fósseis são apontados como os principais geradores dos problemas ambientais, sendo o invento (a pilha) de Alessandro Volta, uma alternativa para todos os males. Ou quase todos. No entanto, em algumas situações, a produção de energias alternativas também polui. Em algumas das situações, a poluição é directa e proporcional à produção de energia, como acontece com as centrais a carvão, cuja existência está planeada até 2025. Noutras situações, a poluição é indirecta, como acontece com os painéis fotovoltaicos que aproveitam/convertem a energia solar. Neste caso, a produção de energia não é poluente, mas a produção dos painéis solares é das mais gravosas para o meio ambiente.

 

 

_dsc1105Sociedade electrificada

Nesta última década temos vindo a assistir à electrificação da sociedade, exemplo disso são os data centre. Nos transportes públicos, a electrificação também se tem verificado, a par da condução autónoma e adesão a sistemas que envolvem a conectividade, a navegação, as comunicações e até a emissão/validação dos bilhetes, cada vez mais dependentes da electricidade. Por outras palavras, estamos a trocar uma dependência por outra, mesmo quando a eléctrica se torna menos poluente. Ora a dependência energética tem levado a CE a regulamentar sobre esta matéria, e daqui têm aparecido algumas linhas de orientação. De acordo com o calendário da CE, até 2020 será preciso ter 60% de energia proveniente dos renováveis, sendo que esta quota passará aos 80% em 2030 e deverá ser de 100% em 2040. No entanto, este calendário esbarra noutra contradição – mais uma a somar às já apresentadas. Na vertente política, muitas das vezes, os ministérios estão de costas voltadas e até caminham em sentidos diferentes. 5O que é bom para a Economia e aplaudido pela Energia, pode não ser aceite pelo Ambiente. Por outro lado, as legislaturas são de quatro anos, enquanto a amortização de um projecto hidro-eléctrico pode demorar décadas, tal como acontece com uma central eólica. E em qualquer dos casos, existe sempre uma dependência climática, que pode interferir na rentabilidade destes geradores de energia.

 

 

_dsc8478

Mais pontos de carregamento e de carregamento rápido são parte dos planos de acção para mitigar as questões de autonomia

Negócio reformulado

Como já aconteceu em edições anteriores, muito se planifica quando se fala de mobilidade eléctrica. Neste sentido e até final do ano, está prevista a montagem de 50 pontos de carregamento rápido, para suprir algumas necessidades de mobilidade eléctrica em estrada e auto-estrada, situação até aqui altamente deficitária em termos de pontos de carregamento. Aliás, durante o Fórum organizado pela Nissan, foram várias vozes que apontaram para uma crescente utilização dos pontos de carregamento nas cidades, por utilizadores que não moram nas cidades, mas sim nas periferias. Esta mudança de parâmetros na procura e utilização dos pontos de carregamento, levanta uma questão de mercado e que tem a ver com a armazenagem por um lado, e com a gestão da energia por outro.

 

Além do fornecimento da energia, o armazenamento abre as portas para novos negócios

Uma das soluções aponta para sistemas de carregamento ‘portáteis’ e que podem ser utilizados em casa ou nas empresas, suprindo as dificuldades de carregamento público nos postos disponíveis, em especial por que muitos destes, estão ocupados com viaturas não eléctricas. Em muitas das situações, existe uma clara dissociação entre os fornecedores da energia e os gestores dos lugares de estacionamento ou parques de estacionamento. Mas existe uma outra questão em torno deste ponto, que diz respeito à continuidade de alguns benefícios atribuídos aos híbridos e eléctricos. No tocante aos híbridos basta ver o acentuado incremento no IUC em 2016. Em relação aos eléctricos, entre o poder político/governativo, é cada vez mais evidente, que estudam a hipótese de dar continuidade aos benefícios mas transferir os referidos benefícios (impostos-taxas-estacionamento) para os privados. Por outras palavras, os incentivos estatais (isenções e reduções) à utilização de veículos menos poluentes, poderão ser transferidos para os particulares. Como uma das leis do mercado, tem a ver com a oferta e procura, será que os importadores e concessionários poderão – ou estarão interessados – em substituir os incentivos estatais?

 

Mercado ou natureza

vignettes_leaf_packed-with-technology-jpg-ximg-l_6_m-smartA gestão da produção de electricidade através dos renováveis, carece de um equilíbrio natural face ao elementos da natureza. Uma central hidro-eléctrica pode ser um investimento e estrutura para durar um século. Numa central eólica, este prazo pode ser encurtado para 20 ou 30 anos, enquanto em termos de custos, pode custar três ou quatro vezes menos que a energia obtida através das ondas do Mar. E uma legislatura dura 4 anos, ao fim dos quais nem sempre está garantida a continuidade das ideologias, conteúdos programáticos ou políticas fiscais.

 

5-5Neste momento, em 17 municípios existem 1.300 pontos de carregamento, nos quais a utilização diurna tem vindo a aumentar. Este indicador é bom, em especial se tivermos em conta que estamos a falar num negócio que começou em 2010 e estagnou a partir de 2011. A visão de futuro é a de que a Mobi-e estará associada a todos os pontos públicos de carregamento, configurados de acordo com as directivas europeias. E se alguns ventos europeus parecem prometer a bonança, não podemos esquecer que alguma da regulamentação europeia, remonta a 1968 e aos textos elaborados na Convenção de Viena. Entre outras matérias, é com esta Convenção que ainda hoje se regulamenta a condução autónoma.

 

range-electric-vehicles-discover-our-range-jpg-ximg-l_full_m-smart

A Nissan propõe diversas soluções para o transporte de passageiros com os Leaf e Evalia, e também para o transporte de mercadorias com o NV 200

De qualquer das formas e de acordo com os discursos dos governantes, estes são promissores no tocante às soluções do futuro, mesmo quando apresentadas verbalmente. Do lado da Nissan, as soluções são visíveis na estrada e factuais na avaliação. Nos veículos eléctricos, a marca japonesa tem apresentado um leque de soluções com preços competitivos, mesmo se incluírmos os preços das baterias. É verdade que as questões de autonomia ainda estão por resolver, quer no tocante à capacidade das baterias como na rede de postos de carregamento. Todavia, face aos automóveis com motores de combustão interna, existem dois factores favoráveis aos eléctricos. A eficácia energética é superior e o custo por quilómetro é inferior. Por fim mas não menos importante, a evolução nunca foi tão rápida e para isso, basta analisar o nosso mercado e as respectivas ofertas nos últimos seis anos.