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É garantido o medo de quaisquer pais quando ouvem: sinto-me enjoado. Esta frase, será temida em muitos carros na próxima semana em toda a Europa, altura em que milhões de pessoas viajam nas férias da Páscoa. O pára-arranca no trânsito e as estradas sinuosas vão piorar esta condição, que atinge dois terços das pessoas em algum momento, e é mais prevalente nos passageiros, especialmente nas crianças e adolescentes, agravado quando se viaja nos bancos traseiros, se joga videojogos ou se assiste a filmes. No novo estudo realizado pela Ford, com a ajuda de especialistas sobre enjoo em movimento, verificou-se que os passageiros durante uma viagem curta e que olhavam pela janela, em média sentiram-se doentes após 10 minutos. E eram todos adultos. O enjoo pode tornar uma viagem em família num verdadeiro pesadelo, com o pai e a mãe nervosos a espreitar por cima dos ombros e temendo o pior. 

Informações desconexas entre a visão e o equilíbrio geram o enjoo, que pode aparece logo que damos os primeiros passos. Por isso os bébés não enjoam nos automóveis.

Bocejar e transpirar são sinais de alerta desta situação e ocorrem quando o cérebro recebe informações desconexas da visão e do órgão responsável pelo equilíbrio, localizado no ouvido. Os bebés não enjoam no carro, estes sintomas só ocorrem quando começamos a andar. Os animais de estimação também são afectados, e incrivelmente até o peixe dourado sofre de enjoos, um fenómeno observado por marinheiros. O enjoo é um problema complexo. É uma reacção natural a um estímulo não natural que não pode ser curado como tal. Mas podemos tentar aliviar os sintomas, disse o Prof. Dr. Jelte Bos, de TNO, Sistemas Perceptivos e Cognitivos, em Soesterberg-Holanda. Nos testes iniciais, verificou-se que no caso de janelas mais elevadas e que permitiam um campo de visão mais alargado, de ambos os lados da estrada, os voluntários tiveram menor propensão a enjoar. Os próximos testes irão explorar formas alternativas de permitir uma maior visão aos passageiros do banco traseiro, para que possam aperceber-se da aproximação a estradas sinuosas e pontes com ressaltos.

Amplas áreas vidradas, a renovação e temperatura do ar também contribuiem para mitigar o enjoo

Para muitos condutores que pensam que os filhos têm problemas de enjoo nos carros, pode ser que os seus filhos tenham um problema com a sua condução. Adoptar um estilo de condução mais suave, é um caminho a percorrer, no sentido de diminuir os sintomas de náuseas, e isso reduz os custos com combustível também. O professor sugere alguns cuidados a ter no sentido de diminuir os sintomas de enjoo: nos lugares traseiros sentar no banco do meio, para visualizar a estrada, ou preferencialmente viajar nos bancos da frente; condução mais suave e sempre que possível evitar travagens bruscas, acelerações fortes e buracos no pavimento; distrair os passageiros – cantar uma canção em família pode ajudar; comer biscoitos de gengibre, mas evitar café; usar uma almofada ou um suporte de pescoço para manter a cabeça o mais imóvel possível; renovar o ar ou ligar o ar condicionado para que circule ar fresco.