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Compara portugueses e europeus

Como já vendo sendo hábito, anualmente, a Arval mostrou alguns dados sobre a utilização e modos de financiamento das frotas automóveis das empresas portuguesas, comparando o estudo com dados europeus. De acordo com o CVO – Corporate Vehicle Observatory 2013, algumas das tendências nacionais acompanham as europeias. Todavia, outras estão em evidente contra-ciclo.
Este estudo revela que 24% das grandes empresas prevê a redução da frota, e outra conclusão curiosa que é possível extrair deste Barómetro, é a de que as decisões estratégicas sobre as frotas são, cada vez mais, assumidas pelo topo da gestão das empresas. Ao nível de direcção-geral em 93% das pequenas e micro-empresas, e 61% nas médias e grandes empresas.

Leasing financeiro lidera

Tendo por base os dados consolidados dos últimos três anos e as respostas das empresas entrevistadas no âmbito do CVO, conclui-se que o principal método de financiamento da aquisição das viaturas das respetivas frotas em Portugal é o Leasing financeiro (50%), seguido da aquisição própria (35%) e do crédito automóvel (11%), enquanto os restantes 4% são ocupados pelo Leasing operacional/Renting.
Se atentarmos na situação do mercado europeu ou espanhol, encontramos realidades substancialmente distintas, nomeadamente com a aquisição própria (48%) a superar, de forma clara, o Leasing financeiro (29%) no mercado europeu, onde se verifica um maior equilíbrio entre o crédito automóvel (13%) e o Leasing operacional/renting (10%). Em relação ao caso de Espanha, sublinhe-se que a divisão entre os diferentes métodos de financiamento é ainda mais equilibrada, com o crédito automóvel a atingir os 17% e o Leasing operacional/Renting a chegar aos 15%, o que revela o amadurecimento deste produto no mercado do país vizinho.
Observando as variações verificadas no recurso aos diferentes métodos de financiamento consoante a dimensão das empresas, conclui-se que, em Portugal, a utilização do Leasing operacional aumenta na razão directa da dimensão das organizações, sendo quase residual (4%) nas micro empresas, mas apresentando-se como o método dominante nas grandes empresas (44%) – uma tendência idêntica à que se verifica no mercado europeu, onde a penetração deste método varia entre os 8% nas micro e os 49% nas grandes empresas.
Quanto aos motivos que sustentam a opção pelo Aluguer Operacional/Renting, o custo mensal fixo é de longe o mais referido pelos decisores e gestores de frotas (43%), seguindo-se, já a grande distância, a inclusão dos serviços (22%), a redução das tarefas administrativas e o controlo do orçamento (14%). Curiosamente, o factor custo, ou seja, o facto de o Aluguer Operacional/Renting se apresentar como uma solução efectivamente mais barata, não é tido em conta pela generalidade dos inquiridos.

Utilização diferenciada

Nas empresas portuguesas, são substancialmente diferentes as práticas de utilização das viaturas das frotas, quando comparadas com as congéneres europeias. Entre nós e porque o uso do carro da empresa é muitas vezes entendido como parte integrante do vencimento do colaborador, verifica-se que o uso total da viatura (profissional e pessoal) beneficia 74% dos colaboradores nas pequenas e micro-empresas, aplicando-se a 68% dos colaboradores quando se trata de médias e grandes empresas. Na Europa, o uso total da viatura da empresa pelos colaboradores não chega sequer aos 50%. Curiosamente, quando falamos de ligeiros de mercadorias, a situação portuguesa aproxima-se da europeia (29% em Portugal e 16% na Europa).
Quanto às acções que os responsáveis pelas frotas das empresas portuguesas dizem ter planeadas para reduzir o impacto ambiental das respectivas viaturas ganha nítida preponderância a mudança para veículos menos gastadores de combustível, seguida já a uma distância considerável da mudança para veículos menos poluentes. Também a reorganização de procedimentos da equipa comercial com vista à redução de deslocações é referida por 20% dos inquiridos como forma de proteger o meio ambiente.
A escassa quota dos veículos eléctricos na composição das frotas das empresas em Portugal é explicada pelos respectivos responsáveis por três razões essenciais: a reduzida autonomia das viaturas; o escasso número de postos de abastecimento e as incertezas técnicas que ainda subsistem sobre este tipo de veículos. Sublinhe-se que o tipo de resposta não varia muito em função da dimensão das empresas, nem sequer quando comparamos a opinião dos gestores portugueses com as dos europeus.

Uso limitado da telemática

Monitorizar os comportamentos dos condutores (49%) e localizar as viaturas (47%) são os principais motivos que levam as empresas portuguesas a recorrer às telemáticas nas suas frotas, seguindo-se o objectivo da redução do consumo de combustível (35%). Já na Europa a função de localizador de viaturas é largamente referida como o motivo principal (61%) para o uso deste tipo de equipamentos.
Contudo, segundo revela o CVO 2013, é limitada a percentagem de empresas que recorre à utilização de telemática nas viaturas das suas frotas, principalmente quando falamos de pequenas e micro-empresas, onde o uso desta tecnologia se fica pelos 5%. Também a nível europeu encontramos uma situação semelhante, indicadora de que as empresas ainda hesitam em apostar nestas soluções, facto a que não será alheia a rápida evolução tecnológica verificada nesta área, com os novos aparelhos de telecomunicações a responderem a muitos dos itens pretendidos.