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O sector automóvel continua a contribuir para quase 25% das receitas fiscais do Estado Português. Todavia e face a anos anteriores, mesmo num cenário de comprovado abrandamento da procura em 2016, a ACAP – Associação Automóvel de Portugal estima perspectivas positivas no que toca às vendas de veículos para os próximos dois anos. A produção automóvel em Portugal registou um abrandamento de 8,6% em 2016 quando comparado com 2015. Em 2016 foram produzidas 99.200 novas unidades de automóveis ligeiros de passageiros, que representa uma diminuição de 14,1% face ao ano 2015. Em termos de veículos ‘comerciais’ ligeiros, no ano passado registou-se um crescimento de 6,9% face ao mesmo período homólogo de 2015, traduzido na produção de 39.712 novas viaturas. Outra categoria em crescimento foi a dos veículos pesados que, com um total de 4.184 novas unidades alcançou uma variação de positiva de quatro por cento em relação a 2015. Esta diminuição da produção deveu-se, sobretudo, à readaptação dos ciclos de produtos das fábricas de automóveis.

 

Da produção automóvel em Portugal, 95% destinam-se à exportação

No tocante às exportações, de um total de viaturas produzidas pelas fábricas automóveis a operar em Portugal em 2016, 95% destinou-se à exportação, sendo que apenas 5% (6.727) destinado ao mercado interno. Estes valores, integrando a área dos componentes automóveis, fazem com que o sector automóvel seja o maior exportador nacional. O maior mercado de destino da exportação automóvel continua a ser a Alemanha, absorvendo 23,1% da produção nacional, seguida da Espanha (15,4%), Reino Unido (11,5%) e Áustria (6,5%). Os mercados asiáticos foram o destino de 7% das viaturas exportadas, com a China a receber a grande fatia de viaturas novas (5,5%). A produção de veículos e componentes automóveis representa um volume de negócios de 7.200 milhões de euros, envolvendo um total de 440 empresas e garantindo 34.000 empregos directos.  O sector de comércio, manutenção e reparação de veículos automóveis e motociclos representa em Portugal um volume de negócios de 16.500 milhões de euros, abrangendo um tecido empresarial de 28.000 empresas e sendo responsável por 90.000 postos de trabalho directos.

 

De assinalar o ligeiro decréscimo de viaturas com motorizações a gasóleo vendidas em Portugal em 2016 face aos anos anteriores, nos quais se registou uma tendência de dieselização das viaturas. Assim, em 2016, por tipo de combustível, 64% das viaturas vendidas tinham motores a gasóleo (68% em 2015), 33% a gasolina (30% em 2015) e 2,9% outros tipos de combustível (2,7% em 2015). Registe-se a continuação da tendência de aumento do número de automóveis ligeiros de passageiros importados usados. Em 2016, representavam 28,3% do total de veículos novos vendidos, sendo que, desde 2010 o aumento foi de 17,4%. Em termos de pevisões de vendas, A ACAP estima um crescimento de dois por cento nas vendas de ligeiros de passageiros para 2017, prevendo-se que possa ser atingido o total de 211.000 unidades. Este valor deverá, de acordo com as previsões da ACAP, crescer novamente em 2018, chegando às 218.000 unidades, representando um novo crescimento de dois por cento em relação a 2017.

 

As vendas de comerciais ligeiros devem igualmente crescer de acordo com as previsões da ACAP, prevendo-se que possam chegar às 36.000 unidades em 2017, o que representa um crescimento de 3%. As previsões para 2018 mantêm-se na mesma escala, ou seja, novo aumento de vendas em 3%, perfazendo 37.000 unidades vendidas. No que diz respeito a receitas fiscais, o sector automóvel continua a ser importante para o Estado Português. A maior fatia do volume de receitas de 2016 teve origem no IVA, com um total de 3.446 mil milhões de euros. o ISP (Imposto Sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos) representou 3.259 mil milhões de euros, logo seguido do IVA dos combustíveis (1.246 mil milhões de euros) e do ISV (Imposto Sobre Veículos), que representou 672 mil milhões de euros em 2016. As receitas fiscais do sector automóvel totalizam 9.271 mil milhões de euros, tornando-o num dos maiores contribuintes para as receitas fiscais do país, responsável por 21,6% dos 43 mil milhões de euros das receitas estatais em 2016.

 

No encontro, o presidente da associação colocou a tónica da actividade associativa em 2017 no reforço da competitividade do sector automóvel de Portugal. Recorde-se que a ACAP esteve na génese da criação da Mobinov – associação do cluster automóvel – que envolve organizações dos sectores e fileiras da cadeia de valor da indústria automóvel, nomeadamente da construção e dos componentes. Esta associação constitui-se como uma plataforma de apoio à dinâmica de “clusterização” do sector, reforçando a articulação de actores e iniciativas para a promoção de uma crescente valorização da competitividade e da internacionalização.