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As penduras 

Como atrás referimos, usufruir da companhia e ter alguém que partilhe as despesas é agradável para quem viaja, em especial sobre duas rodas. E quando existe uma certa cumplicidade, ou até mesmo amor e total confiança, o saber andar de moto é considerado mais-valia. Estas são as premissas para encontrar uma boa pendura. E na maior parte dos casos, se não tiver experiência a andar de pendura, tanto melhor. É mais fácil ensinar alguém a ter os comportamentos adequados para andar à pendura, do que ‘reciclar’ alguém que já andou noutras motos, com outros estilos de condução e, muitas das vezes, com escolhas de equipamentos muito diferentes.

E quando na fábrica, depois da reparação mecânica e montagem de pneus lhe dizem: -) leve também este. Sobra menos espaço para a pendura

E sim, é verdade que algumas pessoas à pendura, acabam por dormir umas sestas, para assim obviar a monotonia das viagens, em especial naquelas em que a linearidade do caminho e a monotonia da paisagem também ajudam. Hoje em dia já existem sofisticados sistemas de intercomunicação. Uns mais simples e funcionais, outros mais complexos e a desafiar a paciência de quem adere às novas tecnologias, aos emparelhamentos e outros palavrões tecnológicos, para os quais é preciso destrocar a nota. A música também pode alegrar a viagem, quer seja em regime de comunhão de bens, como em sistema autónomo. Em alternativa, parar a cada hora e meia ou duas horas, conversar um pouco e desfrutar da conversa e companhia do outro, enquanto se trinca qualquer coisa ou se aproveita para atestar, também funciona como catalisador social.

Por isso já sabe, se entrar num sítio onde está afixada uma placa a dizer: não temos “wi-fi” falem uns com os outros, aproveitem. Por outro lado, a ideia de ir atestando o depósito em vez de atestar quando acende a luz da reserva, pode ser uma boa prática. Em algumas motos, quando a luz acende, ainda podemos fazer uns quilómetros e mesmo quando a autonomia passa a zero, ainda se fazem mais uns quantos quilómetros. Se trocou de moto recentemente, certifique-se de que a nova montada, funciona da mesma forma. É que nalguns casos, quando a luz da reserva acende, não faz mais do que 10 a 15 km e quando a autonomia chega a zero, é mesmo isso que significa. No entanto, se acha que tem a protecção do São Cristóvão, arrisque. Mas não se esqueça que ao ficar sem gasolina, alguém tem que a ir buscar. E se essa tarefa a si lhe couber, alguém fica junto da moto e a “solo”. Ooooopppppsssssss.

Letra e música: António Moura

Arranjos: Fausto Monteiro Grilo