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A sinistralidade dentro das localidades apresenta-se como um problema particularmente grave em Portugal. Ao contrário da sinistralidade fora das localidades, onde Portugal tem uma taxa de mortalidade inferior à média europeia (27 mortos/milhão de habitantes vs. 32 na UE), dentro das localidades a taxa de mortalidade nacional é cerca de 1,5 vezes superior à observada no conjunto dos países da UE (29 mortos/milhão de habitantes vs. 19 na UE). A PRP analisou a sinistralidade nacional dentro das localidades, entre 2010 e 2015. Neste período, o número de vítimas mortais dentro das localidades diminuiu de forma consistente (-35% mortos/milhão de habitantes). No entanto, o número de feridos graves desceu apenas 2,2% por milhão de habitantes e o de feridos leves desceu 3,7%. No mesmo período, fora das localidades, o número de feridos graves desceu 23,1% por milhão de habitantes e o de feridos ligeiros 23,7%. Os dados da sinistralidade mostram que os homens e os condutores mais novos, são os que provocam danos mais severos nos peões que atropelam. Por cada 100 atropelamentos em que o condutor é do género masculino, acabam por morrer 3,2 peões (1,7 no caso das condutoras). Nos condutores até 24 anos, o número de vítimas mortais por cada 100 atropelamentos é de 3,9 – o dobro do observado nos condutores com 55 ou mais anos (1,8). A análise cruzada do género e idade, mostra que os condutores masculinos com idades até 24 anos, são o grupo que mais vítimas mortais causa por cada 100 atropelamentos (4,6 vítimas mortais/100 atropelamentos).

A diminuição dos limites de velocidade tem sido uma das soluções escolhidas para reduzir a sinistralidade. No entanto, a medida não tem contribuído para aumentar a segurança dos peões.

A prática de velocidades excessivas dentro das localidades – apontada como uma das principais causas de acidentes rodoviários – parece ser uma característica dos condutores portugueses. Um estudo observacional realizado pela PRP, em Vias Urbanas Nível II (por exemplo a Av. da Boavista, no Porto e a Av. da República, em Lisboa), com velocidade permitida até 50 km/h possibilitou concluir que a velocidade média praticada foi de 56.2 Km/h. De salientar que 2 em cada 3 condutores circulavam acima do limite legal. Nestes, 66,7 % circulavam em excesso de velocidade, 10,6% praticavam contraordenações graves e 0,9% muito graves. No European Survey of Road User’s Safety Attitudes (ESRA, 2015), consórcio europeu do qual a PRP faz parte, quando questionados sobre o quão aceitável consideram conduzir acima do limite de velocidade dentro das localidades, os portugueses foram dos que consideraram menos aceitável fazê-lo. No entanto, foram dos que referiram fazê-lo com mais frequência. Para o presidente da PRP: o excesso de velocidade é a principal causa da elevada sinistralidade dentro das localidades. Salienta ainda que a implementação de métodos de acalmia de tráfego, nomeadamente, alterações aos alinhamentos horizontais (tais como rotundas, chicanes, etc) e verticais (passagens de peões e interseções sobrelevadas, etc.), sistemas semafóricos de controlo de velocidade, zonas de 30 km/h e espaços partilhados, surgem como soluções de melhoria das infraestruturas, e têm mostrado ser as medidas mais eficazes, referiu José Miguel Trigoso. De acordo com este responsável da PRP, é necessária uma melhor articulação entre todos os agentes, desde as forças policiais na fiscalização até às autarquias. É urgente desenvolver políticas que levem à redução da sinistralidade dentro das localidades, não só através da melhoria das infraestruturas, mas também de acções que promovam a adopção de comportamento seguros nos utentes da estrada.