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A história de um tapete voador

Começou nos karts aos 4 anos de idade e pouco depois, uma das catedrais da modalidade, serviu de palco para a primeira corrida (Euroindy). Aos 15 anos de idade, o piloto de Leiria que gosta de um bom bife, recorda, num passado recente, a mais marcante das provas! Em Campillos-Espanha e apesar de desconhecer o circuito, foi ao pódio com um brilhante 2º lugar. Com um gosto eclético em termos musicais e o ice tea como bebida de eleição, o Bruno Oliveira, explicou-nos como se anda de 125, com os olhos a menos de um metro do chão e como se estivesse sentado num tapete.


Metodologia de treino

Se um dia o Bruno Oliveira se encontrar com os Rádio Macau, não temos dúvidas de que lhes vai pedir para pintarem o céu em tons de azul, por ser esta a cor preferida do piloto de Leiria, que partilha os estudos com o karting. De momento, utiliza um kart com chassis tubular e só com travões atrás, motor de 125 cc e com restritor de escape. Todavia, quando se tem 45 kg de peso e pouco mais de metro e meio de altura, encontramos a conjugação perfeita para ser rápido em pista, mesmo quando “às costas” tem um batalhão de espanhóis… que não gostam de perder nem a feijões. Mediante os resultados até aqui obtidos, a estratégia do
Bruno Oliveira, aponta para chegar o mais longe possível no desporto automóvel e por isso, a internacionalização, foi um passo muito importante. De modo a partilhar um pouco da experiência no universo do karting, começámos por perguntar ao Bruno, como se encontra a melhor metodologia de treino e se o conhecimento da pista, determinam um bom tempo para grelha e qual a importância desta parte da corrida?

Bruno Oliveira: – O conhecimento de pista é sem duvida um dos factores mais importantes para um bom lugar na grelha. A metodologia de treino passa por fazer o maior número possível de testes com diferentes afinações no kart e em simultâneo, optimizar tanto quanto possível todas as trajectórias. Este aspecto é tanto mais importante quanto menor é a experiência que tenho da pista em causa e revela-se especialmente difícil em corridas internacionais, que normalmente decorrem em pistas que conheço menos bem.
Só com uma boa afinação e trajectórias perfeitas se consegue um bom lugar na grelha de partida e está claro, que só com um bom lugar na grelha se pode ambicionar a um bom resultado na corrida.

A importância da afinação

Quisemos também saber se a afinação do kart é muito diferente de pista para pista e as condições atmosféricas são determinantes. Quando chega ao circuito, quanto tempo demora a afinar um kart?

Bruno Oliveira: -Normalmente afinação do kart tem um “standard” de base, sendo que em todas as sessões se mudam as afinações com o objectivo de encontrar o melhor “set-up” para a pista em causa. A adaptação de um kart a uma pista pode levar 2 dias completos de treino, o que pode significar entre 10 e 15 sessões dependendo das corridas. No entanto há situações em que por limitações do regulamento, somos forçados a fazer todo o trabalho de afinação e optimização de trajectórias em 4 ou 5 sessões, como é o caso do Campeonato do Mundo Academy CikFIA em que estou a correr este ano.

A pensar nas trajectórias

Estar a menos de um metro do chão, coloca alguns problemas de visibilidade. Qual a melhor forma para escolher uma trajectória?

Bruno Oliveira: – Quando chego a uma pista procuro encontrar os pontos de travagem e as trajectórias ideais nas 2 primeiras sessões de treino, sendo que há pequenos pormenores que só com os quilómetros de pista se conseguem achar. A posição de condução/distância ao chão não é um problema para quem está habituado a pilotar um kart, uma vez que essa é a nossa referência e estamos habituados a ter a leitura da pista e dos adversários a partir dessa posição. A forma de escolher a melhor trajectória assenta sempre no pressuposto de que devemos percorrer o menor número possível de metros, sem mudanças bruscas de direcção evitando quaisquer situações que provoquem maior atrito ou derrapagem do kart.

Projectos além fronteiras

Sente diferença entre as corridas nacionais e internacionais?

Bruno Oliveira: – Sem duvida que o nível de competitividade é completamente diferente entre as corridas nacionais e as internacionais. Por exemplo em Portugal existe um grupo de 5 ou 6 pilotos que rodam em 2 décimos de segundo, enquanto é frequente em Itália ou Espanha termos 20 pilotos ou mais, a rodar nos mesmos 2 décimos de segundo. É na procura dessa diferença de competitividade que, enquanto piloto, estou a apostar numa carreira internacional.

De uma forma geral, o karting tem sido escola para muitos pilotos que chegaram à F1. Quais as aspirações enquanto piloto?

Bruno Oliveira: – As minhas aspirações passam por chegar ao sonho que é a F1, mas hoje em dia arranjar apoios para chegar tão longe é muito difícil. O facto de a nossa Federação não dar apoios como dão por exemplo em Espanha ou França, complica ainda mais e coloca-nos logo à partida numa situação mais desfavorável perante os nossos concorrentes internacionais. No entanto, o meu sonho passa sempre por chegar o mais longe possível no desporto automóvel e construir carreira consistente, que permita levar as cores da bandeira nacional o mais alto que conseguir.